Crónica e criatividade
Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/14-mar-2020/falta-de-educacao-11921165.html
Noto que nestes tempos estou muito menos concentrada, que me custa muito mais ler um texto (a minha atenção está permanenemente a ser desviada por chamadas, apitos de emails, alertas dos jornais, notificações e também pensamentos negativos), mas acredito apesar de tudo que já haverá muita gente a criar com o pano de fundo dos tempos que estamos a atravessar; e, lendo a sempre interessante colaboração do meu confrade espanhol Adolfo García Ortega (abaixo o link), haveria realmente dezenas de ideias para contos ou mesmo romances. Basta ver as que ele enumera no seu texto.
https://www.zendalibros.com/dos-cabalgan-juntos-x/
Hoje recomendo A Solidão dos Números Primos, de Paolo Giordano, com tradução de José C. Serra, uma pequena maravilha literária escrita com o rigor de um homem de ciência.
Das sugestões do Zendalibros e dos dois que cavalgam juntos nesta pradaria da cultura, aproveitaria (digo no pretérito, porque não o farei porventura), a sugestão nº. 5 do Adolgo García Ortega - "Un cuento sobre la tormenta de sentimientos en las mentes de los sanitarios y de los cuidadores".
ResponderEliminarSobre o texto da MRP, que costumo ler em papel, devido à quarentena fico-me pela "pantalla", mas curiosamente pedem-me um registo para o acesso à leitura e eu sou avesso a registos - "lástima".
Quanto a recomendações de leitura, gostei de "Campo de Feno com Papoilas", de Manuel Córrego, livro que repousou virgem durante duas décadas por ter sido adquirido obrigatoriamente, por assinatura e compromisso, com o CL.
A sua crónica dá que pensar, sem dúvida.
ResponderEliminarA falta de educação, ou melhor a deseducação que é o acto de retirar ou impedir a educação, deliberadamente e coisa que algumas forças políticas promovem no seu plano de desmontar a sociedade para depois (julgam eles) instalar a sua utopia, a deseducação faz parte desse plano, e agrada a quase toda a gente, pois a educação custa aos que a praticam, obriga a fazer coisas que não apetecem, assim sendo torna-se popular ser não educado pois cada qual faz o que e como lhe aptece ou calhe, sem os entraves da educação, que é afinal aquilo que nos permite viver em sociedade de forma harmoniosa, enfim, mais ou menos mas permite!
Saudações cá da Cidade Morena, onde a educação ainda é dada e mantida à força! Foi assim no tempo colonial, foi assim na era soviético-cubana, ainda é assim numa época que não tem definição...
Há dias comentei alguns livros que não me agradaram particularmente.Gostaria de acrescentar que li de Isabel Rio Novo "Rio do esquecimento" e A febre das almas sensíveis"que são excelentes.De Mario Claudio gostei de "Camilo Broca" e de "Tiago Veiga",entre outros que agora não lembro.De Julian Barnes o único que me tocou foi "O sentido do fim"(e não muito),não lhe consigo encontrar grande atrativo.
ResponderEliminarContinuo a ler as sugestões diariamente com muita atenção e proveito.Obg!
Os tempos não estão fáceis nem para a leitura nem para a escrita.
ResponderEliminarAs crianças deambulam cansadas de tanto confinamento, os zoom's atordoam-nos constantemente entre aproximações e afastamentos, a busca do tempo perdido é chutada para um outro tempo.
Mas vai-se escrevendo. Aos amigos do HE deixo estas primeiras páginas de um livro quase a finalizar.
“bela praga”
Não se deve prejudicar ninguém, nem mesmo o mundo, para alcançares uma vitória.
Era esse o meu estado de espírito antes de entrar naquele labirinto que me tinham indicado, tão idêntico àquela porta de entrada de quando nascera.
A praça era escura, granítica. Nada nem ninguém parecia querer parar nela. «Sabe dizer-me o nome desta praça?» O homem olhou-me de través. Mas nem isso estancou a sua rápida caminhada. Havia de voltar aqui, pensei, mas não com este céu púmbleo e aterrador. «Spooky» pensei; aterrador, como aquele quadro anamórfico repousado no museu do Berardo; como se a infância não pudesse ser ela um ninho terrífico e de horror. O nome do autor? Não me lembro! Mas também o que interessa neste labirinto escuro que atravessava agora e de que ninguém me queria dizer o nome?
Umas escadas de pedra faziam-me agora subir em direcção ao céu. Os aforismos de Zurau vinham-me à boca. Inundando-a de um sabor a medo. Como se toda a adrenalina estivesse concentrada dentro destes lábios e bochechas que se incham ao perigo, prontas a semear uma resposta urgente a qualquer imprevisto. De um ponto determinado em diante, não há mais retorno. Esse é o ponto a ser alcançado, ouvi pausada, compassadamente, como se Mozart estivesse a acompanhar-me ao piano. Estas ruelas lúgubres pareciam-se inequivocamente com a assumpção do autor com que me debatia… como a estrutura social também elas aprisionavam o meu modo de pensar e comportar, mesmo sem precisar de grades.
