Artistas
Li algures que Churchill, quando lhe perguntaram porque gastava dinheiro com a Cultura num momento em que todos os fundos deveriam ser invstidos no esforço de guerra, respondeu: Mas porque fazemos a guerra senão pela Cultura? Foi uma excelente resposta, evidentemente; e, embora os governos raramente atribuam uma fatia essencial do seu orçamento à Cultura (e até há pouco tempo nem ministro tínhamos nesta área em Portugal), a verdade é que, se não fossem os artistas, o período de confinamento que estamos a viver seria mesmo impossível de suportar. Sim, como passaríamos um mês (ou mais) dentro de casa sem livros, filmes, séries, visitas virtuais a museus, música, jogos? Tudo isso é obra de artistas, e é a sua obra que hoje nos ocupa maioritariamente o tempo livre (para quem não está em teletrabalho, o tempo quase todo). Por isso, são de louvar medidas que algumas instituições tomaram para apoiar os artistas que, de um momento para o outro, ficaram sem possibilidade de realizar dinheiro: uma construtora de Braga está a pagar os salários dos actores do teatro daquela cidade, a Câmara de Lisboa abriu uma linha de apoio a artistas que não beneficiavam de qualquer ajuda do município e vai pagar já os contratos celebrados, a Fundação Gulbenkian criou um concurso nacional de apoios de emergência à cultura... Espero que estas iniciativas se alarguem e difundam por todo o País e ao longo destes meses terríveis. Por muito que algumas pessoas achem que viveriam muito bem sem os artistas, esta é a hora para fazerem o teste da verdade.
Numa economia de mercado, todos os produtos devem ser pagos incluindo os produtos produzidos na área da cultura. As pessoas muitas vezes não estão sensibilizadas para este facto e os artistas, "produtores de cultura", são os mais prejudicados. Por exemplo, num livro que é vendido numa livraria por 20 €, quantos euros vão para o artista, isto é, para o escritor? Bem sei que editoras e livreiros têm igualmente que sobreviver, mas será a divisão justa? Outro exemplo é a partilha de revistas e jornais em ficheiros pdfs, contribuindo assim para a extinção de um jornalismo de qualidade, cada vez mais raro. Tudo o que é bom deve ser pago e não acho que deva ser o estado a sustentar a totalidade dos custos associados à cultura.
ResponderEliminarem complemento: o estado deverá proporcionar aos cidadãos capacidade financeira, tempo e educação cultural de forma a que a área da cultura seja sustentável "per si".
EliminarBrindemos à cultura, a cultura é eterna a vida é efémera.
ResponderEliminarUm outro Lugar para a Esperança. poemas 7 e 8
29/3
Como se a noite não contasse na vida,
vozes inesperadas são joias refulgentes.
Confirma-se o movimento das raízes
de uma romãzeira, que a retina
regista, entre anotações imprecisas.
Um tempo sem epitáfios, na entrega
do silêncio ao seu claustro iluminado.
31/3
Vento que vem do princípio do tempo,
abre na alma uma antiga angustia e
imprime seu rumo às ocultas palavras.
Pássaro na folha da serra, o som
dos dias no branco papel da solidão.
Pela luz perfeita a primavera progride,
azul, limpa, a rasgar o horizonte.
Churchill, deve ter sido o maior vulto do século passado... bom, para mim foi, mas pode haver outras opiniões. Ele foi completo, exactamente porque um homem de cultura!
ResponderEliminarAndei a ler, ainda não acabei e é coisa para uns anitos, aquele cartapácio imenso com a sua biografia, e é mesmo fascinante!
Se a cultura é importante, e sabemos que sim, os seus agentes são fundamentais, os artistas, sejam quais ou quem eles forem, e agora cá vai alfinetada: sejam fascistas, comunistas, pedófilos, sexistas, homossexuais, misóginos, egocentristas, vaidosos, seres humanos insuportáveis... são artistas, e, pela sua arte são imprescindíveis a nós, simples desfrutadores desde que sensibilizados e apreciadores desta ou daquela arte, seja qual for.
