Torga outra vez
Alguém me contou que Miguel Torga era forreta e raramente oferecia livros; e que era bastante avesso a autografar. Li também algures que uma vez, recebendo um recado de Amália Rodrigues dizendo que estava no andar de baixo em casa de amigos e, tendo descoberto que ele morava ali (ou tinha o consultório, já não sei), o queria conhecer, este mandou pela mesma via a resposta de que não tinha qualquer interesse no encontro com a fadista. Consta que não era um homem fácil, mas lá que era bom no que fazia isso não se pode negar – e se calhar só não ganhou o Nobel da Literatura por, no seu tempo, ser tremendamente difícil conseguir ser traduzido e publicado no estrangeiro. Não há, porém, qualquer dúvida de que era um escritor de mão cheia – e hoje, se quiser ser honesta, talvez lhe atribua uma boa parte da minha curiosidade livresca, pois foi, entre outras coisas, com os seus Contos da Montanha que, muito novinha, me apaixonei pela literatura. Depois vieram Os Bichos, os poemas, os diários; mas por acaso nunca li o seu único romance, Vindima, publicado em 1945, que, segundo um texto de Fernando Pinto do Amaral, trata das injustiças sociais vividas no Douro Vinhateiro nesse tempo e tem uma abordagem próxima do neo-realismo. O livro acaba de integrar aquela colecção que o Público está a fazer, de médicos-escritores, e sai dia 19. Vou decididamente espreitar.
Em tempo: Hoje começa o The Pessoa Festival com uma programação muito boa, conduzida por Mirna Queiroz, directora da revista Pessoa. Está tudo aqui:
https://www.revistapessoa.com/artigo/2862/the-pessoa-festival-chega-a-lisboa
Grande Torga! Tendo embora dificuldade em eleger O , é um DOS meus autores de referência e preferidos.
ResponderEliminarComungo inteiramente da sua escolha e influências transmitidas pelas obras que refere, a que acrescentarei "Novos contos da montanha" e "A criação do Mundo".
Li, "Vindimas", que é um romance notável e até obrigatório para a compreensão do Portugal rural de antanho, e do próprio autor penso eu.
Torga é um gigante, creio que a sua vivência como médico numa província fortemente atrasada e pobre, como era o Portugal rural de então, ter sido caçador, privado com as pessoas como o fez, tiveram a influência tanto na sua formação de escritor e o sensibilizaram para a Natureza e as gentes, como terão eventualmente contribuído para fazer dele ainda mais a tal pessoa de feitio dito por difícil, mas que eu julgo, por ouvir contar a quem com ele privou, que era sobretudo um desinteresse muito grande talvez da desilusão, pelas pessoas mais sofisticadas e de classe elevada, pois era excelente companheiro dos simples e daqueles que lhe diziam alguma coisa, com quem travou amizades, como eram os companheiros de caça, do Alentejo a Trás-os-Montes e Alto Douro.
Era um homem de elevada sensibilidade, que talvez por isso se tornou uma espécie de eremita social, até algo misógino. Diz quem o conheceu, que não lhe era fácil transmitir emoções sem ser escrevendo, e pela sua pouca mundanidade e o cultivado afastamento, passava por rude, assim construindo uma espécie de carapaça, a sua defesa.
Já para o fim da vida, com alguma notoriedade intelectual e médica, endureceu ainda mais e parece que remoía o passado, e as tais desilusões ou as muitas misérias e desgraças a que assistiu.
Pela minha parte, no meu atrevimento de traça dos livros esvoaçando em volta da luz, penso que o compreendo e até quase que sinto que o conheci, tantas as ligações que consigo estabelecer ao seu pensamento escrito e a pequenas histórias que oiço contar e dele me dão uma certa imagem.
Saudações Torgueanas, cá da Cidade Morena.
