O quarentão

Um dos Extraordinários (perdoe-me sinceramente não referir o seu nome, mas já não sei em que post pôs o seu comentário) lembrou, e bem, que o JL, Jornal de Letras, Artes e Ideias, fez 40 anos e eu nem uma palavrinha escrevera sobre o assunto. Diabo, realmente foi um esquecmento imperdoável e uma grande injustiça. Comprei o primeiro número do JL, andava ainda na faculdade, descobrindo que um dos meus professores favoritos (Mário Jorge Torres Silva) escrevia no semanário (na altura era semanário) sobre cinema. Porém, outro dos meus professores da altura chamou-lhe A Bola da literatura e aconselhou-nos a ler, em vez dele, coisas mais académicas. As opiniões, enfim, dividiram-se sempre, mas o que é certo é que nunca apareceu outro jornal de livros, exposições, música, etc., que circulasse por toda a lusofonia, que resistisse 40 anos e que, com recursos mínimos, conseguisse fazer mais pela literatura e as outras artes portuguesas do que muitos outros meios de comunicação. Parabéns, quarentão. Continua assim. Deixo-vos um link com capas dos 40 anos:


https://visao.sapo.pt/jornaldeletras/2020-03-11-jl-40-anos-40-capas/#&gid=0&pid=1


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco19 de março de 2020 às 01:35

    Interessante, e um pouco de história da cultura.
    Confesso que nunca li o JL, por desatenção, porque nunca calhou… mas esta é uma efeméride relevante sim, e até pode dar um bom tema de converseta!
    Reparem em como logo dividiu opiniões, e para um académico não passava d' "A Bola" da literatura… quais as razões? Seria interessante analisar o porquê desse desdém.
    Talvez porque para muitos ainda há literatura de 1ª, de 2ª e até de 3ª … e talvez até haja, sim, mas é apenas uma prova daquilo que eu digo ser a maior maravilha da humanidade: a diversidade do pensamento… e da escrita pois claro, como expressão deste.
    Classificar não significa desprezar, mero pragmatismo e respeito pela diferença que tanto se apregoa, hoje se exige, mas depois não se pratica.

    Saudações saudáveis, cá da Cidade Morena, num país isolado e de onde já não se pode sair… nem entrar!

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    1. Ó Paxeco, o tal académico não passava certamente de um grande ignorante (ou pensas que não os há?), pois o trisemanário (naquele tempo) A BOLA, era um grande jornal, ouso até dizer, um marco cultural, era até chamado de A BÍBLIA.

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  2. Sou leitor assíduo do JL, ainda tenho o 1º número, também gostava do Suplemento Literário do Diário de Lisboa que saía ás quintas-feiras, coordenado pelo Victor Silva Tavares; a revista LER também faz parte das minhas leituras sazonais. Além destas consulto a LIRE e o Magazine Littéraire.

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    1. Esqueci-me do Babelia, suplemento cultural do EL País, muito bom.

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    2. Mas a LER está muito fraquinha.

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    3. É o que temos e são só 4 números por ano...

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    4. António Luiz Pacheco19 de março de 2020 às 07:48

      Se calhar espelha o panorama literário nacional actual… será?
      Há muitos autores, celebrados com ou sem justiça, isso não sei… mas sei que de um modo geral, o panorama actual não me entusiasma, não estou a ler nem a ver Grandes Autores nem Grandes Obras! Estarei a ser injusto, pois não leio tudo o que sai à estampa, mas a maioria dos autores nacionais não me atraem, não pela qualidade da escrita, mas pelos temas - falo do romance! Tenho lido publicações de autores nacionais no campo do ensaio, da biografia, que me agradam muito, mas no campo do romance, lá aparece um aqui e outro ali que leio com agrado mas sem ser Aquela Obra… continuo a ir para os americanos (N e S americanos, sempre em alta).
      Abraço à distância, como é conveniente e aconselhável, ó Severino!

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  3. Depois de ter sido intitulado como extraordinário, perdoo seguramente. O importante é não esquecer esta ilha que vai resistindo, discretamente, aos oceanos de ignorância, que vão lavando as nossas inteligências, cada vez mais frágeis.

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  4. Houve, sem dúvida, um tempo em que o Jornal de Letras, Artes e Ideias era uma publicação muito interessante e até bastante útil. Porém, desde que decidiu - ou, mais correctamente, o seu fundador-direCtor-ditador decidiu - submeter-se ao AO90, mais não é do que um reles pasquim. O mesmo se pode dizer, aliás, d'A Bola.

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    1. Não estou a defender o JL nem a LER, mas tem alternativa? Perante o panorama actual?

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    2. "submeter-se ao AO90, mais não é do que um reles pasquim."
      Ser dogmático é ser imbecil, isso sim é ser reles...
      Leitor do único órgão informativo de cultura em geral.
      Bernardo B.

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  5. É sempre mais fácil destruir do que construir, é sempre mais fácil caluniar do que elogiar...sim, não conheço as alternativas ao JL.

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  6. Fui fiel leitora do JL durante talvez 30 anos, depois fui comprando apenas alguns números pelo tema de capa. Também deixou de me agradar a qualidade do papel, chegavam às bancas todos dobrados e amarfanhados e como eu pretendia guardá-los...
    Tenho alguns jornais especiais (para mim) guardados e imensos artigos dentro dos livros cuja recensão faziam.
    Os meus parabéns e muito obrigada pela companhia que me fizeram e por tudo o que aprendi.
    🌻
    Maria

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  7. Li o JL desde o seu primeiro número até que decidiram aderir ao AO90. Deixei de o ler. . Além disso os erros ortográficos e de semântica eram incompatíveis com um jornal de letras. Segundo me informam estes erros continuam. Actualmente leio a LER e a COLÓQUIO LETRAS.

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