Na volta da escada, já meio amedrontado e hirto, quase esbarrava com um gigante que me estugou o passo; mas, afinal, era só um anão de cabeça grande quando arremeteram as suas parcas pernas nos degraus mais baixos. «Spooky» pensei… e ainda nem ia a meio caminho. De um ponto determinado em diante, não há mais retorno. Esse é o ponto a ser alcançado, soou-me novamente como um aforismo de pequena aldeia que presumia de idade do meio — não quis chamar-lhe de idade média como evitava chamar velho ao antigo.
As pernas agora pesavam.
A subida parecia idêntica àquelas que nos levam às ameias de uma vila amuralhada de outra Europa mais a Oeste chamada Óbidos. A neblina parecia agora esvair-se. Lá ao alto sentia haver um sol querendo defenestrar aquela cortina odiosa. Sentia-me ainda tenso «Mas que raio! Era uma vila dentro de uma cidade que visitava.»
Remontei outra frase já feita, como se emaranhasse por ela acima: todas as falhas humanas são impaciência, um rompimento prematuro do metódico; um suporte aparente da coisa aparente. Foi quanto bastou para ir tropeçando numa falha da pedra ao querer galgar aceleradamente dois degraus de uma vez, com a pressa dos desordenados. Olhei para o lado. Podia ter dado uma queda feia, cinco metros pelo menos, tivesse galgado o fraco suporte e não fosse ele aparente: ou, melhor, aparência! (...)
"Não se deve prejudicar ninguém, nem mesmo o mundo, para alcançares uma vitória."
EliminarComeça logo bem! É a tal educação, a que dá trabalho ou nos inibe de fazer o que der na gana... que permite vivamos em sociedade!
Grande abraço Pedro!
Abraço, António. Cuide-se que isso por aí não deve estar nada fácil.
EliminarApesar das várias tentativas não consigo ler a crónica, abre o link mas depois desaparece e num quadro preto "registe-se no Nónio"???
ResponderEliminarSobre as sugestões do Adolfo Garcia Ortega, ele que me perdoe mas devo dizer-lhe o que costumam responder-me os espanhóis quando lhes faço alguma pergunta: "non te entiendo"...
Ainda sobre Adolfo Garcia Ortega não posso deixar de salientar (já aqui o fiz várias vezes) o seu extraordinário livro "O Comprador de Aniversários" - o Hurbineck é das personagens mais sublimes que li até hoje.
"A solidão dos números primos" comprei este livro já há uns anos mas nunca saíu da prateleira onde se tem mantido junto daqueles em que "não acredito", mas, depois da sugestão da nossa MRP, vou talvez dar-lhe uma oportunidade.
Esta "reclusão" derrete-nos...
Eu por exemplo, estou a ler muito menos. Talvez se deva à "agitação" cá por casa (quatro pessoas, 24 horas por dia, por muito espaço que dêem umas às outras, torna tudo diferente...), ou a algo mais interior, que nos leva a sentir quase "perdidos" no meio disto tudo...
ResponderEliminarAs minhas horas de leitura reduziram drasticamente ao contrário do que eu esperava: teletrabalho e crianças é uma mistura que não ajuda. Assim, cá continuo na minha Estrada para Oxiana, devagar e com um entusiasmo muito moderado. Bom fim de semana a todos.
ResponderEliminarEsse é um dos livros de viagens que tenho para ler e o António Dinis está a tirar-me a vontade de lhe pegar.
EliminarMas não faz mal, tenho muitos outros em fila de espera :))
Quando (e se) o terminar, conte aqui se valeu a pena o esforço, ok?
Obrigada, igualmente.
🌻
Maria
Maria,
EliminarComo disse, não tenho avançado muito na leitura. Quando finalizar, deixo aqui a minha opinião sobre o livro, está combinado. Até porque já li muitos livros com maus inícios e que se revelaram muito interessantes com o seu desenvolvimento. Até lá: boas leituras e resto de bom fim de semana.
De uma forma ou de outra, todos acabamos por ficar menos por termos ficado mais. Um fim de semana em segurança. Um bem haja
ResponderEliminarPensava eu ter mais tempo para ler. Consigo ler melhor nos transportes públicos que em casa com miúdos 24 horas por dia. Entre trabalho, tpc, alimentação e limpeza, brincadeiras e descansar não sobra tempo nenhum para ler. Vai dando para desenhar em alguns momentos, mas esse é um momento de relaxe e foco para mim. Tenho uns quantos para começar a ler. Vou pegar num pequeno chamado "Vírus da Vida" do JP Simões com ilustrações do André Carrilho. Boas leituras. Fiquem bem!
ResponderEliminar