Aplaudo:)
EliminarTorga é um dos meus favoritos. Acabei de ler há pouco a Fotobiografia da autoria de sua filha Clara Rocha. Dele li Os Contos da Montanha, O Novos Contos da Montanha, Bichos e Os Poemas Ibéricos. Para terminar uma citação torguiana: "É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado,mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de indignados." Miguel Torga-Diário 1961
ResponderEliminarTal como a Rosário, Torga despertou em mim o gosto pela leitura e pela escrita. Ainda estudante, li esta:
ResponderEliminar"Grande bicho, aquele Ladino, o pardal! Tão manhoso, em toda a freguesia, só o padre Gonçalo. Do seu tempo, já todos tinham andado. O piolho, o frio e o costeio não poupavam ninguém. Salvo-seja ele, Ladino".
Torga e Aquilino, os seus textos que ressumam a terra, o ar de desenfado dos bichos, as montanhas que parecem morriões intransponíveis.
Se foi uma pessoa esquiva, forreta ou arredia dos seus leitores?! Não é essa impressão que tive dele. Falei com o escritor uma única vez, ao telefone, a propósito de um prémio literário promovido em Coimbra com o seu nome. Apontei algumas lacunas, critiquei e ele concordou na maior parte, em conversa longa, pleno de bonomia. Acho que devo repetir isto, porque há ditos injustos que parecem querer empanar a fama deste grande autor, cuja escrita sempre me galvanizou.
Tirando as depredações morais sobre o feitio dos grandes (e pequenos) escritores, presumo que a obra suplanta todas essas conjecturas. Há ainda leitores que repudiam a obra por os seus autores não serem acessíveis ao convívio, o que é um disparate. Tanto assim, que falam por ouvir dizer, agindo como a água - qualquer cor as pode tingir.
Confesso aqui a minha maior e completa inveja por quem, como a Nossa Extraordinária Anfitriã e outros Extraordinários do Mundo dos Livros, caso do Caro Fernando Costa mas não só, tenha conhecimento pessoal, destes vultos que tanto admiro na sua Grandeza Literária.
EliminarAo longo da minha vida foi-me dado esse privilégio apenas um par de vezes, mas marcou-me indelevelmente, pelo que tanto os invejo!
Recordarei sempre uma tarde passada nos Biscoitos, em que longamente conversou comigo Victorino Nemésio, como se eu tivesse importância nos meus 21 anos… já o contei aqui, e hoje mais do que então me parece ter sido um marco! Aprendi sobretudo com a sua atitude, uma lição de humanidade desafectada.
Quem me dera ter podido falar ou melhor, ouvir falar, Torga!
Invejo a todos que tenham a dita de poder ter essa experiência.
Saudações saudávelmente envidiosas cá da Cidade Morena!
Desculpe-me mas penso que é costelo em vez de costeio, que é, salvo erro uma armadilha para pássaros; mesmo agora verifiquei no exemplar de BICHOS que possuo. É um lapsus calami mas faz toda a diferença, costeio quer dizer outra coisa.Não veja nisto uma crítica. Somos ambos admiradores do Torga e do Aquilino.
EliminarEste comentário é para o Fernando Costa está bom de ver. Houve um salto inusitado das teclas do velhinho computador. Sorry.
EliminarCaro Anónimo
EliminarNão se trata apenas de um lapsus calami ou de um lapsus memoriae, mas de um "lapsus copy", uma vez que resolvi recolher aquele pequeno texto de um de muitos downloads que repetem o lapso e que têm grafado "costeio", em vez de procurar o meu exemplar de "Bichos" (edição do Autor), escondido algures entre muitos livros.
Quando era pequeno conheci esse instrumento, muito vulgar em regiões rurais para apanhar os pássaros daninhos (isto faz-me lembrar "A Maldição Cubra os Pardais", de Aquilino ou o costume do Domingo do Anjo). Então tinha como designação do "instrumento" costilo ou costilho, embora eu pronunciasse costil. Costeio é gralha, cuja devia ser apanhada por um costelo ou costil.
