Coisas inesperadas
No regresso das Correntes d'Escritas esperava-me um montão de e-mails a que, de longe, não foi possível dar vazão. Respondi no telemóvel ao que sabia que era mais urgente, mas deixei os outros para ler com calma na segunda-feira. E, no meio desses, comunicavam-me uma coisa surpreendente: que a revista Lux nomeara como personagem masculina do ano na área da literatura Afonso Reis Cabral (além de António Lobo Antunes e José Tolentino Mendonça). Pois bem: eu desconhecia que tal revista falasse de outras pessoas que não actores de telenovela e músicos de sucesso, pelo que a notícia foi realmente inesperada. Mas, claro, fico grata, até porque se 1% das pessoas que lêem a revista ficarem curiosas com a obra do Afonso e lerem um dos seus livros já será bom. Não acredito que ele ganhe (apesar de ser giro e isso contar para a Lux), mas em qualquer caso se algum Extraordinário quiser votar no meu autor, aqui vai o link onde se explica tudo.
A LUX tem tudo o que lastimo em Portugal. Não é possível querer ter um país decente e depois enveredar por uma óptica de espectáculo, de momento. Um país decente exige uma sobriedade e uma honestidade à prova dos momentos e interesses. A Literatura não se faz de fogachos mas de tempo lento. E de afirmação igualmente estruturada e lenta. Tudo o resto é um país que não se respeita e vive interesseira e interessadamente um presente que não será futuro. Que desilusão!
ResponderEliminarVeio-me à ideia aquela homenagem do recente, macabro e triste Festival da Canção ao José Mário Branco...há gente pra tudo!
ResponderEliminarNão sei o que é a Lux, nem quero saber - todavia não odeio quem saiba!
ResponderEliminarSe servir para ler, fazer ler, divulgar a leitura, ainda bem!
Já votei, é claro, pois se o resto nada me interessa, sou grande fã do Afonso Reis Cabral!
Como toda a gente que se presume alguma coisa, sobretudo parte de uma qualquer elite social e do entretenimento, é quase certo que ele não ganhará, comparado ao "Monstro ALA" (de quem nem sou leitor, nem fã, me perdoem a franqueza) ou ao ilustre pensador Tolentino de Mendonça, que dá aquele ar de intelectual e coiso, a quem finja que o lê e vote nele porque fica bem… o ARC, ainda tem que comer muita farinha para que o pessoal das vaidades nele repare.
No entanto como é um jovem simpático e humorado, até pode ser que o achem montes de bem!
Depois diga quem ganhou!
Saudações cá da Cidade Morena!
Confesso que fiquei desconsolado com o estilo de escrita do Afonso que li pela primeira vez no seu livro de viagem a pé pelo interior do país. Comprei o livro e larguei-o em Vila Real... Temática um pouco pueril e estilo chão. Uma desilusão que talvez se deva a ter recordado o "Viagem a Portugal" de Saramago. É seguramente uma pessoa muito simpática. Oxalá amadureça bem.
ResponderEliminarExtraordinário Artur:
EliminarO livro do Afonso R.C. que refere, é meramente um diário de uma viagem a pé, sem pretensões, dedicado às pessoas que o acompanharam no Facebook.
Não sou advogado de defesa, mas se digo isto é por uma razão:
- O que define o Afonso R. C. como autor, para mim, é a sua capacidade de ver as pessoas e nas pessoas, de escrever sobre elas e para elas. Não as ficciona totalmente para compor um romance, ele vai-as buscar por aí, onde estão, ao alcance de todos, mas nem todos as conseguem ver e menos escrever sobre elas. E, isto é tão mais notável quanto se trata de alguém muito jovem - deixemos a simpatia de lado! Ao lermos os seus dois romances, livros-mesmo, revela-se a sua humanidade imensa e inesperada (pela idade, repito), que lhe conferem a maturidade de um escritor consagrado, ainda que lhe falte estilo, virtuosismo ou o que é que se chama à qualidade da escrita, que no seu caso parece no entanto ser o bastante para transmitir aquilo que pretende.
Só lendo os outros, se lhe fará justiça, penso eu com a sinceridade e respeito que o Artur me merece, pois a sua habitual lúcida sensatez assim me obriga.
Grande abraço cá da Cidade Morena onde esta traça dos livros esvoaça por entre uma epidemia de tifo e outra de conjuntivite, esperando que o Corona não venha às terras da Cuca!
Caro Amigo, não há nada como a sua eloquência e a sua capacidade persuasiva para me convencer a rever a minha opinião e a ler um dos romances do Afonso Reis Cabral, fazendo-me aceitar que o livro relatando o seu itinerário pedestre foi coisa leve e feita sobretudo para o Facebook, sítio que eu não frequento. Receba um abraço agradecido deste seu camarada de tertúlia literária que muito aprecia os seus posts.
EliminarTolentino Mendonça a ser nomeado personagem do ano na literatura, dentro do medonho ainda dava para rir
ResponderEliminar"A pessoa humana não é apenas o que já é, mas é um poder ser, um ser a caminho, em vias de, como se estivesse destinada até ao fim a nascer."
EliminarJosé Tolentino Mendonça in "O Pequeno Caminho Das Grandes Perguntas"
Fica tudo à mostra nesta citação: está visto que o homem que escreveu esta frase foi educado num seminário. Que cheiro a incenso, meu Deus ! Obrigado a quem nos ofereceu esta anónima contribuição. (e Cristo falou sempre tão claro... que contradição entre a linguagem dele e a dos seus intermediários)
EliminarEssa do incenso foi gira.
EliminarMas olhe que não, até porque ultimamente diz-se que é cancerígeno.
Impressionante ter visto tanta coisa nesta pequena frase.
Seminário, Cristo, intermediários.
Será que por se imaginar cheiro a incenso dá "moca"?
Todos nós nos projetamos mais de nós próprios naquilo que escrevemos do que talvez gostaríamos. E eu, claramente, não sou clerical.
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