O que ando a ler
Espero que as vossas férias tenham sido boas. Ultimamente, deu-me para os alemães, sei lá porquê (talvez ande a tentar apanhar o comboio, já que, durante décadas, nem tínhamos noção do que se estava a escrever para esses lados do mundo). Leio um pequeno livro de Daniel Kehlmann, autor nascido em Munique mas que cresceu em Viena e vive hoje entre Berlim e Nova Iorque (caramba). É um escritor muito elogiado pelos seus pares de língua inglesa (McEwan e Jonathan Franzen, por exemplo) e este seu Devias Ter-Te Ido Embora, que fala de um argumentista que vai passar uns dias com a família a uma casa de montanha para terminar um guião de uma série e aí descobre coisas reais ou imaginárias que não são nada agradáveis, lembrou-me a dada altura algumas coisas do universo de Paul Auster e, por outro lado, uns laivos de Murakami, pelo menos, do Sputnik, Meu Amor. Ainda não sei como vai acabar, mas não tardarei a descobrir, pois é bastante pequeno. Mas, sosseguem não conto.
Que bom estar de volta, Rosário:)
ResponderEliminarNão conheço esse autor, mas se tem algo do universo do Paul Auster, uns laivos de Murakami, é eligiado pelo McEwan e por si, parece-me um livro apetecível.
Eu tenho andado debicando poesia ao sabor do acaso, quer em livro, quer na net, e vou agora começar a ler o último do Chico Buarque.
Bom dia de Reis para todos!
🌹
Maria
PS. Sugiro que leiam a Receita de Ano Novo do Carlos Drummond de Andrade: é um poema fantástico e tão, tão verdadeiro.
E tenham um excelente 2020!
Se está em maré de literatura alemã, leia o Benedict Wells. Gostei muito de, Vom Ende der Einsamkeit e estou a ler os contos, Die Warhreit über das Lügen. O primeiro já está traduzido para português; o segundo não sei se está. Não sei, se conhece Hans Fallada. Gosto muito, mas é evidente que está ligado a outros momentos da realidade alemã.Há muito que ninguém ligava a este autor, mas como filmaram recentemente, Jeder stirbt für sich selbst in Berlin, talvez recupere ou ganhe alguma atenção. Infelizmente tudo é muito volátil... Em termos de filosofia, recomendo a lucidez e a clareza de Richard David Precht. Continuação de boas leituras!
ResponderEliminar"Assim Nasceu uma Língua" de Fernando Venâncio. Não percam.
ResponderEliminarSó li elogios a este livro mas temo que seja para especialistas em filologia. Não será ?
EliminarNão, o livro é para todos. Os filólogos ficarão com a responsabilidade da polémica.
EliminarObrigado pela informação !
EliminarTambém me penalizo por me situar à margem da literatura alemã, de que apenas li nos últimos tempos Gunther Grass e uma obra de Hertha Muller.
ResponderEliminarAndo a ler o "monumento" de Vassili Grossman. As 900 páginas da Vida e Destino vão reter-me muitos e muitos dias.
Há menos livros de literatura alemã disponíveis, ainda assim já li vários livros do Hermann Hesse, do W.G.Sebald, da Herta Müller e do Bernhard Schlink (que descobri depois de ver o filme O Leitor).
EliminarOutros de que apenas li uma ou duas obras: Thomas Mann, Heinrich Böll, Goethe, Günter Grass e Hannah e Arendt.
Podia ser pior :)
🌹
Maria
E então o Robert Musil, o Hermann Broch, o Kleist, o Büchner, o Joseph Roth, o Hölderlin, o Rilke, o Hofmannsthal, a Christa Wolf, o Thomas Bernhard,... por onde andam? (todos disponíveis).
EliminarEm tempo: De língua alemã. Algum ou alguns poderão ser austríacos...
EliminarTambém já li o Roth e o Rilke, mas os outros não :)
EliminarAinda tenho imensas lacunas...
Obrigada pelas sugestões.
🌹
Maria
Se os austríacos entram, posso acrescentar os nobelizados Elfriede Jelinek e Peter Handke, e o grande Stefan Zweig de quem li quase tudo.
EliminarPrecisaria de muitas vidas para ler tudo o que gostaria de ler...
🌹
Maria
Espero que tenha lido, de Stefan Zweig, "O Combate com o Demónio" e "O Mundo de Ontem".😊
EliminarO primeiro não, o segundo sim; eu disse quase... 😏
EliminarA Rosário hoje esqueceu-se de nós .😔
Já tinha reparado nisto Maria :-)
EliminarUma pessoa fica "viciada" no blog e nos vossos comentários.
Sabe mesmo bem esta parte do dia.