Curiosamente não encontro "costelo" na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, nas entradas que no 7º volume (pág. 913) se situam entre costeleta e costinha (costela).
Agradeço a sua intervenção, porque fica esclarecido este pormenor, salvo a existência do vocábulo costelo, provavelmente comum em S. Martinho da Anta, Sabrosa.
Caro Pacheco
EliminarÉ um facto que apenas falei ao telefone com o médico escritor, como disse a propósito de um "prémio internacional Miguel Torga", em 1984. Havia lapsos no regulamento, a coisa não me pareceu perfeita e mandei o caso "às malvas". Dei conhecimento ao patrono e fiquei por aí. A forma simples como aceitou as críticas e sugestões, o longo diálogo que tivemos, deixou-me a sensação contrária ao que dizem de um homem distante e pouco acessível. Ao contrário de hoje, que muitas vezes nem sequer respondem quando criticamos ou sugerimos, foi assim comigo nesse caso, talvez por Torga/Rocha ser de um tempo em que o diálogo ainda era uma forma de educação e convívio.
Saudações do planalto, com temperaturas de 20 graus junto ao computador e 8 graus para lá das janelas!
Vou meter a colherada passareira… o nome dessa ratoeira, cujo formato faz lembrar a peça açougueira, é em português "costela". No Norte, é usual chamarem-lhe "costelo", mas diria que é regionalismo e portanto talvez menos corrente nos dicionários.
EliminarCostilha (do castelhano costilla) é nome corrente também nas zonas raianas, segundo tenho ouvido muitas vezes.
Abraço não-armadilhado!
Ora aqui está… fui guglar, e aprendi um novo termo…
Eliminarcos·te·la |é|
(costa + -ela)
substantivo feminino
1. [Anatomia] Cada um dos ossos curvos que formam a cavidade do peito.
2. [Botânica] Nervura principal de algumas folhas. = COSTA
3. Espécie de armadilha para pássaros. = COSTELO, COSTILHA, PESCÓCIA
"costelas", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/costelas [consultado em 13-11-2019].
Está esclarecida a dúvida sobre "costelo". De todo, nunca "costeio", como cheguei a encontrar em alguns pdf's na net.
EliminarTorga não se enganava. Era muito criterioso nas suas obras, de que era editor, o que elevava a minha admiração por ele. Ali não havia pormenores na capa (brancas como a neve) ou outro tipo de chamariz. O conteúdo equivalia e equivale a ouro literário.
A propósito dos costelos, costis, costilhas ou percócias, só sei que um dia fiquei com os dedos entalados naquilo; o que valeu foi a mola estar frouxa! Tinha a mania de armar os "costis" (plural de costil, na altura) para lhes lançar paus para cima, só para os ver saltar!
A temperatura, no planalto, desceu para os 5 graus, embora a net ainda aposte nos 8. Cumprimentos mais acalorados desta terra de guerreiros.
Caro Fernando,
EliminarSou mais um apaixonado por Torga e pelas terras (algumas) que calcorreou "como um doido".
Possuo algumas das suas obras e revisito-as amiúde, como faço com os discos dos idos de 60 e 70.
Ao ler os inevitáveis comentários, interessou-me particularmente a interpretação dada ao vocábulo costeio. Desde logo ajuizei que a pena que havia escrito o Ladino não conduziria o leitor para uma interpretação tão dúbia; podia lá ser, cogitei, que " ... o piolho, o frio e o costeio" estivessem ao mesmo nível na selecção natural da espécie!
Ora, costeio, vem de costa, costear, costeagem, fazer a costa, ou seja: atracar, largar, uma, duas, centenas de vezes, milhares de vezes, sempre na labuta, no vai-vem da vida, que necessariamente desgasta, enfraquece e, com a idade, mata.
