O que ando a ler

Hoje é dia de partilharmos as nossas leituras aqui no blogue e, neste momento, estou a terminar o novo romance de Chico Buarque, Essa Gente, que difere bastante dos outros que li do autor (Budapeste, Leite Derramado, O Irmão Alemão; falta-me Estorvo) na forma, pois está longe de constituir uma narrativa linear, compondo-se antes de um conjunto de entradas datadas (nem sempre por ordem cronológica) que tão depressa parecem pertencer ao diário do narrador, contando episódios da sua vida quotidiana, como são cartas que esse mesmo narrador (um escritor de meia-idade em crise criativa, financeira e familiar) escreve ou recebe. A contracapa anuncia que é também uma crítica aos tempos tremendos que o Brasil vive hoje em termos culturais (e o título Essa Gente remete de certa forma para isso), mas é uma crítica muito leve e subtil e, posso estar enganada, mas não central no romance. O senhor Prémio Camões desta vez entusiasma-me menos, sei lá porquê, quiçá porque o seu enredo inclua editores e escritores e eu já tenha disso na vida real. Mas leiam, pode ser só o meu mau feitio.

Comentários

  1. Curiosamente também ando a ler esse, muito no início (comecei ontem), logo sem opinião formada.
    Rosário, também lhe falta ler o Benjamim :)

    Devo dizer que adorei o Leva-me Contigo do Afonso Reis Cabral: foi um prazer imenso fazer aquela viagem com ele pois, para além de escrever muito bem, é um extraordinário ser humano.
    Aquela nota de Obrigados no final do livro é de antologia.

    Boas leituras!
    (Este mês tem mais um dia para ler).
    🌹
    Maria

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    1. Obrigado por me recordar o livro do Afonso Reis Cabral sobre a sua viagem na Estrada Nacional 2. Há semanas ia comprá-lo e esqueci-me de o fazer. Agora não falha. Li no Publico que até já há uma app criada por uns jovens sobre essa viagem.

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    2. De nada, Artur. :)
      De facto, os comentários das pessoas e o carinho com que sempre o acompanharam e receberam são mais motivos para ler o livro.
      E o título Leva-me Contigo tem uma razão de ser que, obviamente, não vou revelar.
      🌹
      Maria

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    3. De novo, obrigado ! Depois direi algo sobre a leitura do livro.

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  2. Ainda no início, mas já a gostar muito do quinteto Patrick Melrose de Edward St Aubyn.

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    1. Conte-nos depois como lhe soube conhecer as vidas de gente da alta burguesia inglesa, ao que parece (estou a citar o que li nas crónicas do MEC) vidas bastante disfuncionais.

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  3. Acabei de ler a novela gráfica americana “Sabrina” que foi candidata ao Booker, aparentemente a primeira vez que isso aconteceu a um livro de banda desenhada. Confesso que me custou a entrar no enredo mas valeu bem a pena o esforço. É um livro de personagens com vidas americanas bem banais e com a história centrada naqueles que estão relacionados com uma jovem mulher que desaparece e é vítima de um assassinato aleatório na rua (nada pode ser mais americano…). O desenho é minimalista e o interior das casas é despojado transmitindo subliminarmente uma sensação de vazio que vai sendo perversamente ocupada por comentários radiofónicos e das redes sociais sobre o assassinato (o assassino filmou o seu ato, e« difundiu-o na net e suicidou-se). A narrativa é fragmentária tal como a vida atual, em particular quem encontra nas redes sociais o seu amparo emocional. No final percebi a razão da seleção do livro para o Booker: é um grito de alarme sobre o caminho que estamos percorrer em direção a uma sociedade que aceita que a verdade deixou de existir e que todas as teorias da conspiração difundidas nas redes sociais são igualmente válidas para explicar o que vai acontecendo. A propósito desta penetração das redes sociais na vida das pessoas, vi recentemente na CNN ser citado um estudo que indica que o grau de e bem estar pessoal dos cidadãos americanos está na razão inversa do tempo que dedicam diariamente às redes sociais. Apetece terminar como a Maria do Rosário conclui as suas crónicas no DN… Confesso que há muitos anos não lia um livro de banda desenhada e que este me ofereceu uma nova visão sobre algo que pensava conhecer bem, tal como me aconteceu com a leitura do clássico “Maus “ de Spiegelman.

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    1. A sua descrição de "sabrina" transportou-me para uma pequena peça que li ainda há pouco de Don delillo, "Valparaiso", que retrata de uma forma simultaneamente perversa e cómica, a influência ensurdecedora dos media nos dias de hoje.
      Quanto a esse estudo que refere, em nada me surpreende. Haverá ainda muito (muito, muito) a desvendar sobre o impacte negativo deste novo mundo de segundos "eus" cibernautas, que tantas horas sequestra e desperdiça...

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    2. Cara Maria, muito obrigado pela referência à obra do DeLillo, que eu não li; fiquei com curiosidade em conhecer o livro e irei procurá-lo. Quanto aos efeitos negativos da frequência das redes sociais na felicidade humana, eu devia ter acrescentado que a informação transmitida pela CNN afirmava que a infelicidade só se instala a partir das duas horas diárias de utilização das redes mas que, a partir daí, quanto mais longo for o seu uso mais deletério será o seu efeito no bem-estar de quem as utiliza.