Feliz dia de reis a todos,
ps.: Li o poema do Drummond que referiu. Não o conhecia e realmente é fantástico. Gostei imenso!
Patricia
Ainda bem que gostou, Patrícia. Os que não se derem ao trabalho de o ler nem sabem o que perdem...
EliminarHá uma versão lida pela Marília Gabriela, no youtube, que nem chega a dois minutos e é uma pérola :-)
Bom ano, Patrícia!
🌹
Maria
Obrigada Maria, irei procurar...
EliminarEm tempo, e como falou de Drummond (e Marília) recordei-me que existe no YouTube uma leitura de um outro poema lindíssimo dele, o Amar (do livro Claro Enigma), pela actriz Marília Pêra.
Não sei se o conhece...
Para mim, mais uma pérola!
Desejo-lhe igualmente um bom ano!
Patricia
Está a gostar do "Vida e destino"? 900 páginas é muita "fruta"...
EliminarObrigado Maria do Rosário.
ResponderEliminarO busílis é este: das centenas de livros que tenho em casa decerto que não li mais de 10%, e continuo a comprar livros...
Boa tarde com alegria
EliminarTambém eu!
Boas leituras
cp
Estou a ler (e a gostar) do "Hotel Melancólico", da Maria Gainza.
ResponderEliminarGrande livro que estou a ler: "NA FLORESTA" - Edna O'Brien, destes só apanho, no máximo e raramente, dois ou três por ano. Recomendo!
ResponderEliminarNão tenho tido sorte nenhuma a publicar o meu comentário… vamos lá a ver!!!!
ResponderEliminarOra ainda bem que estamos de volta!
Pela minha parte, bem atestado de rabanadas e outras coisas boas, sólidas ou líquidas. Matei saudades, fui às perdizes, revi amigos e lugares, as minhas cadelas e ainda tive a revelação da cadela Ria, do meu sobrinho, com uma estreia promissora… enfim, não posso queixar-me e ganhei uma alma nova para mais uns meses afastado de tudo o que me faz tanta saudade, até o frio e a lareira - tenho andado a abrir toros de sobreiro a marreta e cunha, o que sendo impróprio para sexagenários também faz parte!
Bom, quanto à livralhada, nossa paixão, já adquiri uma quantidade deles que me despertaram interesse ou foram aqui "soprados" … tenho de ir ver aquele sobre o nascimento de uma língua de que se fala noutro comentário e me deixou de orelhas no ar!
Estive a primeira semana atacado por forte resfriado, mas isso deu-me oportunidade de ler três "livrões" que não poderia levar comigo:
- O Atlas dourado, de Edward Brook-Hitching. Soube a pouco, mas muito interessante pois relata grandes expedições e as descobertas, em mapas! Faço notar o interesse e a compreensão de um investigador estrangeiro pelo papel dos portugueses na revelação do Mundo e o seu contributo para o conhecimento, que hoje meia-dúzia pretende resumir ao tráfico de escravos. Haja bom-senso e capacidade de análise, não bacocos mas realistas!
- História de Santarém, do meu quase-conterrâneo que tive aliás o ensejo de conhecer quando fui "professor" aqui na nossa cidade, Prof. Dr. Martinho Vicente Rodrigues. Uma obra belíssima, profunda e do maior interesse sobre o papel desta vila/cidade e como nela se viveram momentos históricos. Ou mesmo se fez história… Curioso que a última obra intitulada "História de Santarém", é um exemplar que possuo, publicado em 1740, pelo Padre Ignacio da Piedade e Vasconcelos.
- Carta Gastronómica da Lezíria do Tejo - Confraria da Gastronomia do Ribatejo. Muito bom, uma recolha extraordinária de testemunhos ainda vivos de como se comia e o quê, e das receitas tradicionais dos nossos comeres, imperdível para quem como eu se interessa pelo assunto.
- Rápidamente, porque pequeno, li uma publicação comemorativa e evocativa, do Clube Português de Monteiros, colectânea de contos e memórias de monteiros, amizade e campo em que também participei: Venare non est occidere.
(continua…)
(continuação)
Eliminar- Ando a ler, Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos - da nobelizada polaca Olga Tokarczuc. Uma visão interessante porque oposta à minha, mas muito bem escrita e urdida, que no entanto dá a voz a uma animalista radical (e pouco esclarecida, na minha opinião) sob a forma de um policial, um bocadinho tendencioso e com filosofias no mínimo discutíveis, o que não o impede de ser um bom livro, bem escrito e com interesse bastante para me agarrar!
Suponho que devo também enaltecer a extraordinária tradução para um português muito bom, da autoria de Teresa Fernandes Swiatkiewicz sem o qual este livro não seria tão bom!