Por feliz coincidência, estou a ler "Uma Luz ao longe" de Aquilino, e quando folheava para dar inicio ao capitulo X, logo no seu inicio, leio; "Um, dois, três anos e na levada do tempo a minha meninice foi costeando, mais festas e mais férias, mais febrículas religiosas com o alternativo regresso à vida pagã...". Ora aqui está, assim o interpreto, o verdadeiro significado de costeio, e que cai como uma luva na descrição do Torga e do seu Ladino.
Espero ter ajudado à compreensão do texto, ou pelo menos, ter deitado umas achas para o lume que se quer aceso.
Cá no Douro Litoral, chamamos CANASTREL,à armadilha composta de pequenos ramos que se entrelaçam em forma de pirâmide, e que colocada no terreno com o isco, serve para apanhar melros, principalmente. Assim o fiz e construía na minha meninice para poder depois ter melros cantadores na gaiola para gáudio dos melómanos.
Melhores cumprimentos e boas leituras
Jaime Dias
Caro Jaime
EliminarAgradeço a sua interpretação relativamente ao vocábulo, pelo que vim até este espaço quando, daqui a pouco, tenho de ir dar uma aula de História aos meus seniores.
Infelizmente não encontro o meu exemplar de "Bichos", supondo a minha mulher que o emprestei, mas já não sei a quem. Daí ter escolhido aquele trecho, copiado de um pdf da internet (e rebuscado posteriormente noutro) em que encontrei costeio. Surgiu posteriormente um oportuno comentário de um(a) Anónimo(a) onde se diz que encontrou grafado costelo.
O caso é interessante, tanto mais que o Jaime encontrou o mesmo vocábulo em "Uma Luz ao Longe", de Aquilino, que remete, de facto, para o pormenor e significado que aponta, deixando de fora o caso da armadilha para pássaros.
"O piolho, o frio e o costeio não poupavam ninguém". As duas interpretações teriam substância e seriam plausíveis em ambos os sentidos - o costeio (armadilha) não poupava ninguém no mundo dos pássaros; o costeio com o sentido de andar em volta, circuitar (Enc. Portuguesa e Brasileira, vol. 7, p: 911/COSTEAR), a que soma a proposta aquiliniana de circuitar, vaguear, se bem que menos plausível, não pode ser descartada.
Haverá quem considere este assunto do género "lã de cabra", sem importância. Mas o certo é que a tem, pois trata de um termo que parece um neologismo e não é.
Obrigado pela sua achega e desejo-lhe igualmente boas leituras.
O problema dos editores é que eles só espreitam os livros; não os lêem.
ResponderEliminar1 - Há quem tenha dito que Torga tinha uma cara cortada à faca de tanta dureza até nos traços. Um dia houve uma colega do curso que lhe disse "És um tipo rude, escusavas de me tratar assim" e ele respondeu-lhe que "É ternura, sua bruta".
ResponderEliminar2-Uma vez em Coimbra, íamos (c/seu amigo António Arnaut) ver uns painéis de Guilherme Filipe e um homem com aspecto de aldeão cruza-se connosco e pergunta onde é que ficava determinada rua. E Torga virou-se para nós e disse-nos "Esperem aí que eu vou lá com o homem", pega-lhe no braço e foi levar o homem até ao sítio.
(de UMA LONGA VIAGEM COM MIGUEL TORGA -João Céu e Silva).
Ó Severino, não tinha conhecimento desse livro!!!!
EliminarVou procurar, pois deve ser interessante!
Abraço!
É um livro muito interessante pois ficamos a saber muito sobre Torga, há muitos depoimentos de pessoas amigas (não tinha muitos amigos) que conviveram com Torga que nos revelam pormenores que nos ajudam a comprovar como afinal era um homem de grande carácter.
EliminarHá um depoimento que certamente muito te interessará, o do seu melhor amigo que com ele caçava.
Do mesmo autor (João Céu e Silva) também gostei imenso de "Uma longa viagem com José Saramago" e de "Uma longa viagem com António Lobo Antunes".
