Saudade e Raiva

Este foi um dos livros com os quais mais empatia senti nos últimos tempos e, ao lê-lo, percebi logo que faria tudo para o poder publicar. Trata-se de Aprender a Falar com as Plantas, da catalã Marta Orriols, o segundo livro catalão mais vendido em toda a Espanha no ano passado, e apresenta um enredo incrivelmente imaginativo. Paula é uma neonatologista apaixonada pelo que faz e com um relacionamento desgastado pela rotina quando aos 42 anos pensa, pela primeira vez, em ser mãe; mas, no dia em que contava informar disso o companheiro, este diz-lhe que tem outra pessoa e quer sair de casa. Não há tempo, porém, para Paula gerir a raiva que a revelação lhe provoca: duas horas depois ele morre num acidente. E então, juntamente com o choque de uma morte estúpida e prematura, Paula terá de enfrentar o desgosto de ter sido abandonada e de lidar não apenas com o luto, mas também com o ressentimento. A autora estará em Portugal para as Correntes d'Escritas e valerá certamente a pena ouvi-la. Lê-la eu sei que vale a pena.


 


capa_APRENDER A FALAR COM AS PLANTAS Marta Orriols


 

Comentários

  1. Humm... parece bem interessante, mais um livro a espreitar quando for ao burgo.
    Bons ventos (quero dizer livros) do país vizinho: o outro é o da Rosa Montero, uma escritora que aprecio muitíssimo.
    🌹
    Maria

    ResponderEliminar
  2. Enfim… não falo com as plantas, não eu um tosco barrão que trabalha na agricultura.
    Mas, elas falam comigo… olá se falam!
    Isso aprendi eu. É uma outra sensibilidade e até necessidade, saber se a seara amarela é por falta de Azoto, ou outros tons que significam outras carências, a pontinha da folha acastanhada da secura, a falta de viço, de vigor, o porte… sim, as plantas falam com quem as saiba ler. Lêem-se mais do que se ouvem, e, não somos nós leitores?
    Aqui, a floresta nativa, o miombo ou mata panda, tem a particularidade de mudar de cores ao longo do ano e consoante a estação. Logo antes de chover, a quem a saiba ler, ela anuncia a chegada breve da água pela mudança na sua côr que possui matizes belíssimos entre os castanho-seco claro ou escuro, amarelo, verdes e vermelhos.
    São ainda Horas Extraordinárias, estas, que passo a ler as plantas!
    Acreditem, pois as considero ainda um privilégio.

    Saudações cá da Cidade Morena e das suas acácias rubras, que estão em pleno!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Logo fala com as plantas ;) e faz muito bem.
      As acácias rubras são belíssimas, embora eu nunca as tenha visto ao vivo e a cores.
      Enjoy!
      🌹
      Maria

      Eliminar
    2. envio daqui umas infundadas saudades às acácias rubras, uma vez que jamais as vi. Mas devem valer a pena. Ser lindas.

      Eliminar
  3. Uma autora de que nunca tinha ouvido falar, mas que fica anotada.

    ResponderEliminar
  4. Faziam-se observações jocosas àquela senhora que falava com as plantas que tinha na varanda. Redarguia ela que às vezes não lhes dizia nada quando as tratava, mas então elas ficavam um pouco murchas e crescriam menos. Explicou alguém que era natural pois quando falava lançava sobre elas anidrido carbónico e isso melhorava a fotossíntese. Fantasia ou ciência?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Hum… fantasia cientificamente sustentada!
      Diria eu… sem querer matar a poesia da cena.

      Saudações clorofílicas!

      Eliminar
  5. Cá está outra vez a «empatia» (do/a editor/a) referida como critério principal (ou único?) na decisão de se publicar um livro (ou não). Continuo a duvidar de que seja uma boa prática.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório