Teletrabalho

Há muita gente que, estando a trabalhar em empresas, desejaria ardentemente trabalhar a partir de casa. Pois eu sou o contrário: como preciso de trabalhar em casa por motivos pessoais (uma crónica semanal, este blogue, etc.), se trabalho em casa para a LeYa é certo e sabido que depois já não me apetece trabalhar para mim, porque deixa de haver um corte, de horário e de lugar. Além disso, agora tenho de fazer almoço, e eu detesto cozinhar. O meu irmão, que é professor universitário, diz também que lhe é muito mais difícil ensinar pela Internet do que dar as aulas presencialmente. E com os professores do Secundário e do Básico imagino que aconteça o mesmo, ou seja ainda pior, apesar de os principais editores escolares terem aberto de forma gratuita as suas plataformas para os ajudarem. (Pelo menos, não aturam a má-criação.) Tenho dificuldade em perceber o que acontecerá mais para a frente, se a reclusão se prolongar, inclusivamente porque conheço alguns efeitos secundários do isolamento social e não são bons. E mesmo ler, que podia resultar bem em ambiente doméstico, agora não funciona: ora porque estamos sempre a receber emails e whatsapps da empresa (temos de comunicar de alguma maneira), ora porque com o computador ligado estamos atentos a todos os alertas do vírus, ora porque a situação é muito grave e não conseguimos concentrar-nos. Pode parecer uma parvoíce, mas não é que tenho saudades de ir para o emprego...?

Comentários

  1. Sou tradutora e sinto a mesma dificuldade. Costumava sair para a biblioteca. A concentração está difícil. Agora estou em casa a trabalhar com uma criança de menos de 3 anos, que precisa de ir ao parque infantil. As notícias não descansam e tenho pena das grávidas em fim de termo, os idosos mais isolados. Todos temos dificuldades. Força e coragem para todos!

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  2. Bom dia Maria do Rosário, como eu a entendo. Sou um dos muitos professores que se encontra em "reclusão", a orientar o trabalho de dezenas e dezenas de alunos, em cinco níveis de ensino diferentes, está a ser um desafio e peras. São horas e horas infindáveis de trabalho. Que matemos o "bicho" depressa, antes que ele dê cabo de nós. Um abraço
    Vítor Fontes

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  3. Com o vírus ou sem o dito (que o Diabo o leve e o ponha nas brasas), tenho um trabalho para entregar até ao final do mês, em texto e desenho (BD). Atrasei devido a outros compromissos, teria de qualquer forma compensar o minguado calendário para conclusão.
    Isto significa que teria de ter uma quarentena caseira, a dar "o litro" desde manhã até à noite bem noite, o que agora faço em razão duplicada. A única diferença é que, se ganho em conseguir resolver a obra em menos uma semana que o previsto, perco em convívio e ar puro.
    Para além disso, o "WhatsApp" está continuamente a badalar, e-mail idem, assim como o "messenger" e demais contactos. De vez em quando, como agora, para não entrar em parafuso e a coisa correr como julgo melhor ser, vir até aqui dizer alguma coisa, sem correr o risco de contagiar e ser contagiado.
    A minha questão é esta: o pessoal da gráfica, os editores e parceiros, estarão também prontos ou em condições de continuar no respeito pela data de lançamento?

    Boas quarentenas desde o Planalto, a 800 metros de altitude (mais 770 do que Wuhan na China) e o desejo para que o vírus desapareça quanto antes e seja passado pela frigideira de Belzebú.

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  4. Pois comigo passa-se exatamente ao contrário, claro que uma coisa é teletrabalho outra é reclusão sem dever ou poder sair. O teletrabalho não pode ser retenção.
    Há muito tempo que ansiava por desempenhar como técnico da administração regional o meu trabalho a partir de casa, até porque me vem preocupando a situação de minha mãe idosa, 85 anos, que quando precisar de uma companhia, entre em crise de ansiedade não tem ninguém por perto pelo facto de estar no serviço.
    Assim, acabei agora de despachar algo pendente e sei que ela está ali na sala lendo ou vendo TV e se precisar sabe que estou aqui sem ânsias.
    Claro que numa situação normal teria de ir pontualmente ao serviço, nem tudo está digitalizado e o intercâmbio presencial entre colegas também é necessário. Espero que no futuro haja maior confiança em teletrabalho se de preferência por parte do trabalhador e do tipo de serviço que presta, até porque muitos outros problemas sociais também se podem resolver assim.