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  4. Dele ainda só li "Budapeste" de que gostei muito.
    Continuo com o "Vida e Destino".

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  5. Ainda bem que me recorda este autor, penso que tenho uma das primeiras obras dele em casa, mas nunca li nada dele, já é tempo de o conhecer. Estive para comprar "Budapeste", por lá ter estado recentemente, mas o mais correto é estreá-lo pelo que tenho em casa.

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  6. "DOIDA NÃO E NÃO" de Manuela Gonzaga.
    A vida de uma mulher que tudo arriscou por amor.
    Tudo começou em Novembro de 1918 quando Maria Adelaide Coelho da Cunha, uma senhora muito rica, fugiu de casa trocando o marido, escritor e poeta (e rico), pelo seu motorista particular (pobre), mudando-se de um palácio lisboeta para um modestíssimo andar em Sta.Comba Dão, com todas as limitações que daí advieram.

    Um escândalo em Portugal no início do século XX, com as consequências que se calculam, incluindo o internamento num manicómio com as assinaturas das maiores personagens da época.
    Uma lição de luta e coragem de uma grande mulher!
    Ainda só vou nas primeiras páginas mas já sigo (à distância) esta história há uns anitos, muitos mais mais do que quando comprei o livro (2016).
    Parece-me retratar muito bem o princípio do século, os costumes, preconceitos, classes, as gentes, as castas, os ricos e os restantes (quase na totalidade paupérrimos e analfabetos).

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  7. Também estou a ler "Essa Gente" e estou a gostar da forma simples com que o Chico resolveu contar a história (ou histórias) - quase correspondência - deste nosso tempo.

    É um olhar cru, mas muito real, da "gente" que nos cerca.

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  8. Bom dia com alegria

    A barata - Ian McEwan
    Ferdydurke - Witold Gombrowicz

    Boas leituras
    cp

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  9. [Off topic]

    https://observador.pt/2020/02/03/morreu-o-critico-e-ensaista-george-steiner/

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    1. Li alguns ensaios dele como, Tolst oi ou Dostoievski, Martin Heidegger e outro de que não recordo o título sobre a Linguagem.Grande pensador cuja lucidez vai fazer falta neste tempo de todas as mortes.

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  10. Estou a ler de Alberto Manguel Monstros Fabulosos. Um livro sobre a própria literatura e os personagens que lhe dão vida. Leitura para quem gosta de ler 😊 como todos os Extraordinários!

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  11. Bom dia, com atraso… estive fora!

    Do meu amigo e colega de caça, José Gamito Allen, li o seu trabalho de mestrado sobre turismo cinegético… a primeira vez que se fez um estudo organizado e objectivo sobre o tema. Convenci-o a colocar em livro, para os seu sus muitos conhecidos, amigos e interessado no assunto. Resultou muito bem! Claro que para um público restrito, mas por acaso esgotou a primeira edição de 300 que fez… já tem umas 50 encomendas do próximo!

    Também de outro velho amigo, que posso considerar ter sido um dos meus ídolos, a sua biografia para a qual colaborei com dois textos e fotos do meu arquivo, trabalho feito por outro amigo (David de Carvalho, antigo editor de revista náutica) em grande formato com 457 páginas, a vida de um Homem generoso e um atleta ímpar: Vontade de vencer, de António Bessone Basto, que por sinal aos 74 anos anda a treinar para fazer a travessia do estreito de Gibraltar, ainda este ano…

    "Do outro lado do mar", de João Paulo Marques. Muito bom, um romance de fundo histórico com a qualidade que este autor já me habituou e que gosto de ler, pois até podia ter sido eu a escrever aquilo… não o digo por pretensão, entenda-se, mas porque comungamos em muita coisa, desde logo pelos interesses e até ideias. Numa altura em que tanto se fala da escravatura, sem entender nem esclarecimento, este romance ajudaria a esclarecer muito boa gente que se limita a debitar chavões e a dizer atoardas, sobre um tema que seria uma vergonha para a humanidade, se não existisse ainda, se bem que de outras formas… a maldade humana é incomensurável, mas há que conhecer a história dos acontecimentos num dado momento. Aconselho vivamente, até porque esclarece muita coisa e desfaz certos mitos, sem desculpar ou apagar o horror que foi.

    Estou a ler "Torto arado" de Itamar Vieira Júnior. Que grande livro!
    Este mereceu o prémio Leya e merece muitíssimo mais, pois é uma obra daquelas que preenche e que nos faz gostar de ser leitores. Dá-nos vontade de agradecer a Deus ou a quem quer que seja o responsável pela criação, haver quem escreva assim!
    Ainda por cima, conhece a fundo os assuntos que compõem o romance na sua vertente espírita e da magia do folclore, ritos e tradições o que reforça a qualidade do romance que se torna mais profundo porque não inventado.
    Este é daqueles que ficam… autor e obra!

    Saudações desta traça dos livros expatriada cá na Cidade Morena!

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  12. Eu estou a viajar pela história da humanidade com o Yuval Harari e o seu Homo Sapiens

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