Os Lusíadas no século XXI

A Livraria Lello anda cheia de ideias. Desta feita, pretende homenagear a obra maior da língua portuguesa, o poema de Camões que narra a viagem de Vasco da Gama, através de uma proposta original, que é a de, pedindo a gente de todas as áreas e quadrantes,  conhecida e menos conhecida, que manuscreva uma estrofe da epopeia, compor uma versão totalmente manuscrita d'Os Lusíadas. Encarregou para isso um dos mais novos escritores portugueses, recentemente premiado com o Prémio Literário José Saramago, Afonso Reis Cabral, para percorrer todos os lugares por onde andou o desinquieto poeta (a Índia, Moçambique, o Vietname...) e escolher quem vai transcrever, uma a uma, as estâncias da nossa epopeia (para alguns, sobretudo os mais novos, vai ser preciso prestar muita atenção para não se enganarem, pois com a linguagem reduzida que utilizam no quotidiano não vai ser nada fácil assimilar o texto de Camões). Este Novo Canto para os Lusíadas, como se chama o projecto, terá o acompanhamento da revista Visão e foi anunciado nos 114 anos da Lello, em 13 de Janeiro último. Afonso Reis Cabral fará o diário da sua viagem.

Comentários

  1. Parece que é a Livraria Lello e sobretudo, o seu principal accionista, pelo que li na Visão. Afonso Reis Cabral parece também querer algumas colaborações de pessoas comuns. Terá de as escolher a dedo, suponho. Há cada vez mais ideias para vender livros. Neste caso parece-me útil dar a conhecer os Lusíadas. Talvez sirva os intentos dos dinamizadores. Ou pode ser facho que se acende e pouco dura. Depois se verá. Para já, Afonso Cabral está contente, ele que gosta de viajar decerto porá a sua imaginação a trabalhar na planificação dos Lusíadas feitos a mil mãos.

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  2. Esta proposta de escrever "Os Lusíadas" pelo punho de voluntários, não é inédita. Eu próprio proporcionei essa iniciativa (e já não era inédita, por essa altura), quando há 12 anos levei a cabo esse trabalho, pedindo a pessoas mais conhecidas e menos conhecidas que o fizessem, ainda com lugar para desenhadores ilustrarem algumas estrofes. Era em folhas A3 de papel de grande gramagem.
    Desempenhava eu (então) o cargo de presidente do conselho de administração da empresa municipal, que geria duas bibliotecas públicas, e quis que este trabalho fosse executado através de uma delas. A coisa andou, ainda com uma "nega" de Cavaco Silva, presidente da República, que alegou já ter feito isso em outro convite, quando cada pessoa só faria uma única estrofe.
    É evidente que o trabalho não se concluiu. Saí da empresa, esta por sua vez foi dissolvida e a biblioteca mantém-se sob a administração do município. O manuscrito lá está, tal e qual ficou quando o deixei...
    A iniciativa saiu em jornais, até num noticiário televisivo, houve grande interesse até ao esmorecimento. Houve contributos de anónima gente e de outra bem importante, incluindo bispos e ministros; também houve ilustradores, que desenharam directamente nos espaços indicados, incluindo trabalhos meus.
    Com esta acção da Lello e do Afonso, acredito que a coisa se faça, talvez para levarem ao prelo a montagem do manuscrito.

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  3. António Luiz Pacheco22 de janeiro de 2020 às 04:54

    Eu cá me palpitava que o A.R.Cabral andava a preparar alguma… creio ser o perfil indicado!
    Louvo a iniciativa e fico aguardando o resultado, pois acredito que será surpreendentemente bom, pela obra-base, pelo siginificado dela e pela oportunidade pois o tempo me parece ideal e até necessário, para de uma vez por todas nos valorizarmos a nós mesmo!
    Invejo-o e espero bem que não chegue a naufragar, no ímpeto de cumprir o seguimento dos passos do vate, ahahahah!

    Boa sorte, boa viajem e bom-trabalho, são os meus votos cá desde a Cidade Morena!

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  4. Louvo esta iniciativa que é, obviamente, muitíssimo bem-vinda.
    Espero que possa vir a ser totalmente concretizada.
    Passe, mais uma vez, a publicidade em causa própria.
    Deixo a ligação para a minha transcrição do Canto I, de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, num meu Apple Book GRATUITO.
    https://books.apple.com/pt/book/canto-i-os-lus%C3%ADadas/id670319086
    Os restantes 9 Cantos também se encontram, por mim transcritos, em outros nove Apple Books meus GRATUITOS.
    É só clicar, descarregar e ler.

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  5. Todos os lugares onde andou o poeta? Pensei que eram todos os lugares de que falou o poeta. Estou a imaginar os escolhidos irem num barcote até defronte do Cabo das Tormentas, ainda que hoje se designe da Boa Esperança. Ou outros, mais afortunados, escolhidos entre os habitantes da Ilha dos Amores.

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