Presentes bonitos

Na voragem das festas, nem sequer temos tempo de respirar fundo. E, bem vistas as coisas, agradeci um presente especial com um cartão banal e aproveito ter um blogue público para corrigir a situação. Fiz, como já aqui devo ter contado, a letra de um fado para a Livraria Lello no ano passado (cantado por Patrícia Costa) e umas quantas sessões dedicadas a autores de livros que publico, mais recentemente relacionadas com os 50 anos de vida literária de Mário Cláudio. Mas não sou visita assídua nem tenho lá amigos propriamente chegados. Foi, por isso, muito bonito que me tivessem enviado da Lello um livrinho de poesia espanhola tão bem escolhido (Caídas, de Teresa Soto) e a ele tivessem acrescentado um cartãozinho que dizia (resumo) que aquele pequeno exemplar fora resgatado de uma livraria em fim de vida na cidade de Palma de Maiorca (a Librería-Peluquería Los Oficios Terrestres); e que, como cada livro merecia um lar, não tinha conseguido virar costas e era agora para o meu que o mandavam de boa vontade. Com as pressas, fiz o que faço sempre que recebo livros de presente (e o que faz o nosso Presidente, que também nunca se esquece de agradecer um livro que lhe enviemos), mas claramente não bastava: contar esta história delicada é o mínimo que posso agora fazer.

Comentários

  1. Que lindo, e o presidentezinho, todos trocam presentinhos e cartõezinhos, estamos tão quentinhos neste nosso cantinho!

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    1. E com este seu comentariozinho tão queriduchinho ainda ficámos todos mais quentinhos.
      Beijinhos agradecidos 😙😙😙

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    2. Obrigadinho 😊😊😊

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    3. Ora essa, foi um prazer lê-lo(a).
      😏😏😏

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    4. Eis (não Heis) aqui um diálogo que mais parece um monólogo. É como se o José respondesse ao próprio José e a Maria à própria Maria (nada de confusão com a "nossa" Maria, que assina).
      Trata-se de uma réplica e tréplica crispadas - nota-se - mas tudo feito resumidamente, com educação. Gostei de ler. E diverti-me.

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    5. Eu também me diverti a responder, e da minha parte não houve crispação nenhuma :)))
      E ainda bem que o fiz sorrir 😊🤗😏

      E quem raio será o José... 🤔

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    6. José é um nome geralmente usado, quando acompanhado de Maria, para designar alguém que não se pretende identificado. Equivale ao antigo termo Fuão, que passou a Fulano, na gíria popular; nalgumas aldeias - e não só - identificam como o Coiso.
      José até poderia ser o de Arimateia, o rico comerciante que pertencia ao Sinédrio, embora se identifique por vezes como o esposo de Maria.
      Com esta adenda, ninguém me pode acusar de criticar o anonimato.

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  2. O jornalista Luis Caetano realizou um programa de rádio na Livraria Lello que ouvi ontem à noite na Antena 2. Foi assim que no final ouvi o fado.

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  3. É assim mesmo que merecem ser tratados os autores e os livros, com gestos de delicadeza.
    Vítor Fontes

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  4. António Luiz Pacheco15 de janeiro de 2020 às 07:11

    A mim tocou-me esta frase tão sentida e bem escolhida, obviamente por quem ama os livros: Cada livro merece um lar!
    Concordo inteiramente, apesar de o livro ser um objecto, mas é um objecto estimável e especial!
    Na minha casa, muitos livros vivem felizes, eu sei que sim… porque os olho como merecem e às vezes até lhes faço uma festa! E, vou-os lendo, vou-os folheando que é do que mais gostam, acreditem em mim que sei!

    Saudações já novamente cá da Cidade Morena, onde faz um calor tropical (como era de esperar, aliás…) .

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  5. No evento participaram duas Maria do Rosário: uma, Maria do Rosário Pestana, docente da U. de Aveiro e etnomusicóloga (a princípio até julguei, ao ler a notícia, que tivessem trocado o apelido); a nossa anfitriã, Maria do Rosário Pedreira.
    Quanto ao fado, tanto a letra como a música são lindos. Vale ouvirem aqui:
    https://www.youtube.com/watch?v=6WoxvUWmaxw
    tocado e cantado nas famosas escadaria da Lello.
    Esta Maria do Rosário Pedreira, surpreende-me!

    "Já conta mais de 100 anos
    Este edifício tão belo
    Foi fundado por dois manos..."
    É lindo, repito - e olhem que eu não sou daqueles de "passar graxa", nem tenho motivos para isso.

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    1. António Luiz Pacheco15 de janeiro de 2020 às 09:13

      Lá diz o ditado:

      Mais bale cair em gracha que cher engraxado…

      Ahahah!

      Que tal vai o meu amigo reagindo ao frio? Cuide-se…
      Grande abracho… perdão, abraço!

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    2. Como diz o povo, "cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas". Frio, frio, chegou ele a noites de 5 negativos, próprio dos planaltos muito altos e desabrigados, onde até apareceu o sincelo, uma manifestação curiosa, formada pela trilogia: temperaturas muito baixas, nevoeiro e humidade. Todo o que se encontrar ao relento, aparece na forma de cristal, engrossado e brilhante.
      Se eu tivesse a arte da poesia - como a tem a nossa anfitriã - teria feito uma poesia ao sincelo, a qual poderia ser adaptada a um fado.
      Com outro trabalho entre mãos, ando às voltas do texto e desenho daquela célebre batalha de 1383-85, designadamente do João Fernandes Pacheco, de Ferreira de Aves (que lhe diz muito, ó Pacheco) e de toda a tropa fandanga que pôs os castelhanos a "pão e laranjas".
      Como as baleias e os golfinhos, quando estou muito tempo à volta do computador e das suas ferramentas, preciso sair até ao quintal, para respirar. Quando entro, estou quase 10 minutos a aquecer-me nos radiadores do aquecimento central.
      Um abraço, não gelado, deste clima agreste e bravio, com o qual aprendi a viver, depois de ter nascido na Alfredo da Costa.

