O que ando a ler
Embora o tempo tenha andado soalheiro, leio Chuva Miúda, de Luis Landero, um romance de um autor já veterano, mas de quem ainda nunca tinha «experimentado» um livro. Disseram-me que este que leio foi eleito o melhor de 2019 em toda a Espanha, mas nem foi por isso que fui lê-lo a correr: a verdade é que o argumento me interessava. Gosto de romances em que se conta a mesma história de uma série de perspectivas, e este é exactamente assim. Aurora (a pobre Aurora) é a ouvinte dos desabafos, memórias e vivências de Sonia e Andrea, suas cunhadas, e de vez em quando, embora menos, também da sogra e até do marido. E, quando o assunto muda de boca, a verdade é que a culpa, o ressentimento, a mentira, recaem num membro da família que não era o acusado quando esse mesmo episódio fora contado por outra personagem. E isso leva Aurora a tentar perceber quem diz a verdade e quem exagera ou inventa e, por outro lado, a compreender como é realmente o homem com quem está casada e que, afinal, talvez nem conheça. Há decerto que chegar ao fim para descobrir o fundamental, mas ainda me faltam umas cinquenta páginas... A ler, a ler.
Já li e apesar de bem escrito e estruturado, estava à espera de mais.
ResponderEliminarAinda não li, mas é o livro recomendado para o Clube de Leitura de que faço parte para este mês. Acabei de ler Jezabel da Irène Nèmirovski no âmbito do mesmo clube.Na não ficção li A Primeira Viagem em Redor do Mundo do Pigafetta. Estou a ler Uma Família Inglesa de Júlio Dinis de quem nunca li nada. Na Universidade sénior andamos a ler A Sibila da Agustina.
ResponderEliminarAcabei de ler "O Diabo foi Meu Padeiro", de Mário Lúcio Sousa. Mesmo estando longe de ser um excelente romance (a nível literário), a história esta muito bem contada, com o narrador (são mais que um...) presente, a vestir a pele de prisioneiro. É por isso que digo: "Grande Livro!".
ResponderEliminarVou lendo a obra poética da Sophia (já li quase tudo...), comecei a ler Valter Hugo Mãe ("o remorso de baltazar serapião") e estou com pouca vontade de continuar...
"LIVRARIAS" de Jorge Carrión.
ResponderEliminarUma viagem pelas livrarias (eventualmente) mais famosas de todo o mundo, onde se incluem a nossa Lello, que foi considerada por Enrique Vila-Matas a mais bonita do mundo.
E a nossa Bertrand do Chiado considerada pelo Guiness a mais antiga do mundo.
Um misto de ensaio e livro de viagens que gorou ligeiramente as minhas expectativas que, pelo tema abordado (livros), eram muitas.
Ficou efectivamente aquém do que esperava deste livro pois parece-me que muitas mais histórias interessantes certamente poderão advir do assunto.
Também li o " Livrarias " já há algum tempo e fiquei com a mesma opinião do Sev, no entanto gostei de o ler.
EliminarSublinhei alguns lugares com as suas livrarias, quem sabe algum dia passe por lá.
Acabei de ler " Uma vida à sua frente " de Émile Ajar.
Absolutamente comprado por impulso.
Há medida que ia lendo a memória ia evocando o " Meu pé de laranja Lima".
Talvez por serem livros que se alojam no lado esquerdo do peito, e não entopem as artérias.
E é claro o Romain Gary foi genial a iludir o Goncourt.
O "Diário de Oaxaca", de Oliver Sacks foi uma desilusão para quem tinha gostado d'O Homem que Confundia a Mulher com o Chapéu.
ResponderEliminarNunca digas, não lerei este livro… mas palpita-me que não vou ler, justamente pelo tema… mas é como tudo, há livros para todos os gostos, graças a... S. Guttenberg?
ResponderEliminarPela minha parte, acabei o Extraordinário e Excelente Torto Arado! Que grande livro!
Lá está… para mim, pode não ser para outros, mas mereceu o Prémio Leya inteiramente, digo eu sem saber que outras obras estavam a concurso, mas esta é muito boa!
