Prémio Correntes
Ainda falta quase um mês para a 21.ª edição das Correntes d’Escritas, mas já se conhecem os finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa que, desta feita, é atribuído a um romance (a categoria de ficção alterna com a de poesia e as obras concorrentes correspondem aos lançamentos de dois anos). O júri, composto por Ana Daniela Soares, Carlos Quiroga, Isabel Pires de Lima, Paula Mendes Coelho e Valter Hugo Mãe, seleccionou, de um conjunto de 120 romances, 15 finalistas, dos quais publiquei dois: Memórias Secretas, de Mário Cláudio; e O Nervo Óptico, da argentina María Gainza. Mas a lista é muitíssimo variada, incluindo autores que já receberam este prémio no passado (Lídia Jorge, por exemplo, que desta vez concorre com Estuário); autores famosos como o Prémio Camões Mia Couto (que assina O Bebedor de Horizontes) ou o cubano Leonardo Padura que venceu o Prémio Princesa das Astúrias (e que concorre com A Transparência do Tempo); autores mais novos mas bastante lançados como Joana Bértholo (Ecologia); e mesmo escritores que se estrearam há menos tempo, como o vencedor do Prémio Agustina Bessa-Luís Rui Lage, que escreveu O Invisível, um livro que fala de Pessoa. Pelo menos, desta vez ninguém se pode queixar de que sejam sempre os mesmos. O anúncio do vencedor – que ganhará 20 000 euros – será feito na inauguração do encontro, como sempre. Que ganhe o melhor.
Enfim , selecionar 15 dentre 120 obras, é obra!
ResponderEliminarLivro… quero dizer, livra!
E se de facto for uma primeira liga de escritores, com alguns juniores de permeio (espero que me permitam estar a utilizar uma analogia futebolística) , o campeonato será aceso, bem disputado e esperam-se muitos golos! Eheheh!
Para já fiquei com o olho n' "O bebedor de horizontes", que terei de ir procurar. Ou seja, sofri para já um golo, e tenho a baliza aberta…
Saudações festivaleiras e concursistas cá da Cidade Morena!
Como se trata de Prémio Literário, nem era para comentar. Concorri há muitos antes, deixei disso e a minha obra publicada é tão invisível como o título do concorrente Rui Lage.
ResponderEliminarQuero dizer que a D. Quixote tem no horizonte do prémio nada menos que 6 "moinhos", quase metade do conjunto, sendo dois deles, como assegura a própria, da edição MRP; a Caminho tem 3 no percurso. Curiosamente só um denuncia através do título que apoia o acordo (h)ortográfico, pois o título cairia neste quer fosse "nervo ótico" ou nervo "ótimo" - cruzes, credo!
"A Transparência do Tempo", Leonardo Padura, Porto Editora;
"Bilac vê estrelas", Ruy Castro, Tinta da China (não, não é o Olavo);
"Cair para dentro", Valério Romão, Abysmo;
"Ecologia", Joana Bértholo, Caminho (está na ordem mundial do dia);
"Estuário", Lídia Jorge, D. Quixote;
"Fabián e o Caos", Pedro Juan Gutiérrez, D. Quixote;
"Memórias Secretas", Mário Cláudio, D. Quixote (da edição da Rosário);
"Ninguém Espera por Mim no Exílio", João Paulo Sousa, Teodolito;
"O Bebedor de Horizontes", Mia Couto, Caminho (um sério candidato, vocês vão ver!);
"O Centro do Mundo", Ana Cristina Leonardo, Quetzal;
"O Invisível", Rui Lage, Gradiva (ainda julguei que fosse o "mister" do SLB!);
"O Nervo Ótico", Maria Gaínza, D. Quixote (segundo a MRP, da sua conta);
"Pátria", Fernando Aramburu, D. Quixote;
"Sua Excelência, de Corpo Presente", Pepetela, D. Quixote (era um bom título para se falar da presidência da...);
"Também os brancos sabem dançar", Kalaf Epalanga, Caminho (por acaso sou branco e não sei assim tanto).
Depois desta lista - por mim mal comentada em parêntesis - que vença o melhor (mais apropriado seria o termo "que ganhe o melhor" porque há 20 mil em jogo), na certeza de que o prémio iria direitinho para Fiódor Dostoiévski, porque tem uma obra cujo título se relaciona com a entidade promotora do prémio.
Quero voltar aqui para pedir desculpa à Maria do Rosário Pedreira (não passo disto, sou frequentemente faltoso) e à Maria do Carmo Abreu (excelente tradutora), mas não vejo necessidade - a não ser por causa do (h)ortográfico - imprimir ótico em vez de óptico. Até porque, no original castelhano é "El Nervio Óptico".