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    3. E eu a julgar que o Sérgio Godinho é que dizia (cantava isso)...
      Também julgava que conhecia bem a Beira Alta, mas não me lembro de nenhuma vila ou cidade chamada Planalto... 🤔😂🤣

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    4. Estou a apreciar esta contribuição colateral ao post, o que significa e dignifica a grande dinâmica deste blog.
      Tal como a resposta sobre o José, aprecio falar no Planalto quando me refiro à cidade onde habito e onde nidifiquei, nem sempre presente, também nem sempre ausente. Prefiro assim, do que apelidar a terra como Anónima cidade beirã.
      Como sou um Fulano (Fernando Costa) sem rumo certo, ainda espero que se aplique o rifão: muito longe vai quem não sabe para onde vai.

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    5. É o Fernando Costa (será?), mas já comentou com outros nomes ;) que eu já aqui ando há muuiiitos anos.
      Era simples curiosidade (não tencionava ir bater-lhe à porta à hora do almoço 😊), e não era a morada, era só o nome de uma cidade... pois conheço todas as cidades das Beiras e a maioria das vilas e aldeias: gosto de conhecer o meu país :)
      Mas se é assim tão secreto, pois que seja feita a sua vontade.

      PS: aqui onde estou diz-se o Manel e a Maria; o Zé e a Maria será aí mais para cima.

      Boa noite!

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    6. António Luiz Pacheco15 de janeiro de 2020 às 10:32

      Sem bem reza a história, a hoste levantada pelos Pacheco (nomeadamente o ilustre antepassado que refere) chegou, atrasada, mas ainda a tempo de ocupar o terreno e combater!
      Muito interessante acho aquilo que anda a preparar…
      O sincelo, creio que é próprio das zonas frias e húmidas, um fenómeno que nem toda a gente conhecerá, não sendo tão vulgar quanto a geada. Mas embeleza as árvores e a vegetação nas altitudes frias, planálticas ou serranas…

      Que o pingo do nariz não dê em sincelo… ahahah!
      Grande abraço, costeiro… porque estou na costa, se bem que de vez em quando suba ao planalto também, passando pelo interland, cuja cadeia marginal de montanhas é um dos mais belos espectáculos de Angola.

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    7. Se eu escrevesse o Manel e a Maria, poderia aparecer algum comentário a identificar (erradamente) com o Manel Valente e a Maria do Rosário, pessoas por quem tenho muito respeito... E admiração.
      Já comentei "in illo tempore" como Joca Martinho, porque sou também Jorge, e Martinho era um gato que já morreu.
      Se quiser aparecer à hora do almoço - tal como dizia Carvalho Rodrigues - bata à porta, porque aqui, em vez de se perguntar quem é, dizemos "entre!".
      Desta trancosana terra, a do Bandarra, uma grande saudação para a Maria (não sei se será o nome da(o) Anónima(o), calculo) e o desejo de uma boa noite.

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    8. O Pacheco da minha narrativa chega sempre a tempo, não como os Carabineiros de Offenbach, que chegavam sempre atrasados na opereta.
      A hoste dos Pacheco era das mais humildes em termos de cavaleiros, mas foi graças do João Fernandes que se uniram os nobres da Beira para derrotarem os de Castela.
      Para além de dar umas aulinhas, ando às turras com esta malta e com o Malhadinhas, saltando como lebre de um para outro, para os dar prontos - talvez não escorreitos - a tempo e horas, de que não me cansam os intervalos das obras.
      Para além disso, tenho mais um livro de texto e investigação, que se queixa da demora, quando eu me queixo desta e dele.

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    9. Bom dia Trancoso!
      Belíssima terra, sem qualquer espécie de favor :)
      Tinha pensado nela, mas também na Guarda, Gouveia, Seia ou Sernancelhe.
      Passei aí inúmeras vezes, tenho inúmeras fotografias. Ponto de paragem para outras andanças : Moreira de Rei, Penedono, Sernancelhe, Sra da Lapa e outras. Ia sempre tomar um café e uma sardinha doce na rua principal, do lado direito, antes de chegar ao Pelourinho e igreja do Bandarra (S. Pedro, não é?)
      Já há uns bons anos que lá não vou, mas posso dizer que conheço bem e que é uma terra encantadora.
      Parabéns por morar num planalto tão bonito .
      Tenha um bom dia!

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    10. E comprou lá algum livro? refiro-me, naturalmente, a alguma monografia ou publicação local?
      Tenha um bom dia e boas leituras.

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    11. Não comprei porque aos fds não havia nada aberto; agora tudo é diferente, para melhor, só que agora vários motivos impedem-me de viajar como outrora.
      Mas comprei algumas coisas no Posto de Turismo da Guarda, que tinha sempre algumas publicações à venda.
      Tenho vários livros sobre terras de Portugal cá em casa.

      Boas leituras!

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  6. gesto simples e bonito, seja o primeiro que é da oferta,como o segundo que é o da gratidão

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