Torga é uma referência. Cheguei-lhe por acaso. Num dos acasos felizes que na biblioteca itinerante da Gulbenkian, desconhecendo tudo de escritores portugueses menos o livro de leitura e As pupilas do senhor reitor, me fez escolher um dos volumes dos "Diários". Seduziu-me por inteiro. E, durante meses, procurei o restante. Só consegui lê-los por completo no acesso à faculdade quando era leitura obrigatória. Aí, a biblioteca disponibilizou-me a leitura integral. Que mais tarde comprei. Creio ter lido todos os livros. Mas faltam-me ensaios e artigos vários. O Torga que conheço das obras é pessoa íntegra e indefectível. O resto não me interessa.
ResponderEliminarGosto de todo o Torga, do poeta, do ficcionista e do ensaísta.
ResponderEliminarAcho que tudo começou com "Os Bichos"...
O escritor felizmente conseguiu apagar o "médico e o cidadão forreta". :)
Miguel Torga nasceu e veio a falecer, na mesma "aldeia" em que nasceu o meu Pai, e era amigo do meu avô paterno!
ResponderEliminarAinda HOJE, em S. Martinho de Anta - Sabrosa - há quem o recorde com saudade!
É nessa Localidade que quero viver os últimos momentos da minha vida!
Vou fazer o possível para que assim me suceda!
Não consigo alçar o meu comentário à autoridade dos anteriores, não tive a sorte de o conhecer, de falar com ele. Apenas de o ler. Existem autores que nos enchem a alma e nos ajudam a crescer como homens e mulheres de verdade. Tenho a imagem de um homem austero, frugal, verdadeiro e, sobretudo, justo. Uma justiça que está para além do mero preceito, da lei ou da norma. Uma justiça que acolhe, integra e concretiza a natureza humana. Torga ensinou-me a olhar as pessoas como elas são, não o que pretendem ser, ou dizem ser; a atentar nas suas aspirações, expectativas, anseios, sentimentos. A relação dele com os pais, para mim, retratada nos diários, é de uma franqueza, de um amor filial tão forte que ainda hoje me impressiona.
ResponderEliminarInfelizmente, alguns autores cairam em desuso, talvez por falarem dos temas que realmente importam mas que exigem que pensemos, com profundida, se o estilo de vida que temos nos completa e faz felizes, como seres humanos. Sem dúvida, Torga e Aquilino, mestres. Tão só.
Obrigado e bem hajam porque a maioria dos blogs é só tolices.
Caro Anónimo - lá terá as suas razões.
EliminarGostei muito de ler a sua avaliação ou descrição do autor! Comungo inteiramente da sua opinião.
Saudações cá da Cidade Morena.
Pois é, ó Pacheco, com esta amena troca de ideias e impressões, o que enriquece este blog para além das excelentes peças (detesto a palavra post, lembra-me os dos fios eléctricos) que nos traz a incansável Rosário, passou-me despercebido o "em tempo" que a anfitriã acrescentou. Andaria eu distraído ou terá a Rosário colocado o em tempo fora do tempo, o certo é que passou de largo aos visitantes (pelo menos a mim, e peço desculpa por dizer isto).
EliminarÉ interessantíssimo o programa: Pessoa como fulcro da iniciativa, as actividades promovidas, os debates, os passeios. Cinco estrelas. Às vezes dá-me para pensar que eu e o amigo Pacheco estamos à mesma distância da nossa capital.
Para acrescentar mais um trecho de Miguel Torga, aqui vai um pouco do Bambo, esse batráquio assim descrito com esta candura e imaginação:
"Bambo, o sapo! Criou-se ao deus-dará, como tudo o que é
bom. Sem pressas, confiado no tempo e na fortuna, foi estendendo
a língua pelos anos adiante até se fazer o homem que depois era,
largo, grosso, atarracado. Trouxe logo do berço os olhos assim
saídos e redondos, e aquelas pernas de trás em dobradiça, no
mesmo instante um banco ou uma catapulta".
