As personagens cumprimentam-se
Tenho passado os dias a ler: provas de livros que serão publicados, obras originais de potenciais autores, livros publicados no estrangeiro para ver se me interessa traduzi-los, livros cá publicados (à noite, antes de dormir). E noto que a leitura recorrente de notícias sobre o Coronavírus e o isolamento forçado me estão a afectar mais do que gostaria quando dou por mim a já não conseguir separar as águas... Por exemplo, li agora uma cena de um livro em que os avós acenavam de longe a um rapazinho, num jardim das Caldas da Rainha, e pareceu-me bem; mas, quando eles resolvem ir ter com ele e sentarem-se todos numa esplanada, só pensava que deviam estar doidos e que nunca deveriam ter saído de casa. Infelizmente, sempre que aparece no texto que estou a ler um aperto de mão, um abraço, alguém que cumprimenta com um beijo, em vez de achar natural e passar adiante, não consigo deixar de pensar no perigo de contágio... Mas para onde me havia de dar, raios! Devo estar a ficar maluquinha com o encerramento... Por acaso acontece o mesmo a algum Extraordinário ou sou eu que sou mesmo um caso perdido (coisa que o nosso Anónimo de estimação adoraria)?
Para hoje sugiro O Filho, de Philipp Meyer, um livro em que o protagonista só se salvou do jugo dos índios porque estava vacinado...
Eu estou de quarentena há muitos anos, encerrado em casa há muito tempo - excepto aos sábados, em que costumava dar uma volta -, pelo que não estranho muito. O tempo nunca me chega para os discos que tenho para ouvir, os livros que tenho para ler... 24 horas é poucochinho. E ainda preciso de dormir, imaginem a perda de tempo! Sempre me aborreci mais na rua do que em casa. Somos todos diferentes.
ResponderEliminarPara dar um toque intelectual ao meu anterior comentário cito T. S. Eliot: "a espécie humana não pode suportar muita realidade".
EliminarMas já viu, no final das nossas vidas, quantos anos passámos a dormir, não será tempo desperdiçado!? Quantos livros, quanta música, quanta beleza ficámos por admirar? Não era melhor não dormirmos e fazer outras coisas para bem da nossa saúde mental?
EliminarAo que parece, para a nossa sobrevivência, como seres humanos, dormir e sonhar, é tão (ou mais) importante do que comer...
EliminarVide o Livro
Porque dormimos?
de Matthew Walker
O meu comentário acima "...dormir, imaginem a perda de tempo!" é feito ironicamente, como é óbvio. Mas lá que tenho inveja daqueles que, como o PR Marcelo, apenas necessitam de pouquíssimas horas de sono, isso tenho!
EliminarAh! grande eremita, eu assim pela metade, também estou de acordo!
EliminarConcordo em absoluto. Dormir é perder tempo. Tempo escasso para o tanto que uma vida oferece.
Eliminarhttps://hdocoutto.blogspot.com/2020/03/e-patologico.html
ResponderEliminarBom tema para acabar o mês e iniciar a semana:
ResponderEliminarAqui na rádio, cantam umas vozinhas de criança, muito afinadinhas:
Sem abraço, sem beijinho, sem aperto di mão...
Não é desprezo, é só prevenção!
Ahahah! A canção é uma ternura, acreditem.
A mim não me deu ainda , se bem que ontem Domingo, fosse endireitar e afiar arpões, arrumar e fazer revisão ao material, em descanso obrigatório, e deu-me a nostalgia do mar e da liberdade que transmite. Mas aguento...
"O filho", é um Grande Livro! É sim senhor, e, aconselha-se mesmo a todos, porque tem todos os ingredientes e mais alguns, é actual apesar de passado em 3 tempos distintos, com lutas entre raças e sexos. Excelente!
Quanto a dormir... sempre dormi pouco, desde que comecei a trabalhar, ainda estudante, pois o tempo era curto. Sou dos que dormindo 5 horas, fico bem. Se não tiver mais nada que fazer, sou capaz de dormir quando quero, apenas me encosto e fecho os olhos, em qualquer sítio! É um dom, creio que partilhado com o Zé Carioca!
Raramente adormeço antes da meia-noite e acordo sempre pelas 5.30 - 6 horas, com a luz do Sol, porque durmo de janela aberta, gosto de acordar com a luz, para mim é a forma menos violenta e mais descansada de acordar!
Isto desde há anos que causa uma pequena e ridícula guerrilha entre mim e a minha mulher que prefer dormir de janela fechada: O último a deitar, quase sempre eu, abre a portada da janela, devagarinho... ela, passado um bocado levanta-se e vai sub-reptíciamente fechar a portada. Já se chegou ao meio-termo, e a portada fica só meio-aberta (ou meio-fechada!). Ahahah!
Saúde, literalmente, cá da Cidade Morena, cercada pela polícia e com barreiras... é preciso uma declaração ou justificação para nos deslocarmos dentro e sobretudo para fora. Táxis e motos (os kupapatas), impedidos de circular!
Acabamos por ficar todos afectados, por esta mudança involuntária no nosso dia-a-dia.
