Sossego e gritaria
Ainda no rescaldo das Correntes, onde tanta coisa interessante se diz sempre, e com o trabalho muito atrasado pela ausência (levei o computador, mas nunca é a mesma coisa), dei com esta frase de um dos meus poetas espanhóis queridos, António Machado: «Se todos os espanhóis falassem apenas do que sabem, e de mais nada, haveria um grande silêncio que poderíamos aproveitar para o estudo.» Notável. É verdade que nuestros hermanos (sobretudo os de Madrid) falam imenso e em voz alta; e aonde quer que vamos nota-se logo onde há espanhóis, pela barulheira que fazem e porque falam espanhol com toda a gente, em Portugal ou em qualquer outro país estrangeiro. Mas, no fundo, a frase de Machado adapta-se a todos os povos do mundo e, em especial, àquelas pessoas que julgam perceber de tudo e têm sempre uma opinião a propósito de qualquer matéria. Eu cá também preciso de muito silêncio para ler e estudar e dispensava alguns conselhos e comentários que vou ouvindo por aí. Todos nós, imagino.
E, no entanto, a opinião de todos é fundamental para formarmos a nossa própria. O silêncio é sempre em última instância o inimigo mais crítico: o que se aproxima da falta de liberdade, o que está mais perto no nosso caso de um regime que durou quarenta e oito anos. Na verdade na essência do Homem pouco mudou, pois só há mudança e decência na inclusão.
ResponderEliminarPor lapso não saiu a "autoria". Não gosto de anonimato.
EliminarCaro anónimo/a … se me permite: rabo, orelha e volta à praça em ombros!
EliminarInteiramente de acordo e com aplauso!
Ah!
EliminarTinha que ser… logo vi… muito bem dito, Pedro!
E na actualidade há ainda pior do que o silêncio da ditadura, o tal ruído de fundo, promovido pela mesma para nos distrair do que pelas costas nos vão fazendo, ou seja, de acordo também com o tema de hoje!
Grande abraço!
Mau! Também saí anónimo?????
EliminarA.L.Pacheco
Tendo não só a concordar, mas ainda a enfatizar que hoje em dia, talvez pela facilidade em o fazer, toda a gente acha que tem opinião sobre assuntos que não conhece, sejam as costelas dos galgos, incêndios florestais, economia e de um modo geral sobre tudo.
ResponderEliminarNão é que não seja legítimo ter e expressar opinião, o que que falta é o bom senso sobretudo às ditas "celebridades" que normalmente só o são pelas suas atitudes escandalosas ou mediáticas, pelas escolhas sexuais ou de filosofias estranhas e muito pelo dar nas vistas em coisas pouco sensatas, mas que os media adoram pois lhes permite vender tempo… e as pessoas comuns invejam e ouvem ou lêem porque acham que saem do "rame-rame".
Até aí tudo bem… agora dar-lhes ouvidos e atenção às asneiras e barbaridades que debitam, como se de António Damásio se tratasse… isso é fatal!
Já aqui falámos disso, há dias… se bem me lembro!
Saudações bronzeadas cá da Cidade Morena!
Naqueles assuntos de que se fala todos os dias na comunicação os tudólogos brilham. Um dia cai um assunto menos banal e os tudólogos são convocados (deve haver um contrato) para se pronunciarem, para nos esclarecerem (!!!). Começam a gaguejar, ganham ritmo e peroram, peroram. Valha-nos Deus já que a Razão tem primado pela ausência.
ResponderEliminarPor exemplo: o Miguel Sousa Tavares sabe de tudo (menos do BES)...(e eu até acho que tem o dom da palavra e é até cativante).
ResponderEliminarComo penso que é a "falar que a gente se entende", acho que as conversas são decisivas para chegarmos a qualquer lugar.
ResponderEliminarMas também entendo que só devíamos falar do que sabemos. E que há demasiado ruído à nossa volta. Claro que não estou a falar dos espanhóis.
E há uma coisa ainda muito mais importante, entre o ruído e o silêncio, que é o saber ouvir... (nunca existiram tantos "sabões" por metro quadrado, que querem lá saber da opinião dos outros).
Maria do Rosário, o meu comentário não se prende com o seu post mas com o seu romance, que procurei em vão em tudo quanto era livraria e alfarrabista. Pois imagine que por puro acaso o fui encontrar à venda (por 3 euros...!) na livraria (que deixa muito a desejar) da estação de Campanhã. Entrei por desfastio, enquanto esperava o Intercidades e zás! caem-me os olhos nele! Estou a ler.
ResponderEliminarNão queria que saísse anónimo. Quem encontrou o seu romance fui eu, Mª de Fátima Candeias.
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