Portanto, apoio aos artistas, nós precisamos deles, a vida precisa deles, o Mundo precisa deles! Com emergência!
Os Estado português, pela mão dos seus governos, insensíveis por definição, não dá atenção devida aos seus artistas, nunca deu salvo raríssimas excepções, e os ministros ou secretários de estado da tutela, por muito que o queiram não conseguem fazer nada! Teremos de ser nós, sociedade civilizada, a fazê-lo, mas também distinguindo os artistas de verdade, das muitas imitações que apenas exibem os tiques e não produzem arte!
Saudações artísticas cá da Cidade Morena em estado de emergência!
Perdão, queria dizer "Com urgência!" e não "emergência" ... deixei-me levar pela onda do momento!
EliminarInfelizmente, a realidade em Portugal é esta: https://www.publico.pt/2020/04/02/culturaipsilon/noticia/covid19-venda-livros-caiu-658-apel-antecipa-fim-livrarias-1910741/amp
ResponderEliminar“Adeus, futuro”
Infelizmente, a realidade em Portugal é esta: https://www.publico.pt/2020/04/02/culturaipsilon/noticia/covid19-venda-livros-caiu-658-apel-antecipa-fim-livrarias-1910741/amp
ResponderEliminar“Adeus, futuro”
Um abraço, Rosário.
Guilherme Henriques
Sim, é horrível.
EliminarSim, como passaríamos um mês (ou mais) dentro de casa sem livros.
ResponderEliminar-sem livros-
É preciso descer à terra.
Admito que em 30% das casas portuguesas haja livros (para decoração, agora menos porque já não há CLeitores).
Sem qualquer exagero mais uma vez digo que é minha convicção (e experiência) 90% dos portugueses não lêem um livro por ano, já para não dizer que nunca na vida leram um livro.
Esta é a (minha) verdade nua e crua.
Ler dá trabalho, muito trabalho. "Vou ver à Internet" é muito mais fácil.
A maior parte nem "vão ver" à internet, vão é sacar, se for o caso de necessidade ou obrigação. Acredito que haja mais casas "sem" livros do que as que têm, pelo menos, "cem" livros. Nalgumas, com o correr do tempo, nem o livro de cheques ou o dos endereços e telefones.
EliminarConcordo que haja salas onde repousam anos a fio os livros do CL, vistosos e encadernados, sem nunca serem sequer abertos; fazem parte do móvel, são um complemento da mobília, é como se substituíssem uma pedra de armas, tanto monta que estejam impressos como se tivessem entre as capas um taco de madeira. Um ou outro, talvez até a servir de suporte a um armário paralítico, em benefício da horizontal do dito. Quando muito - e até isso será raro - talvez libertos dos ácaros que ali estabeleceram residência, e não por quarentena.
É evidente que os escritores estão de fora desta equação. Não estou a ver as editoras a subdividirem os seus autores.
ResponderEliminarSobre o uso indevido de livros recordo-me de um episódio que me chocou e se passou no restaurante do Hotel da Estrela, onde se come divinamente, passe este triste evento: os senhores que gerem o restaurante do dito Hotel, lembraram-se de usar livros antigos para servir de base para as iguarias aí servidas. Um espaço tão bonito, que serve de residência à Escola de Hotelaria de Lisboa, merecia outra gestão.
ResponderEliminarOs artistas são os nossos grandes aliados.Sem eles,estes tempos de “pasmaceira”seriam ainda mais insuportáveis.Durante estes longos dias tenho lido bons livros,ouvido ótima música e visto vários programas de arte e museus na televisão e na internet.Sinto muito a falta do teatro e do cinema,que só ao vivo são verdadeiramente mágicos,mas vai-se remediando de outras formas.
ResponderEliminarJá agora,li há pouco tempo “Atrás da porta e outras histórias”de Teolinda Gersao e valeu bem a pena.
Obg artistas.Espero que finalmente sejam reconhecidos e que continuem a lembrar-se de nós