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  5. António Luiz Pacheco18 de março de 2020 às 04:21

    A alteração das rotinas de trabalho, enfim, de quaisquer rotinas, são perturbadoras pois o homem é um animal de hábitos!
    Somos todos..
    Eu, tenho alternado os trabalhos rotineiros com os sem rotina, e posso dizer que há já bastantes anos que não conheço rotina, que trabalho a partir de casa, e, sou incapaz de trabalhar no chamado "open space", tenho de ter um gabinete e de me isolar, concentrar.
    A quem agora trabalhe a partir de casa, percebo que lhe faça confusão e mais porque terão por perto os elementos perturbadores crianças ou adolescentes, a quem manter em casa e quietos, sossegados, tranquilos, entretidos é impossível! Ou quase… depois é o almoço, é a lida da casa…
    - Uma piada a propósito: A minha empregada doméstica, avisou-me que, pela quarentena vai trabalhar a partir de casa! Já me enviou uma mensagem com as instrucções de tudo o que devo fazer… eheheh! Achei esta muito engaçada!
    A minha mulher, as filhas que fosse para casa delas, para não estar sozinha lá no casarão da quinta. Ela recusou, pois tem as suas caminhadas e actividades diárias ao ar livre, que num prédio não pode fazer! Ali, no nosso espaço, pode andar na rua o que quiser!
    De qualquer modo penso que o principal efeito secundário desta pandemia, vão ser ou as depressões dos que não se aguentam em casa, ou, a descoberta de como pode, ocupar o tempo, e espero sinceramente que a leitura dê uma boa ajuda, que seja essa a grande descoberta.
    Desde casa, como habitualmente e a enviar o relatório da minha ida ao Lubango (10 horas no total, ir e vir, de viagem debaixo de chuva intensa, por estradas em péssimo estado com pontes caídas) ontem, por via de um projecto de matadouro e salsicharia que alguém quer construir lá. Não, da rotina é que não me queixo… caída a ponte do rio Chongorói, tive de sair da estrada e procurar a montante em zona elevada, um vau para atravessar, debaixo de água e por troços lamacentos, à ida e vinda! Uma viagem assim é tudo menos rotina…

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  6. Como eu a compreendo bem, Maria do Rosário!!!

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  7. Escrevia eu, há quatro dias, no Delito de Opinião:

    «como é difícil ter de prescindir da nossa vida quotidiana. Como é difícil prescindir dos nossos habituais contactos sociais, dos nossos encontros de família, das nossas idas ao restaurante, ou à discoteca, ou ao ginásio, ou a eventos, sejam musicais, sejam jogos de futebol; e, sim, até nos custa prescindir das nossas idas ao trabalho, que tantas vezes amaldiçoamos».

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    1. António Luiz Pacheco18 de março de 2020 às 06:44

      Não é fácil, não… mas, vejamos de forma pragmática:
      (Falo da minha pessoa não porque seja o centro do Mundo ou um case study, mas apenas para dar exemplo do que digo)
      Quando fui estudar para Évora, em 1976, havia telefone e TV, mas viajava de camioneta… mudei tanta coisa na minha então pequena vida…
      Quando fui trabalhar em Angola, em 1984, como mergulhador na Bouygues Offshore, deu-se uma outra mudança, apesar de só ter durado um ano… mas não era o que queria, por isso:
      Quando fui trabalhar para o Pingo Doce, já com 31 anos e me casei nessa época, montei casa e iniciei uma vida nova… mudei tanta, mas tanta coisa na minha vida, a começar pelos horários, pois começava a trabalhar nos mercados abastecedores pelas 3.30 da manhã…
      Quando me divorciei e regressei à minha casa a Santarém, mudei tanta mas tanta coisa…
      Quando saí do JM voltou a mudar tanta coisa… voltei à agricultura, depois tive um negócio de importação e distribuição de peixe pelo meio… regressei ao mercado (Docapesca) e às madrugadas…
      Quando tudo correu mal e aos 55 anos me mudei para Angola, onde ainda estou, tanta mas tanta coisa mudou…
      Amigos, hábitos, hobies, vida familiar, os meus cães…

      Pensem lá bem nas vossas vidas, pensem um pouco…
      Mudança de hábitos? Mas isso faz medo a alguém?
      A Cristina quando emigrou para a Alemanha, não sofreu uma mudança muitíssimo maior do que esta agora? Veja lá bem, e dar-me-á razão.

      A vida é feita de mudança, temos de o entender, aceitar e, aproveitar!
      Pode mudar por várias ordens de razões, estas agora são algo dramáticas, mas serão mesmo assim tão graves, profundas e sobretudo: preocupantes?

      Saudações tranquilas cá da Cidade Morena, para todos, uma vez que o abraço virtual pode dar-se!

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  8. Talvez no emprego trabalhe menos... Deve ser isso.

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  9. Estou a sentir o mesmo. Fazem-me falta as pessoas e um horário, mesmo que seja flexível como é o meu caso.

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  10. Boa noite com Covid 19, perdão, com alegria

    O homem é um animal de hábitos. Como tal habitua-se.

    Ao Corona, ao trabalho remoto, a tudo e a um par de botas.

    O messenger e o whatsapp desliga-se se incomoda. A TV, essa, está desligada há anos. Só para filmes.

    Boas leituras
    cp

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