EliminarOlha… o Pepetela! Também gosto muito…
EliminarAinda bem que colocou a lista! É uma lista de nomes de peso literário, e de qualidade garantida naqueles que conheço!
Qual Bilac verá estrelas então? O poeta homónimo do cantor?
Boa idéia a sua, abraço!
Quando referi que não era o Olavo, quis dizer que era o Olavo, mas o outro, do Brasil, não o cantor.
EliminarO romance passa-se na "belle époque" carioca com uma figura cultural e castiça do Brasil, que foi Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, jornalista, cronista, contista, escritor de livros infantis e poeta brasileiro, autor do hino.
Abraço, Pacheco.
Ah! Deduzi bem… apesar de o ter resumido a "poeta" …
EliminarAbraço, que com a rijeza que para aí vai, umas palmadas nas costas até aquecem!
Em minha opinião, há um candidato fortíssimo a melhor livro: "Pátria" de Aramburu. Deslumbrante ! (e esqueci-me de mencioná-lo entre os melhores da última década). Mas este romance já ganhou tantos prémios em Espanha que será um pouco falta de bom senso dar-lhe mais um prémio, sendo este seguramente de menor impacto do que os que já recebeu. Os prémios literários, para mim, servem não para galardoar os consagrados mas, idealmente, para pôr em evidência grandes obras escondidas. O ano passado o prémio foi para um livro de poesia, mas eu sou fraco leitor de poesia. Infelizmente, não li quase nenhum dos livros na lista para o prémio deste ano, mas estão nela autores que admiro: Lídia Jorge, Padura, Valério Romão, Mário Cláudio. Talvez o menos consagrado destes seja o Valério Romão mas mesmo ele já foi galardoado entre nós.
ResponderEliminarGostei daquilo que diz (como habitualmente, aliás) sobre os prémios literários servirem para evidenciar boas obras!
EliminarNão podia estar mais de acordo!
Abraço!
E descobri que o livro de poesia de Luís Quintais ("A Noite Imóvel"), vencedor do prémio no ano passado, consta da coleção da Biblioteca Almeida Garrett, que frequento, pelo que vou requisitá-lo para ver se contrario a minha incapacidade em fruir a beleza da poesia.
EliminarCorrentes de ar...
ResponderEliminarO problema dos concursos é sempre o mesmo e este não foge à regra. A não assumpção, por quem os lança, da relatividade da escolha, dos verdadeiros critérios, julgando que somos todos ingénuos ou parvos; ou que pensamos mesmo um festival literário como o "Corrente de Escritas" não ter patrocínio de interessados em promover a venda dos seus autores.
ResponderEliminarTemos um júri composto por cinco elementos. Que, em teoria, na sua justa capacidade selectiva e electiva, terão lido 120 obras. Na prática, obviamente, não o fazem. Até porque no meio dessas obras estão obras de independentes e desconhecidos que quase ninguém leu e não têm chancelas (indústria livreira) por detrás. E alguém - no "informalismo da vida empresarial" - indicará naquela amálgama de obras de qualidade, quem deve vencer ao serviço de interesses que calculamos quais são, a quem servem.
O problema não é haver necessidade de escolher alguém.
Nem a própria relatividade das escolhas; afinal, alguma obra tem de ser escolhida e o financiamento dela coberto para alimentar e não deixar soçobrar a indústria.
O problema é venderem-nos a escolha da obra vencedora, nestes concursos, como algo não relativo, determinado, totalmente impoluto, não se assumindo que todos mereciam ganhar.
Como bem sabe quem gosta de História, a objectividade nessa ciência do “Homem na Terra” não existe. O que se espera de um historiador não é que consiga fugir a si próprio, ao seu tempo. O que se espera é que seja honesto na identificação e escrita da História, como alvitrou Pierre Nora.
Assim, que se assuma que a escolha está mais determinada por interesses, gostos pessoais, do que pela qualidade intrínseca e superlativa da obra. Tudo a bem da honestidade e do respeito pelo leitor e dos autores.
Dito isto, que belo naipe de autores! Sem os ter lido a todos, escolhia como se fosse jurado, Maria Gaínza. E justificaria a minha escolha com: «Do que vi escolhi os que conhecia; dos que conhecia tive de tirar à sorte o vencedor».
A honestidade é o melhor formatador do respeito e a melhor obra que podemos "escrever".
Uma grande análise, esta! Parabéns. É assim que eu penso que a coisa se faça, mas dito com todo este pormenor, fiquei mais convencido.
EliminarIsto mesmo!
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