Saltar para a liberdade

David Machado está de volta com  mais um romance depois do Prémio da União Europeia para a Literatura dado a Índice Médio de Felicidade (também adaptado ao cinema) e de Debaixo da Pele, um livro fundamental sobre a violência no namoro com uma estrutura altamente inventiva. A Educação dos Gafanhotos, assim se chama a novidade, é um road book e conta a viagem que David e Marco fazem pelos Estados Unidos quando acabam o curso. São dois jovens recém-licenciados em Economia, com esperança de ficar a trabalhar no país do Tio Sam, mas na verdade gostam é de escrever e, como tal, prometem a si mesmos que tudo o que contarem da sua vida a quem forem conhecendo nessa viagem será ficção pura e dura, tão depressa à Faulkner como à Hemingway, dois autores que adoram. Porém, este salto para a liberdade acaba por ser interompido por um acontecimento que os põe no lugar e os reduz à insignificância de gafanhotos... Bom, divertido, cinematográfico, um excelente retrato da juventude actual. A não perder.


 


capa_A EDUCAÇÃO DOS GAFANHOTOS David Machado (DQ


 

Comentários

  1. Gosto do título e do assunto, principalmente por se tratar de registos em "road book", que nos leva a viajar duas vezes: pela leitura da acção e pelas descrições que fará presumivelmente dessas viagens. Será a visão de dois portugueses das terras da "coboiada".
    A leste desta notícia estarão os nossos Extraordinários carnavalescos, estes foliões que por um dia e uma noite não pegam num livro nem se incomodam a ganhar uns minutos de prazer no Horas; suponho que trocam o livro pelo entrudo, mas que seja por um dia. Um conselho, pois, para os foliões da pinga: podem beber até cair, mas depois não continuem a beber deitados; já basta o vosso fígado ser o bombo da festa.

    Bom carnaval. E mais não digo, porque tenho de me preparar para o desfile.

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    1. Alto e para o baile!
      Eu não fui carnavalar, a minha ausência deveu-se sim a trabalho, pois embora estivesse a contar com um fim de semana prolongado (como acontece aqui nesta ocasião) tive reuniões de trabalho no Sábado e Segunda o que me estragou os planos… apesar de estar aí de visita malta vinda de Luanda, entre os quais o meu amigo Pedro Freudenthal com quem fui à pesca no Domingo (à Equimina) , tive ainda a grata surpresa deste me trazer e oferecer um livro com a biografia de seu pai, uma pessoa interessantíssima, e com um percurso de vida rico, desde as fileiras do MPLA à cadeia de Caxias, depois como fundador da SONANGOL, que foi vítima de racismo-mesmo (por ser branco) e quando digo mesmo não é por ser branco mas por ter-lhe sido retirada a casa de família cobiçada por uma individualidade e até ter sido dispensado da empresa que ajudou a fundar e geriu… aliás como Pepetela (seu velho amigo e autor do prólogo) também sofreu do mesmo e por alguma razão vive em Portugal! O Marega que não se queixe, nem a Joacine e o Mamadou, pois não sei que lhes tenham tirado nada nem feito abandonar o seu país!
      Bom deste livro falaremos depois, e do Percy Freudenthal, aliás cujo tio João Freudenthal já foi objecto de uma biografia também, relatando a fuga desta família ao regime NAZI indo acabar em Angola, onde trabalharam pelo seu desenvolvimento a ponto do Percy ser destacado membro do MPLA.
      Eu leio muito biografias, de gente que vale a pena ler, com percurso e obra feita!
      Portanto comecei ontem mesmo a ler este livro, não diga que ninguém leu! Ora essa!

      Abraço indignado e injustiçado cá da Cidade Morena, onde fiz um belo dia de praia, por sinal, na Baía Azul!
      Eheheheh!

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  2. Então «cinematográfico» é agora uma qualidade literária para MRP? Que contraste, que diferença com o que aconteceu há pouco mais de dois anos, quando um livro meu foi rejeitado também por ter supostamente um «estilo guionístico».

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    1. Ela é tonta. Ela nunca dá o dito por não dito. Ela dá o não dito por dito.

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