Mesmo quem não goste de sapos - e só os aprecie nos Serviços MEO/pt, que mais se afigura uma rã - decerto passará a adorar os bicharocos.
Espero que este comentário ainda encontre o Pacheco acordado. Caso não esteja, uma boa noite de sono é o que lhe desejo.
Já estava mesmo recolhido… embora muitas vezes trabalhe noite fora, com os nossos projectistas no escritório em Sacavém, deito-me pelas 22- 22.30, pois acordo às cinco. Aqui começa tudo muito cedo e é de manhã que se vai ou encontram as pessoas, até às 12 horas!
EliminarComungo inteiramente daquilo que diz, apenas faço que notar que, na actualidade e Graças a Deus ou à Ciência do Homem, apesar de tudo estamos à distância de uma tecla!
Votos de um Bom Dia aí pelo Planalto Beirão, onde se sente já a rijeza da época!
E por falar em sapos… por onde andará o nosso Extraordinário Comparsa, de Amarante?
EliminarTenho saudades dele e da sua comedida sensatez, das observações justas e ponderadas!
Embora o assunto seja perpendicular ao texto e comentários sobre Torga, é pertinente a questão colocada pelo Extraordinário Pacheco. Desta forma, espero não contrariar a Rosário, colocando a mesma pergunta e desejando que tudo esteja bem com ele, o Joaquim Jordão de Amarante.
EliminarPelas suas intervenções, é um Extraordinário que gosta de livros, sabe falar sobre eles e muito mais, é de facto um bom e pacífico comentador (mais do que eu, enfim).
Prefiro imaginá-lo a apanhar o ar puro na ponte de S. Gonçalo, sobre o Tâmega e que a sua ausência seja por motivos apenas por razões de vida e afazeres pessoais.
Eu também fiz uma "travessia no deserto" durante algum tempo; deixei de frequentar esta "Casa" da Rosário, esqueci nas areias um pseudónimo, parece que vim um pouco destemperado (do sol, provavelmente) e até me dá para comentar em textos, por vezes esbanjadores e inadaptados, que são superiores em espaço e número de caracteres à peça principal, da Autora, o que não será de bom tom, digo eu...
Amigo Pacheco
EliminarComo tenho costela detectivesca, andei a rebuscar com a ajuda do dr. Google (o meu Watson) e encontrei um Joaquim Jordão em Amarante. É arquitecto, tem nº de telefone (que não atendeu), pelo que não sei se se trata da mesma pessoa referida.
(Isto já parece um forum!...)
Gostava mesmo de saber dele!
EliminarEsperemos que esteja tudo bem e apenas se tenha cansado de nos aturar e até mediar alguma intervenção mais acalorada.
Pode ser que com as nossas provocações, saia da toca… mas isto com o frio que já aí faz, pode ser difícil!
Há termos comuns que mudam de género conforme a região do país. No interior-centro também se diz costela, ao contrário do interior-norte, onde se diz costelo. O ponto mais alto de uma serra ou outeiro é um picoto, mas no Algarve é uma picota. Deve haver outros casos e eu gostava de os conhecer.
ResponderEliminarAi… são tantos, mas tantos, os casos que eu conheço, nas minhas actividades agrícolas, pecuárias, cinegéticas e gastronómicas, que daria quase para um livro, pelo que imagino o que será em todo o restante Universo de práticas, profissões, artes, ofícios… e pode ainda acrescentar o facto de o Norte ter a usança de ainda acrescentar o diminutivo "zinho/a" a tanta coisa (ou coisinha…) eheheh!
EliminarÉ no fundo ainda a riqueza da diversidade imensa de um país tão pequeno que sempre me deixa maravilhado!
Abraço cá da Cidade Morena!