O vírus e a leitura

O Covid-19 está a tomar conta das nossas vidas: eu, por exemplo, já cancelei duas viagens. Uma delas dizia respeito ao Dia da Poesia e acontecia em Roma. Logo a seguir a ter anulado a minha participação, a organização do evento decidiu adiá-lo para o Outono (se no Outono já se tiverem livrado da pequena besta). A outra seria em final de Abril, mas não me apetece neste momento meter-me em aviões e correr o risco, não só de apanhar a doença com alguém, mas de, não a apanhando, ter de ficar de quarentena longe de casa. Como eu, há muitos, e isso chama-se bom senso. Mas também já existe muita gente que não vai a centros comerciais, ginásios, clínicas onde haja salas de espera com muitos pacientes (conheço uma pessoa que anulou a fisioterapia e outra, o dentista). O isolamento social está indicado por precaução, claro (embora tenha aqui um artigo na gaveta que diz que, em ratinhos, está provado que o isolamento social os torna muito mais agressivos); porém, se não for longo demais, além de evitar que o víus se espalhe, é uma boa oportunidade para ler. Será que é desta que vai recuperar o mercado editorial e livreiro com tanta gente fechada em casa? Haverá mesmo males que vêm por bem....?

Comentários

  1. a pequena besta infelizmente está a tornar-se gigante; mas se Deus quiser , tudo isto passará..; por acaso olhei para uma pequena pilha de livros que queria tanto ler e lembrei-me no fim do semana iria " isolar-me" em casa ou no monte: não sei se isto irá influenciar muito o mercado livreiro, mas talvez ligeiramente, porque não há melhor do que ler para nos distrair da realidade que neste momento é preocupante.

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  2. António Luiz Pacheco12 de março de 2020 às 02:55

    A malta fecha-se em casa, mas a ver TV… é doentio pois ao que me dizem daí, as televisões só dão ao minuto notícias sobre o assunto que é esmiuçado e mastigado, digerido à mais ínfima partícula. Portanto, pode ser que se cansem da TV … apesar de haver canais a passar filmes, que são sempre os mesmos em rotação, e talvez a malta agora se aperceba e canse disso!
    Esperemos portanto que se virem para a leitura… e assim se cumpra o, há males que vêm por bem!
    Ao que parece esgota-se o papel higiénico… será ainda o triunfo do papel, até porque os muitos que lêem os jornais em versão digital, não terão assim substituto, eheheh!

    Saudações palúdicas de um isolado em casa, infelizmente com muito poucos livros… já só tenho um por ler!

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    1. Como muito bem salienta o extraordinário Paxeco, a malta senta-se em casa a ver TV. Ouvi esta manhã na Antena Um, no programa "O AMOR É", do Doutor Júlio Machado Vaz e Inês Meneses, a Inês a dizer que a muita gente já ouviu dizer "eu nunca li um livro", e não estamos a falar propriamente de gente iletrada nem sequer inculta que habitualmente convive com qualquer um.
      LER? ó meus amigos mas será que ainda não tomaram consciência que, se 5% da população portuguesa ler livros, deverá ser muito!
      E cada vez serão menos, acreditem.

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  3. Era bom, mas acho que não, Rosário.

    Vai ser mais televisão. :)

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  4. Infelizmente acho que este vírus irá ter alguns efeitos positivos outros negativos: positivo o facto de mostrar a todos os Homens, independentemente do estatuto que (julgam) alcançaram na sociedade, a relatividade da sua condição. Sendo um "vírus democrático" poderá ter um efeito positivo nas prioridades do ser humano, fazendo-lhe ver que temos todos de mudar de vida, seja na relação entre nós, seja na relação com a natureza.
    No imediato acontecerá entretanto aquilo que já está a acontecer: a percepção para muitos de que a economia poderá funcionar num certo distanciamento social, com os instrumentos actuais que temos à mão.

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    1. É precisamente isso que, a curto ou a médio prazo, se deve promover, Pedro Sande. É a parte positiva, dentro da que é negativa, de uma crise deste género. A tecnologia pode e deve, em circunstâncias de crise, impedir que se cause rombo na economia e na sociedade. Este é o desafio.
      Decerto haverá quem não aceite que uma comunicação digital possa ser mais oficial que a do papelinho com o carimbo e selo branco; ou ainda que não seja mensurável e mais profícuo o trabalho que se realize no espaço casa ou em ambiente "open space" do escritório.

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  5. António Luiz Pacheco12 de março de 2020 às 06:49

    Há bons livros inspirados em temas como este… procurem-nos! É um desafio interessante para quem esteja confinado em casa…
    Fica a sugestão, depois pode haver a oportunidade de os ler!!!!
    Afinal é o que nos importa, aqui.

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    1. António Luiz Pacheco12 de março de 2020 às 06:54

      Já andei a ver por aí, alguém teve a mesma idéia e se adiantou:
      https://www.revistabula.com/29666-10-livros-sobre-pandemias-em-tempos-de-coronavirus/

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  6. A Rosário parte do pressuposto - que seria o mais lógico - de ver gente retida em casa. Não é isso que acontece. Proponham isso ao tuga despreocupado ou ao governo de liderança optimista, que levarão um puxado e repuxado manguito à Zé Povinho.
    Se fecham as escolas, há uns otários que seguem para a praia, outros que não se privam dos espaços comerciais para passear e laurear a pevide, ainda outros que vão até ao café darem à língua e soltarem os gafanhotos conspurcados. A este pessoal, se se aconselha a ler um livro, receber-se-á como desculpa: tenho de ir comprá-lo a uma livraria, onde pode haver alguém com o Covid; ou tenho de ler algum livro que esteja já contaminado(!).
    Quando se vê pessoas com máscaras verdes e brancas a baixarem-nas para beijar o próximo, pergunto eu se o problema está apenas no vírus, que tem estes agentes como seus colaboradores.
    Para muitos portugueses, a quarentena é levada "à letra", mexendo no tempo: aguentam durante quarenta minutos, se possível a fazerem zapping no sofá da sala até se fartarem de tédio. Logo após, saem disparados porta fora e seguem para uma possível colheita do dito Covid para depois semearem.
    Adeus Presente e mais fé no Futuro.

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  7. TUGAS-mas querem melhor alcunha para esta gente que, como se viu ontem, as pessoas dispensadas dos seus afazeres para irem para casa de quarentena e estas enchem as praias e os centros comerciais? Tugas, Tugas nem haveria alcunha mais adequada para esta gente!
    Ler? Assentem os pés no chão, porque 99% são TUGAS, nem somar 2+2 (vamos à Internet)!!!!!

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  8. Se o vírus da leitura ganhar algum terreno ao vírus corona será uma grande vitória.

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    1. António Luiz Pacheco12 de março de 2020 às 08:49

      Libervírus?
      Uma doença benigna, a Hermínia chamava-lhe a "doença da Franciscoa" , quando me via em miúdo horas a fio, sentado a ler!

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  9. Boa noite com alegria

    Não há mal que não acabe, não há bem que sempre dure.

    E há males que vêm por bem.

    Ora, assim sendo, resta ver o lado positivo da pandemia e esperar que ela passe, fazendo todos a nossa parte.

    Ler mais, ora aí está um aspecto positivo.

    Outro, inegável, o impacto ambiental, com a economia a abrandar.

    A contribuição que o COVID representa para a reforma da Segurança Social, via desnatação por morte de idosos.

    A hipótese de Trump e Bolsoaro sucumbirem ao virús.

    Enfim, são tempos interessantes de observar.

    E matéria prima para futuros livros

    Boas leituras, boa quarentena
    cp

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