Cinco L

Lisboa vai ter o seu festival literário. Cá para nós, com tanto festival pelo País fora, poderia parecer estranho a capital estar de fora... Bem, a primeira edição do Cinco L (assim se chamará o encontro) será inaugurada no dia 5 de Maio, escolhido pela UNESCO como Dia Mundial da Língua Portuguesa (suponho que, além de l de literatura, outro dos cinco l seja de língua). Diz-nos a revista Time Out que a festa incluirá várias expressões artísticas e que a programação, ainda em segredo, estará a cargo de José Pinho, responsável também pelo FOLIO de Óbidos e a bela Livraria Ler Devagar, bem como sócio-gerente da Livraria Férin no Chiado, além de conhecedor de certames no estrangeiro, onde assegurou a livraria do stand de Portugal nas feiras de Sevilha, Madrid e Guadalajara, no México. A proposta de um festival internacional de escritores em Lisboa partiu do PCP. Promovido pela Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, «vai distribuir-se por diferentes espaços da cidade, desde bibliotecas e teatros municipais a cinemas, livrarias e cafés.» Vamos esperar para saber.


 

Comentários

  1. Na passada semana estive a assistir na biblioteca de Oeiras a um monólogo de Luís Sepúlveda. Um contador de histórias, que me pareceu demasiado triste e enfadado na sua condição, necessidade, obrigação de mercado.
    Apenas alguns jovens no meio de muita gente de geração provecta.
    Já há muito pensara na necessidade de Lisboa replicar festivais como o das «Correntes de Escrita». Um festival organizado por uma entidade pública, mas onde se nota demasiado a mão de quem domina o mercado, faz o "cardápio”, cria "os gostos": as casas editoras. Como na sua enorme sapiêrncia e paciência o povo diz, «manda quem pode, pode quem paga.»
    Conhecendo e sendo amigo de grandes poetas e escritores a quem é dada pouca visibilidade, como o José Fanha, a Deana Barroqueiro, o António Breda, o José Cipriano Catarino, etc., fico triste por haver sempre uma mão invisível - muito ao estilo de Adam Smith, o qual pensava mais em agentes atomizados e pouco nos oligopolistas e monopolistas que viciam o mercado - que pouca ou nenhuma voz dá os não «enfeudados». Estava, assim, até pronto para dar o meu contributo de gestor a uma necessidade dessas.
    Fico assim feliz por alguém dar um passo em frente nesse sentido, neste país de brandas vontades, muita anomia, demasiado amiguismo e conexões de interesses, que vai mantendo uma paz podre e uma imensa mediocridade... fechando o caminho a novos caminhos, à diversidade, a novas formas de escrita e à Literatura.
    Estávamos talvez necessitados de novas personalidades como Natália Correia para dissertar sobre estes caminhos tão enlameados. O futuro porventura se encarregará dessa justeza.
    Talvez, entretanto, este novo festival seja uma boa altura para avocar muitos daqueles que escrevem quase na sombra, quase sempre ignorados, por incomodidade, por não pactuarem com o seguidismo. Aqueles a quem o bravo António Luíz Pacheco chama de "desalinhados", que não enveredam pelo caminho da bajulação e da sociedade de "Corte" para se fazerem "ouvir".
    Em Março, convidado pela secretaria regional de cultura dos Açores, irei fazer a minha primeira apresentação do meu livro «O Meu Nome É Nemésio» em Ponta Delgada. A apresentação estará a cargo do Henrique Levy, o que muito me honra. Estão todos convidados para aparecer. Um livro de quem poucos ouviram falar, pois quem escreve com independência é ignorado, propositadamente posto de lado: o mercado é diminuto quase sempre posto ao serviço dos amigos. Servir o mercado é preciso!
    Assim, que este novo festival de Lisboa seja uma boa ocasião para se dar voz aos que até aqui não têm tido voz. Só assim se construirá uma sociedade (que não é apenas política) mais justa, inclusiva e democrática. Mesmo que alguns que se digam democráticos sejam os primeiros na sua posição de «elite do poder» a manterem este estado de coisas.

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    1. «sapiência».

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    2. António Luiz Pacheco23 de janeiro de 2020 às 09:25

      Apoiado e aplaudo de pé!
      Assina: O bravo A.L.Pacheco!

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    3. Tantas verdades em apenas um comentário...

      O "jogo" há muito que está viciado. Basta ler o "Jornal de Letras" para perceber o tamanho (tão curtito...) do nosso mundo literário. São quase sempre os mesmos a falar dos mesmos.

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  2. Comparando com o que já há parece ser "uma coisa em grande". Com este momento de turismo deve haver muitos ovos e com eles ser possível fazer omeletas. Vamos ver.

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    1. António Luiz Pacheco23 de janeiro de 2020 às 09:26

      Inteiramente de acordo!
      Abraço cá do bravo A.L.Pacheco

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  3. Pois...parabéns, Lisboa! Viva! E oxalá seja um festival a sério com ofertas que nos tornem melhores e mais sábios. E haja muito público. Não interessa a idade, que vão e gostem. O saber é transmissível.

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  4. António Luiz Pacheco23 de janeiro de 2020 às 09:29

    Manifesto ainda e sempre a minha satisfação enorme com estes anúncios!
    Sou dos que persistem bravamente em ler e dos que acreditam piamente na eternidade do papel, até porque as árvores agradecem! E o Planeta - não me refiro à editora do mesmo nome!
    São a prova provada, e, comprovam que a literatura está viva!

    Saudações à brava, cá da Cidade Morena!

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