Cartas como já não há

Há uns dias que saiu e está à venda um livro simplesmente maravilhoso. Não só por dizer respeito a um homem ímpar (Miguel Torga), não só por ter sido editada pela mão de um professor excelente (Carlos Mendes de Sousa), mas acima de tudo por ser certamente um dos últimos livros de cartas que veremos publicados em Portugal, uma vez que já ninguém escreve senão e-mails e SMS que, pela sua natureza geralmente apressada, também já ninguém guarda. Este volume, Cartas para Miguel Torga, reúne um conjunto de missivas enviadas ao escritor e assinadas por grandes figuras da cultura portuguesa e alguns escritores estrangeiros. Pessoa, Nemésio, Jorge Amado, Eduardo Lourenço, Mário Soares, Sena, Gonzalo Torrente Ballester, são apenas alguns nomes dos vários correspondentes, cujas cartas ajudarão não só a compreender o universo íntimo e pessoal de Torga, mas toda uma época cutural e literária. Inclui elogio e ressentimento e, claro, alguma sofisticada maledicência. Publica a Dom Quixote.


 


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Comentários

  1. Já está na minha lista de livros a comprar, apesar do orçamento estar curto, mas, como fã incondicional do Torga, tenho que arranjar maneira... vou pedir conselho ao ministro Centeno 😄

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  2. Como fui leitor assíduo de cada um dos Diários do Miguel Torga, comprado logo que publicado a partir do V, estou curioso em ler estas cartas enviadas ao escritor (confesso que preferia ler as cartas de Torga a...). Entretanto, estimulado pela informação de que o livro é organizado pelo professor Carlos Mendes de Sousa, encontrei na net um ensaio dele de 33 páginas de 2009 na revista galega Veredas em que analisa longamente, e faz citações, as cartas recebidas por Torga. Lido o ensaio ainda mais aguçado ficou o meu apetite: há uma mensagem ofendida e áspera de uma Agustina, que tinha editado na altura o seu primeiro livro, que é um textozinho de antologia (a raiva é intensa e a tradução literária magnífica), e outra também dela, bem mais tardia e muito amistosa, de reconhecimento da grandeza do génio. Percebe-se que a Sophia se carteava com frequência com o Torga. E depois, cereja em cima do bolo, há uma carta longa e parece que um pouco professoral do Pessoa ao Torga (esta carta não está transcrita no ensaio de Mendes de Sousa). Eu não imaginava que o Pessoa ainda tivesse visto nascer o Torga poeta. Tenho que voltar à leitura do Torga que tanto me deleitou décadas atrás !

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  3. António Luiz Pacheco30 de janeiro de 2020 às 02:27

    Vejamos:

    1- Tudo que diz respeito a Torga, interessa. Estas cartas serão portanto interessantes , sobretudo porque escritas por gente de grande craveira literária. Esperemos que não se verifique o síndroma da casa do ferreiro!

    2- Discordo no que diz respeito aos mails x cartas!
    Pela minha parte, apesar de já poucas cartas escrever em papel (a minha última correspondência trocada foi com o recentemente desaparecido Sr. Alexandre Soares dos Santos), no entanto continuo a praticar a escrita de cartas, na versão e-mail, sejam profissionais ou aos amigos com que me comunico! E nas publicações no facebook , por exemplo. Nada me impede de cultivar a carta, a escrita da carta, na versão electrónica, e, digo já que tenho muitos amigos/conhecidos/interlocutores que fazem o mesmo!
    Frequentemente escrevo uma carta, no pc, que envio por mail, em vez de colocar o papel num envelope e ir deitá-lo na caixa do correio. Se calhar até escrevo mais assim do que escrevia em papel...

    Por exemplo, ainda há pouco tempo escrevi uma carta que enviei por mail, ao Afonso Reis Cabral, ou troquei pela mesma via, missivas com o neto de um amigo que me contactou a partir aqui do Horas Extraordinárias, mais do que mensagens foram cartas! Penso eu... aliás até espero que um dia daqui por muitos anos e depois do Nobel, sejam editadas em papel, as cartas por mail que o agora ainda jovem escritor recebeu, incluindo aquela de um maluco expatriado... pela curiosidade!

    Escrever é escrever, diria eu, seja em papel ou no ecrã, importante são os conteúdos.
    No entanto, há todo um romantismo associado à carta em envelope, sem dúvida, e o reconheço. Apenas que isso não nos limite ou aniquile o hábito de escrever "cartas".

    Saudações expressas e epistolares, cá da Cidade Morena.

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    Respostas
    1. E o selo, Pacheco? Como é que colecciono o selo?
      Ainda sou do tempo em que via passar a língua por aquela cola do fecho dos envelopes. Parece que tinha um sabor adocicado - provei apenas uma vez, porque me garantiram que era cola de cerejeira - e nos correios até havia uns frasquinhos com uma cola que não colava cientistas ao tecto, mas funcionava.

      Saudações do planalto, onde não se gasta cuspo com correspondência.

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    2. António Luiz Pacheco30 de janeiro de 2020 às 03:32

      Pois é, e tem muita razão: o selo!!!!
      São pequenas obras de arte, a valorizar as cartas... e motivo de paixão, por colecionadores do Mundo inteiro!
      Lindos, particularmente os selos das antigas colónias/províncias ultramarinas! Com aves ou plantas e animais, pintados.
      Aqui os correios não são de confiança... as cartas vão abertas "para verificação", imagine-se! Depois ou não chegam, ou chegam até depois de nós... e o que se recebe cá, muitas vezes não vem completo, por exemplo revistas, chega só o envelope! Temos de usar a DHL (caríssima) ou a Macon (linha de camionetes, internamente) também muito cara.

      Abraço para o Planalto!

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    3. Ó Paxeco, o busílis da questão é que, no futuro, dessa correspondência, dificilmente haverá vestígios.

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    4. António Luiz Pacheco30 de janeiro de 2020 às 05:02

      Ora, imprimem-se!!!! E depois edita-se em livro!
      A floresta agradece, ao contrário do que possa julgar-se... ahahah!

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  4. Sem dúvida... a ler!

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  5. Pode-se escrever de igual modo em papel ou em suporte digital, sem dúvida. Mas lançar numa folha de papel o que nos vai chegando à mão implica uma maior reflexão, uma ponderação de que resulta uma escrita mais bem elaborada e mais depurada. Quantas vezes comunicamos algo de modo apressado com erros ou imprecisões que já não vamos a tempo de emendar, coisa que não faríamos se o fizéssemos por carta. Mas triunfa a lei do menor esforço, sem dúvida.

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  6. nas cartas à antiga, as letras são desenhadas uma a uma. Isso é o que mais gosto nelas, o trabalho artesanal que implicam. Mas concordo, também envio mails que são cartas. Chegam mais rápido e com menos trabalho. Mas não têm o mesmo encanto. Digo eu.

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  7. O meu exemplar, deste magnífico Livro, já cá canta!
    E, até, já fiz uma entrada no meu Blogue principal sobre isso:
    https://bairrodavilarinha.blogspot.com/2020/01/chegou-o-carteiro-cartas-para-miguel.html
    Bom Fim-de-Semana, apesar do mau tempo que está previsto.

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