Vendas de livros
No Reino Unido, com a situação de confinamento provocada pelo Coronavírus, as vendas de livros dispararam. Nada melhor para enriquecer o espírito, aprender, desenvolver capacidades e passar bem o tempo. Os britânicos já sabem disso há muito (já tiveram 86% de pessoas que compravam e liam livros regularmente); mas em Portugal não sabemos ainda o que vai acontecer, até porque passámos do analfabetismo real ao funcional num abrir e fechar de olhos e nunca conseguimos formar uma população francamente leitora. Ainda assim, tenho recebido imensos e-mails e mensagens com iniciativas e actividades em redor da leitura, da escrita e dos escritores que podemos acompanhar de casa. E achei especialmente graça a uma delas: a criação de um clube de leitura da Josefinas, uma boa marca nacional de sabrinas (e outros sapatos). Chama-se Josefina's Book Club e pode ser acompanhado no Instagram da marca. Foi criado sob o signo de Malala Yousafzai: «Um professor, uma criança, um livro, uma caneta, pode mudar o mundo.» Mesmo sem fazer parte do clube, hoje aconselho, por sugestão de um Extraordinário, a leitura de A Lição de Anatomia, de Philip Roth. Humor não lhe falta e precisamos dele nestes dias.
Dele li O Complexo de Portnoy, gostei.
ResponderEliminarTambém "Pastoral Americana", de tom mais sombrio, excelente.
ResponderEliminarPHILIP ROTH-grande escritor.
Eliminar"INDIGNAÇÃO"-imperdível!
Comprar livros é diferente de os ler e em Portugal se 1% da população ler já estou a ser optimista, (lá estou eu a bater na mesma tecla, mas esta é a realidade).
ResponderEliminarEis um exemplo do que melhor ilustrará o que acabo de dizer: comprei num alfarrabista uma colecção de 44 livros (Clássicos Contemporâneos da Planeta-Nova) e todos, mas todos, ainda dentro do celofane, o que naturalmente significará que nunca foram lidos!
E é comum ver, em alfarrabistas, nomeadamente em feiras de rua, colecções inteiras (daquelas do Círculo de Leitores) de Eça, Aquilino, Camilo, etc. igualmente ainda dentro do celofane.
Desculpem-me a crueza e não me levem a mal a palavra que vou usar, mas estas iniciativas são conversas da treta, isto é para quem lê e não para arregimentar novos leitores; iniciativas que, note-se, não desprezo, pelo contrário.
Pés no chão, meus amigos, embora se possa continuar a sonhar.
Ainda sobre os 99% de NÃO leitores portugueses, referidos na minha intervenção anterior: quando vejo na televisão indivíduos licenciados (a primeira coisa que dizem antes do nome é que são doutores, engenheiros, mestrados etc), não conhecerem minimamente o nome da personagem feminina principal do "Memorial do Convento", nem conhecerem Aquilino, creio que estará confirmada a minha convicção.
ResponderEliminarTem absoluta razão, todos os estudos da UE dizem que Portugal neste domínio da leitura, está na cauda da Europa, mesmo atrás da Espanha e da Grécia.
EliminarNão estou nada de acordo que se tenha passado do analfabetismo real ao funcional.
ResponderEliminarHoje há um universo que não havia no passado. O que há é um desconhecimento profundo de um universo novo, de uma "funcionalidade" que nos remete para um mundo diferente, mais diverso, mais abrangente, universal, baseado num conhecimento distinto e não focado.
O conhecimento da realidade só é perceptível na percepção de que não nos devemos arrastar no passado. Que o nosso futuro terá de ser enganchado no presente, sem o que tudo o mais será de um fatalismo que nem o próprio termo "saudade" salvará.
Que intenso fervor e labor eu vejo fervilhar nas universidades, num futuro rejuvenescido em que me revejo, mesmo que só essas saudades do futuro me possam comprometer.
Quem vive no passado jamais poderá resgatar o futuro.
Ah, os amanhãs que cantam!!!!!!
EliminarParabéns! Tanto disparate junto em tão poucas linhas é sempre de destacar, é obra!
EliminarQuem despreza as suas raízes não sabe onde põe os pés.
Caro D. João de Portugal.
EliminarRespondo-lhe como Madalena a um pobre velho peregrino: «Não façais juízos temerários, bom romeiro!»
Pois eu acho que sem passado não há futuro. Só há presente. No presente só se pensa no futuro, fazendo-o com os instrumentos do passado.
ResponderEliminarE acha muito bem, AmaLivros, não há presente sem passado, nem futuro sem presente. Ou como titulei em 2014, «O Futuro É Passado No Presente.»
EliminarEu, por mim, acreditarei sempre nos livros e no futuro: de quem os lê e de quem os escreve.
ResponderEliminarAproveito este espaço para divulgar uma iniciativa, na minha opinião excelente, de seu nome "Bode inspiratório" em que 40 escritores vão publicar, diariamente um novo capítulo de uma história que começa com Mário de Carvalho e termina, no final de abril, com Luísa Costa Gomes, estando a coordenação ao cargo de Ana Margarida de Carvalho.
Vão publicar diariamente, onde?
Eliminarhttps://www.facebook.com/Bode-Inspirat%C3%B3rio-111442813817248/
Eliminarou
https://www.entre-vistas.pt/
já saíram 3 capítulos:
Eliminarcapítulo 1 - Mário de Carvalho;
capítulo 2 - Inês Pedrosa;
capítulo 3 - Ana Cristina Silva.
Aqui:
Eliminarhttps://www.facebook.com/Bode-Inspirat%C3%B3rio-111442813817248/
É curioso e bonito, mas não deixa de ser triste ao mesmo tempo que o mundo precise de uma pandemia para voltar a ler um livro.
ResponderEliminarDe Philip Roth li vários livros e o único de que verdadeiramente gostei foi “A pastoral americana”.Os outros(“A mancha humana”,”A conspiração contra a América”,”O complexo de Portnoy”)não me encantaram particularmente.Achei-os demasiado “americanos”e “judeus”.
ResponderEliminarPor esse motivo,gostei da sugestão da nossa anfitriã,que despertou a minha curiosidade pelo livro que aconselhou.Fui consultar as referências e parece-me que se trata de uma obra a não perder.Obg e continue.
Adoro Philip Roth. E, nos dias que vivemos, um livro é sem dúvida uma das melhores companhias que podemos ter, pena que tão poucos portugueses assim o entendam.
ResponderEliminareu já era um leitor, todos os dias leio, mas era uma coisa agradável se a autora deste blog fosse dando ideias de leitura sempre que escreve uma crónica mesmo que o tema seja outro eu por mim deixo aqui uma sugestão de um autor que gosto muito Jaume Cabré 'eu confesso'.
ResponderEliminarHenrique Cheira
Pode ser que a partir de agora possamos sempre ter em mente que "um dia sem ler é um dia perdido!"
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