Creio que o terminarei esta semana.
- Deixo para o fim, um outro livro que muito me interessou e o autor teve a gentileza de me o oferecer. "O meu nome é Nemésio", do nosso Extraordinário Pedro Almeida Sande!
Com a sua verve habitual, uma escrita cuidada e cultivada, agradável de ler, o nosso Comparsa Extraordinário consegue pôr-nos à conversa com o notável literato e intelectual Açoriano que foi um vulto nas nossas letras e cultura.
Alcança esse notável efeito de, ao lê-lo, sentirmos que estamos a ouvir Nemésio, pois consegue reproduzir o discurso que este teria tido, e faz-nos lembrar da profundidade daqueles olhos por trás das grossas lentes e encimados por espessas sobrancelhas, o trejeito da boca por onde discorria e nos captava a atenção, o que o Pedro consegue magistralmente e não é fácil, porque a ironia do espírito vivo, o sal e a pimenta da cultura, a insularidade esclarecida, se combinam com uma visão do Mundo e das coisas, com o saber do Mestre, que ele tão bem soube interpretar e como se fora um actor, vestir-lhe a pele e discorrendo de uma forma completamente Nemesiana, estabelece connosco leitores, um monólogo que acaba por ser diálogo pela forma como nos capta a atenção com o que diz e lembra, sobretudo lembra, com muitas alusões à obra ou aos dizeres de Nemésio - e não só, pois até Saramago (outra referência do nosso autor) aparece a meter o nariz, onde aliás é chamado!
Um livro intimista, de reflexões e que nos dispõe bem pois prova que não se escreve apenas "romance" para entreter as pessoas no comboio. Este livro é de um outro teor e conteúdo, obviamente não para todos e até exige alguma cultura para ser lido, mas é a prova de que a intelectualidade ainda existe, há é que a exercer e exercitar!
Muito bem Pedro, e não estou a fazer nenhum favor… lendo-o ao mesmo tempo que Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos, teve o notável papel de equilibrar pelo bom senso alguma insensatez que a autora nobelizada transmite, se bem que também escreva muito bem. O que é óbvio...
Pois, no resto, fiquem bem e na Santa paz deste dia de reis, e um venturoso 2020 para todos os Extraordinários, são os meus votos cá desde o Bairro Ribatejano, aqui no Planalto do Graínho de onde abarco esta largueza!
Ó Paxeco também estou a ler a Olga Tokarczuk "Viagens" e não me está a agarrar nada, parece haver efectivamente ali não sei o quê, se calhar insensatez como muito bem referes mas escrever bem não basta; ou será que, à partida", já estava de pé atrás" com esta nobelizada?
EliminarAgradeço a sugestão Maria do Rosário, estou a diversificar o meu leque de leituras, acho que vou experimentar.
ResponderEliminarGosto de Paul Auster e se for nesta linha de escrita, penso que vou gostar.
Um beijinho
Se me permite intrometer-me, expresso a opinião (nós velhos ganhamos o costume de dar opiniões que ninguém pede…) de que faz muitíssimo bem em diversificar as suas leituras, seja no que respeita a autores mas também e sobretudo, tente diversificar os temas, sem se deixar limitar por sensibilidades ou opiniões contrárias às suas, pois é assim que vai abrir muitas portas ao pensamento, às ideias e ao saber.
EliminarÉ o que diferencia um leitor, de quem apenas lê… se me compreende e acredito que sim!
A leitura, tenho a certeza do que digo, ajuda-nos a amadurecer e a alargar horizontes, através da sua diversidade, porque felizmente e para nosso deleite, existem livros sobre práticamente tudo e expressando todo o tipo de sensibilidades ou ideais, pois como diz a canção, não havendo machado que corte a raiz ao pensamento, também é verdade ser a diversidade de ideias a maior maravilha da humanidade.
Também é assim que se ganha e cultiva a tolerância, através da leitura, sobretudo dos que não pensam como nós!
Perdoe esta epístola talvez descabida, mas aceite as minhas cordiais saudações e votos de um bom ano de 2020.
Yay!! Fico tão feliz quando alguém fala de literatura do meu outro (primeiro) país :)
ResponderEliminarBoas leituras! (e as melhoras!)
De Daniel Kehlmann li, há muitos anos, "A Medida do Mundo" e fiquei muito bem impressionado. De McEwan estou, agora, a degustar "A barata" (não estou convencido com a "iguaria"!). Mais entusiasmado ando com "A invenção da natureza - as aventuras de Alexander Von Humboldt, o herói esquecido da ciência" - de Andrea Wulf.
ResponderEliminarGrato pelas suas sugestões.
Vítor Fontes