Além de tudo o mais permitiu-me entrar num novo Mundo que não conhecia, pela mão de quem obviamente o conhece muito bem. Fico grato de haver quem sabe destas coisas e assim as divulga e mantém vivas as memórias das gentes. Fico grato por haver quem escreva assim e fico grato por poder livros assim!
Obrigado Itamar! Já lhe mandei os parabéns por outra via.
Ando a ler: Percy Freudenthal - Picadas de um matumbo angolano, uma biografia organizada e publicada por Leonor Vaz Pinto.
Aqui há uns dois anos, a mesma escritora e jornalista havia tratado da biografia de João Freudenthal, da Prússia a Luanda, uma história verídica desta família onde tenho vários amigos e até colegas, fugidos ao nazismo. A minha amiga Joana Freudenthal enviou-me o livro sobre o pai. Agora foi o meu colega Pedro Freudenthal, amigo e camarada da pesca que me trouxe estoutro do seu pai, e me o ofereceu no feriado do Carnaval.
Gosto muito de biografias, e esta é das que vale a pena e sobretudo é extremamente oportuna, muita gente deveria ler, sobretudo os políticos e os que querem reescrever a história, sobre a descolonização e o racismo de sinal contrário, pois esquecem que os "pretos" também são e exercem racismo o tribalismo!
Percy Freudenthal, foi um militante pela independência de Angola, esteve preso pela PIDE, depois participou no processo de independência pelo MPLA, foi fundador da Sonangol, e por ser branco e oriundo de famílias ricas, acabou por ser obrigado a sair de Angola, tal como outros camaradas desse tempo, entre os quais o seu amigo e autor do prólogo, Pepetela, que também se exilou em Portugal!
Ele conta com o saber de quem o viveu, o que foi a independência, a sangria de quadros e o assalto ao poder e às riquezas por uma pseudoelite sem preparação, que deixaram Angola como está… devia ser divulgado e lido! Sobretudo nesta altura!
Vale mesmo a pena ler! E pensar, perceber porque as coisas estão como estão hoje, e quão vagas e falsas ou hipócritas são as considerações dos tais "historiadores" , dos analistas e comentadeiros e sobretudo dos que batem no peito e dizem que nós é que somos racistas!
Boas leituras, sãos meus votos cá desde a Cidade Morena, onde fui hoje ao SME buscar o meu passaporte com o renovado visto de trabalho, sempre bem tratado e apoiado pelos agentes, o que lhes valeu uma carta de louvor, pois o que mais fazem pelas relações entre os nossos povos irmãos, são estes detalhes. Coisa que os senhores ministros e corpo diplomático ignoram… alegremente e lá do alto da sua omnipotência e sapiência!
Caro António Luiz Pacheco, espero que se encontre bem. Sou leitora assídua do blogue (das que, por timidez, ficam a espreitar pelo buraco da fechadura 😊). Trabalho numa livraria e, curiosamente, hoje um cliente questionou-me como podia adquirir o livro "Picadas de um Matumbo Angolano". Não tenho redes sociais e está a ser difícil encontrar uma solução para ajudar o senhor a adquirir o livro. Sabe dizer-me?
EliminarObrigada!
A terminar o "the sense of an ending" do Barnes, de que estou a gostar menos do que esperava. Demasiado monocórdico, talvez...
ResponderEliminarEste romance é maravilhoso porque apanha o l air du temps.
ResponderEliminarPor causa dele regressei a este autor de quem tenho agora todos os livros.
Tinha lido hoy jupiter, o guitarrista e o absolutamente visionario Jogos da Idade Tardia publicado nos anos 90 na dom quixote por Manuel Alberto Valente.
Acrescentecse ainda que o luis landero é ima pessoa de muito bom trato, modesto e de uma simplicidade desarmante. Tem a noção que é um vulcão em termos de literatura. Escreve com minucia e paixao
Quando soube que a sua obra ia de novo voltar as livrarias portuguesas apeteceu me beijar as bochecha do manuel alberto valente. Como ele nao as tem, foi um bacalhau, um abraco e
umbenorme bem haja.q