ResponderEliminarMesmo os que precisamos de sair de casa, sentimos um vazio por tudo o que nos cerca. E pior, estamos a fazer algo de "anormal"...
Até mesmo os fulanos que se orgulham de já estarem em quarentena antes de tudo isto acontecer, não acham piada à ideia de "prisão". Uma coisa é não querermos sair de casa, outra é não pudermos...
"Os fulanos" é uma expressão depreciativa e antipática.
EliminarNão é "não pudermos" que se escreve nesse caso, é "não podermos"!
E não é orgulho nenhum, é um simples facto!
EliminarO mais curioso, é que considero os "fulanos" mais simpáticos que os "anónimos". :)
EliminarE também faz algum sentido que qualquer "carapuça" sirva a um "anónimo", pois a sua cabeça terá sempre a medida que eles quiserem. :)
"Anónimo de estimação", só agora reparei, numa leitura mais atenta do post! Quem será ele??Um sujeito azedo e agressivo, que meia volta escreve umas asneirolas idiotas por aqui?? Pois tenho conhecimento (fontes bem informadas) que o "anónimo de estimação" irá doravante mudar de postura: será doce como o mel e na sua face brilhará um eterno e meigo sorriso... Ele não pretende semear por aqui anti-corpos, todos são necessários para o combate que sabemos. Nem os Extraordinários merecem, tampouco a ilustre anfitriã de quem muito gosta! 😊
ResponderEliminarFechado compulsivamente, ao contrário da maioria, não consigo concentrar-me na leitura ou na escrita. Há ainda a circunstância de receber, pouco espaçadamente, muitos memes e anedotas do momento no WahtsApp, achando por bem retribuir e disseminar os mais interessantes, quando não criar os meus próprios.
ResponderEliminarEm boa verdade, tenho-lhe dado no desenho, forte e feio, uma maneira de compensar o afastamento de algum tédio que, por esta via, não me ataca. Para além disso, a minha moradia tem um quintal; e aí, naturalmente, não havendo estado de sítio, ninguém me pode proibir de circular.
Desejo a todos a quarentena possível, evitando o coronabicho (não consigo pronunciar correctamente o nome da coisa), praga que estará para se apurar como é que nasceu, resiste e se transporta à velocidade do som...ou da luz.
Regresso aqui para me corrigir. Uma vírgula pode alterar o sentido da frase. A vírgula que está a seguir "ao contrário da maioria," significa que estou fechado compulsivamente e que a maioria não está. Se retirar a vírgula, o que faço a destempo, significa que não me concentro na leitura e na escrita como o faz a maioria.
EliminarDesculpem.
estamos todos um pouco a variar de uma maneira ou de outra este confinamento está-se a alongar e não se vê o fim e ninguém sabe como a nossa lucidez vai reagir a tanto tempo fechados em casa.
ResponderEliminarhenrique cheira
Aqui passa-se o mesmo. Principalmente nos filmes. Temos o cérebro com este novo hábito incutido. O que é sinal de que cumprimos o afastamento, pensamos no perigo que podemos ser para o próximo. Boas leituras, aqui leio mais histórias Infantis, porque a miúda assim o exige.
ResponderEliminarSaúde para todos!
Uma tradutora, sua fã
Sugiro-lhe “Le Seul Amant” de Jean-Claude Lattés e Éric Deschodt das Éditions du Seuil. Uma história dentro da História : a chegada do nosso Vasco da Gama ao Malabar, ao reino de Cochim.
ResponderEliminarAinda há quem goste!!
Fechado em casa, a minha dificuldade é escolher um livro para ler logo que acabo outro. E não é que para aí 80% dos muitos que me rodeiam ainda os não li.
ResponderEliminarDo Philipp Meyer li o excelente "Ferrugem Americana". Tencionava ler seguidamente "O Filho" mas um amigo (com gostos similares de leitura), e que também havia lido "Ferrugem Americana", disse-me que tinha sido uma grande decepção e que não me aconselhava a perder tempo...(assim já fico a pensar)
É que nem nada, ó Severino! Nem tudo o que os amigos nos dizem é verdade!
Eliminar"O filho", pelo menos para mim, é superior ao "Ferrugem americana", sendo embora ambos e dois, dois grandes livros! Não vás nessa... lê, que te vais empolgar!
Abraço virtual, portanto pode-se!
Não é esse o caso, pois também a mim já me aconteceu eu gostar muito de um livro e este meu amigo não gostar, mas a verdade impera sempre nas nossas conversas.
EliminarDeste modo tenciono ler "O Filho".
Dir-te-ei depois de minha justiça.
Se conseguisse ver aqueles filmes que passam na TV por cabo estava eu bem, mas não consigo. Muito tempo para ler, bastante para ouvir e "ver" música, algum para escrever. Inventei uma regra: todos os dias escolho um assunto que se mantinha por resolver e trato dele. Uma reparação , uma arrumação, uma limpeza, uma reorganização de ficheiros, infelizmente a minha destreza de mãos é fraca.
ResponderEliminarBoa semana se for possível.