Cortázar

Rayuela é um longo romance, mas se vai ficar em casa por precaução (o meu caso) e não tiver de trabalhar, aproveite para conhecer através dele o seu autor, Julio Cortázar, que transgrediu a construção de uma história e a própria língua. Cortázar era argentino, mas nasceu na Bélgica (“O meu nascimento foi um produto do turismo e da diplomacia”, disse) e é exemplar como contista, embora Rayuela (que é o jogo da macaca) seja talvez a sua obra mais emblemática. Deixo algumas das suas maravilhosas frases para abrir o apetite:


«Cada vez sentirei menos e lembrarei mais, mas o que é a recordação senão a língua dos sentimentos, um dicionário de rostos e dias e perfumes que voltam como os verbos e os adjetivos ao discurso.»


«Meu amor, não te amo por ti nem por mim nem pelos dois juntos, não te amo porque o sangue me chame para te amar, amo-te porque não és minha, porque estás do outro lado, nesse lado donde me convidas a saltar e eu não consigo dar o salto […].»


«Aquilo a que muita gente chama ‘amar’ consiste em escolher uma mulher e casar-se com ela. Escolhem-na, juro-te, já os vi fazê-lo. Como se no amor se pudesse escolher, como se ele não fosse um raio que nos parte os ossos e nos faz estacar a meio do pátio.»

Comentários

  1. António Luiz Pacheco16 de março de 2020 às 02:30

    Confesso nunca ter lido Cortazar… nunca calhou, apenas por essa razão.
    Vai haver oportunidade para muita leitura, entre os que tenham livros em casa… os outros, como vai ser? Terão possibilidade de sair e encontrar abertas as livrarias, ou aproveitam a ida ao supermercado, cujos e felizmente também vendem livros?
    Uma amiga minha até açambarcou cigarros! É verdade… fumadora inveterada e pessoanamente, comprou 10 (!) volumes, para se fechar em casa. Tenho brincado com ela a propósito, no Facebook que é a minha ligação ao Mundo, e vai agora e ainda mostrar a sua vantagem, pois permitirá às pessoas manterem-se ligadas pela net!

    Quanto a Cortazar, o que diz " Cada vez sentirei menos e lembrarei mais", parece ser uma verdade própria de quem envelhece com memórias.

    Saudações e votos de uma boa quarentena (acho que se pode desejar assim?), cá da Cidade Morena!

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    1. António Luiz Pacheco16 de março de 2020 às 03:41

      Pois… mas eu sou um info-eanderthal! Nem me lembrei de tal, se a logística funcionar em quarentena ou estado de emergência!

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  2. Li há muitos anos um livrinho de Cortázar com pequenos textos. Nunca mais li nada mas um deles - Instruções para Subir uma Escada - nāo mais me saiu da cabeça.

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  3. Gosto de Cortázar e de muitos dos autores da Latina-América.

    E sim, o Amor, promete...

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    1. António Luiz Pacheco16 de março de 2020 às 03:43

      Ah! L'amour… toujours l'amour…
      (Pepe le Pew?)
      Eheheh!
      Resta sempre o amor, se tudo o mais falhar - e falha!

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  4. off topic: o JL faz 40 anos, um aniversário que passa discreto, mesmo entre aqueles que veneram os livros.

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  5. Coitada... Vá de quarentena, vá. Melhores frases já a senhora rejeitou de autores portugueses. Para MRP a literatura continua a ser o jogo da macaca.

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  6. Manuel Gonçalves Pereira Barros16 de março de 2020 às 12:56

    Li o Rayuela faz 50 anos!
    Em plena guerra colonial,em pleno mato ! Mão querida mo enviou e centenas mais de livros---
    A ironia da situação que assim lá se gerava, ainda hoje me emociona e diverte. Cortázar na guerra!
    O que ele não teria dito,se de tal bizarria soubesse...

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  7. Boa noite com alegria

    Dá Deus nozes a quem não tem dentes.

    Tenho 2 petizes de "quarentena involuntária" que com especial favor leiem nesta paragem lectiva forçada.

    Que inveja...

    Boas leituras
    cp

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  8. Bom dia Rosário,
    Faço parte de um Clube de Leitura de Clássicos (na EC.ON - Escola de Escritas) com curadoria do Gonçalo M. Tavares cuja obra do 1º trimestre é a Rayuela. Livro magnífico que nos deixa presos à história e ao jogo desde a primeira página.
    Extraordinários entrem no jogo que não se vão arrepender.
    Paula

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