Crónica e etimologia

Hoje é dia de crónica e sexta-feira 13. A crónica foi publicada no sábado de Carnaval e é por isso que tem o nome que tem (e não por causa das máscaras protectoras que não se sabe se protegem assim tanto e estão esgotadas). O link (ou a ligação, se preferirem) aí vai:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/22-fev-2020/mascarada-11833563.html


 


Já sobre o vírus maligno e a sua etimologia, junto um outro link para se entreterem os que gostam de aprender sobre os idiomas e as raízes de certas palavras. Frederico Lourenço, professor de Clássicas, tradutor de clássicos, dá-nos uma lição bem boa, e sem termos de ir à faculdade, sobre o Coronavírus. Aqui vai:


https://www.facebook.com/frederico.maria.lourenco/posts/2951449168241381?__tn__=K-R


 


 

Comentários

  1. Assaltos de famílias mascaradas a casa de amigos na semana de Carnaval também é algo que faz parte das minhas memórias de infância na ilha de Santa Maria (Açores). Um componente sedutor destes assaltos era o da conspiração: várias famílias combinavam assaltar uma casa sem que esta fosse avisada disso; quem, por altura do Carnaval, não estava dentro de nenhuma conjura começava a suspeitar que ia ser assaltado. Mas ser assaltado tinha uma vantagem: só os assaltantes tinham que levar a comida e as bebidas para o jantar e para o serão de festa.
    O texto erudito do Frederico Lourenço é uma delícia e deixa-me a tristeza de o ensino de grego e latim não ter feito parte da minha educação. Apenas uns pobres rudimentos de latim nos eram ensinados no Liceu. Sente-se neste texto que o acesso à Cultura Clássica que estas línguas oferecem é um prazer único.

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  2. O virus não tem etimologia possível, terá, e tem, etiologia. Que lástima! Helder Paraná Do Coutto.

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    1. António Luiz Pacheco13 de março de 2020 às 07:16

      Caro Hélder Paraná Do Coutto:
      Fiquei intrigado com o seu comentário … não sou homem das letras, tenho apenas formação média nesse campo, porém sei a diferença entre etimologia e etiologia, que são coisas bem diferentes, uma do campo das letras e outra da ciência em geral.
      Poderá esclarecer-me porque é que vírus não tem etimologia? Perdoe a curiosidade, mas é assim que se aprende e evolui!
      Desde já agradeço a sua atenção, saudando-o cá do paralelo 12, Sul, desde a Cidade da morena cujo chocalho na canela inspirou Chico Buarque!

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  3. António Luiz Pacheco13 de março de 2020 às 08:48

    Gostei muito de ler ambas as peças!
    Também tive mui escassa formação latina e menos grega, todavia provoca-me espanto que o finado Prof. Malaca Casteleiro ao criar o seu famoso Acordo Ortográfico, despreze o étimo das palavras que entendeu simplificar a pretexto de tornar a nossa língua mais acessível, a despeito de mais nenhuma das línguas com palavras de origem latina o ter feito.

    Quanto ao carnavalesco tema, também nunca fui muito carnavaleiro, apesar de gostar de me mascarar e de fantochadas em geral. Recordo com saudade os famosos "assaltos de Carnaval" que eram comuns na minha meninice e juventude, sempre envolvendo as incontornáveis comezainas… lá em casa, quase sempre acabavam na adega como é de imaginar, ou na "casa da malta" mesmo ao lado da "casa do forno", onde a grande lareira dava para se assarem chouriços, negros e farinheiras, paios e paiolas recém-saídos do fumeiro!
    No Carnaval, era quando se provavam os fumeiros, abriam presuntos e ainda havia vinho novo, sendo já o fim da água-pé… não sei que ligação efectiva houvesse entre os factos, mas que calhava bem aos "assaltantes", isso calhava!
    Tinha muitas tias velhas (para mim…), solteironas, que eram as mais descaradas e assíduas praticantes desta tradição, também não sei porquê, mas eram… e lembro-me de uma famosa canção composta pelo Dr. Godinho, que rezava assim e era uma espécie de hino:
    Lá em cima mora a família das Sousas!
    Cá em baixo mora a família do Godinho!
    Juntaram-se todos à uma,
    sem vergonha nenhuma,
    na quinta do Graínho!

    É claro que os assaltantes eram recebidos como mandam as regras da honra, estando a coisa sempre mais ou menos prevenida, não se capitulava! Também aqueles cumpriam com as normas e vinham munidos de com que terçar armas na invasão e contenda que se seguia, tudo preparado no maior “segredo” da estartégia de Polichinelo. Por exemplo as citadas Sousas, eram três "tias" (primas do meu avô Abreu de que só uma era casada), excelentes doceiras, sempre bem-vindas e divertidas, pois cantavam em trio que nem as irmãs Meireles e a tia Carmo sapateava e tudo! Portanto reforço de peso em qualquer dos campos numa invasão. Idem para os Silveira, todos músicos… e por aí for a, pois se buscavam aliados que possuissem artes ou dons adequados a estas justas.
    Eram assim os tempos e a diversão, que fizeram e ficaram na história, familiar e no nosso colectivo afinal como já depreendi pelo que diz o estimado Artur!
    Adeus futuro… só para quem não tenha tido passado! Quem não faça do presente um passado que valha a pena, é que não tem futuro!

    Bela lembrança nos trouxe hoje a Nossa Extraordinária Anfitriã, e pretexto para distrair do outro carnaval, trágico, esse montado pelos jornaleiros e as t'visões, complementado por um outro género de assaltantes menos divertidos mas que se atropelam em dizer atoardas, só que com o objectivo de esvaziar-nos mais do que as despensas, as contas!
    Mas que sei eu? Que ainda tenho saudades de feijoadas de salgadeira e fumeiro, de presuntos e outras coisas que uns quantos tontos decidiram querer abolir, dizendo mesmo que “comer é um acto politico”, e dizem-no a sério!
    No resto, e ainda voltando aos tempos difíceis, como esperar sacrifícios ou coragem por parte de quem não aguenta a menor contrariedade, incómodo ou contradição, temendo morrer queimado pelo clima ou asfixiado pelo CO2 das vacas?

    Saudações saudáveis cá da Cidade Morena, e, votos de um bom fim de semana, com muitas leituras, e, peito para pegarem a vida, como na minha terra se faz aos toiros: de caras!

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