Crónica e uma história

Hoje é dia de crónica. O link aí vai:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/07-dez-2019/agendas-11589770.html


Contaram-me uma história deliciosa que envolve a poetisa Natércia Freire que, para quem não saiba, era uma católica fervorosa de missa quase diária. Vinha ela da igreja do Loreto, ali ao Chiado, quando ao descer a Rua Garrett encontrou um amigo das letras à porta da Livraria Bertrand, ponto de encontro dos escritores desse tempo. O tal amigo apresentou-lhe um intelectual brasileiro com quem estava, que ela não pareceu reconhecer, mas este saiu-se com a tirada de que na véspera os dois tinham até dormido juntos. Um escândalo, claro, naquela época, para uma senhora pura e recatada como era a poetisa, que corou e se preparou para defender a sua honra. Foi então que o brasileiro, sempre engraçado, esclareceu que tinha sido numa chatérrima conferência a que ambos tinham ido no dia anterior, coisa que só dava mesmo para dormir... Bom fim-de-semana. Descansem.


 


 


 

Comentários

  1. A história do post é um tanto própria do linguajar brasileiro, são uns sedutores linguísticos os nossos irmãos.
    Quanto à crónica, é até engraçado como filmes e livros, que pretendem - e tanta vez quase conseguem - imitar a realidade, tenham, em relação a esta, efeito tão díspar. Se na realidade lembramos melhor e mais gratos as pessoas boas com quem nos cruzámos, e as más, embora as lembremos, é sempre a contragosto e não quereríamos fazer com elas um filme, mas esquecê-las simplesmente; na ficção, as personagens de mau carácter ou pelo menos de carácter peculiar, empolgam-nos; e os bons, claro, são personagem secundária. Talvez isso aconteça por se exigir do actor e do escritor maior engenho e arte na construção de personagens com torcido carácter.

    ResponderEliminar
  2. Bom dia com alegria

    Hoje gostei mais do post que da crónica (normalmente é o contrário)

    Cruzes, nem o James Bond escapa às escolhas politicamente correctas!

    Meu Deus, porque nos abandonaste? - perguntaria um amigo meu, crente.

    A seguir à Greta e ao James Bond, o que nos reserva 2020? - pergunto eu.

    "I know not what tomorrow will bring" - avisou o poeta

    Boas leituras e feliz época consumista
    cp

    ResponderEliminar
  3. Vou continuar politicamente correto, nunca vi o Bond e nunca verei a Lashana.
    Já uma cena de dois literatos a dormir numa conferência podia iniciar uma história de vilão. Um deles, fingidor, fingia que dormia para se apoderar dos sonhos do outro para com eles construir uma história de sucesso. O outro, claro, viria a sentir-se roubado e desenvolvia uma trama de vingança que, registada no papel ou no celulóide, seria também um tremendo sucesso.
    Bom fds.

    ResponderEliminar
  4. História bem a meu gosto; com duas pitadas de sal e uma de malícia.

    ResponderEliminar
  5. Já havia lido a notícia, algures, da substituição do Bond por uma Bonda… o que é pura e simplesmente um acto iconoclasta, que suponho tenha a ver com essa maldita e destemperada mania actual das "quotas", ao ponto de haver filmes americanos passados na idade média europeia, em que se vêem africanos e africanas negros entre a população… coisa tão duvidosa no seu realismo quanto aparecer um relógio numa torre, porém a estupidez humana não tem de facto limites.
    Espero bem que haja alguma cláusula que impeça a mudança do actor para uma mulher (ser preta é secundário…) e não o digo por sexismo, mas porque James Bond é um homem, aliás mulherengo, e o papel está talhado para isso, por muito que as feministas regouguem. Tal como não passa pela cabeça de ninguém transformar a Barbarella num Barbarello, a não ser nalgum filme pornográfico gay.

    Pode até traduzir-se num sucesso de bilheteira, mas como os filmes 007 são de culto e para apreciadores (eu assumo-me como fã!) que gostam de ver respeitada a ordem natural da criação literária-cinéfila (nunca li 007!) , não me parece que surta o desejado efeito.

    Como bem diz a Nossa Extraordinária Anfitriã, nós amantes da leitura somos fiéis aos nossos personagens e à paixão ou ódio que eles nos despertam!

    Saudações espirradas e tossidas cá do Bairro Ribatejano.

    ResponderEliminar
  6. eh eh eh eh eh eh
    A história é deliciosa.

    ResponderEliminar
  7. A crónica, como as anteriores, também excelente.
    Ian Fleming deve estar a rir-se da tristeza e não só...

    ResponderEliminar
  8. Bom "post" e crónica. A referência ao gaguejar da nova heroína é uma enorme maldade. Não pelo gaguejar em si, mas pelo que ele contém que é quase nada. Ou como diria o outro: não gaguejar quando pensa, não é sinónimo de grande perceção do mundo: ou será percepção? O futuro realmente afigura-se cada vez mais estranho. Bom-fim-de-semana a todos!

    ResponderEliminar
  9. Os "brasucas" são danados para a brincadeira.

    O que a nossa poetisa religiosa deve ter pensado naquele longuíssimo minuto. :)

    ResponderEliminar
  10. Olá! Se gostas de ler, participa no sorteio do blog https://alivoaqui.blogs.sapo.pt/tag/meu+livro

    Parabéns pelo teu blog! Um Feliz Natal e Muita Saúde!
    Obrigada, Liliana

    ResponderEliminar

Enviar um comentário