Rapazinho com cem anos
Já ouviu falar de Lawrence Ferlinghetti? Se não costuma ler poesia, é natural que não, embora seja um dos nomes mais importantes da Beat Generation em matéria de poetas (com Allen Ginsberg, autor do famoso Uivo, e Gregory Corso). Mesmo assim, é difícil que não venha a ouvir falar dele nos tempos mais próximos em Portugal. É que o senhor Ferlinghetti (faço a devida vénia quando escrevo «senhor»), quase a completar cem anos, sabe-se lá como ainda conseguiu sacar um livro da cartola. Surpresa das surpresas, desta vez trata-se de um romance! Ao que parece, é semi-autobiográfico e preenchido por memórias do escritor. Chama-se (que título tão bonito) Rapazinho, e o agente de Ferlinghetti (que também já tem a linda idade de 98 anos) já o vendeu em não sei quantos países. Por cá, sai na Quetzal, que, ao anunciá-lo, refere: «É uma fonte de conhecimento literário com alusões ao mundo e à vida literária do autor, à sua geração, e um convite ao maravilhamento. Um romance leve, luminoso e destinado a recordar o mundo como ele devia ser.» Vamos ter de conferir.
Em tempo, a pedido da Maria, ponho a capinha.

Eu costumo ler poesia mas nunca ouvi falar neste Rapazinho Lawrence (gosto muito deste nome).
ResponderEliminarSe é uma fonte de conhecimento literário, lá terei que ir espreitá-lo (e talvez comprá-lo) quando for à cidade :)
Rosário, gosto muito quando põe aqui as capas dos livros.
🍃🍁
Maria
"Se é uma fonte de conhecimento literário, lá terei de ir espreitá-lo (e talvez comprá-lo)".
EliminarFarto-me de rir.
Fico feliz por si, dizem que rir faz muito bem
EliminarMuito obrigada, Rosário :)
EliminarGosto muito da capa e o Little Boy é um Old Boy todo charmoso
Claro que o querido anónimo está a rir-se e a pensar: "Olhamésta, vai comprar um livro pela capa!"
Pois vou!
Não só pela capa, mas também
🦋
Maria
A Relógio D'Água editou há três anos um livro dele, "A Poesia Como Arte Insurgente". É mais um manifesto sobre a poesia do que propriamente um livro de poemas, mas vale a pena descobrir.
EliminarO "jovem" Lawrence Ferlinghetti, para além da bonita idade que o levará (espero) a soprar 101 velas no próximo dia 24 de Março, tem algumas particularidades que me agradam: é escritor (principalmente poesia); é pintor; é editor; gravava em vinil o que escrevia e lia; tem cerca de quatro dezenas de livros publicados; é contestatário; é oriundo de família italo-portuguesa; pelo que consta, com uma memória resistente ao rolar dos anos.
ResponderEliminarEnfim, por falar em particularidades, parece-me que tenho algo em comum, à excepção do talento (o dele é muito maior), da família (a minha é cem por cento lusa), não gravo fonograficamente o que escrevo (se para alguns já é penoso ler-me, que faria ouvir-me!); em contrapartida, tenho mais obra publicada, mas falta-me chegar à sua fasquia centenária, uma vez que não me poupo para isso.
De resto, há mais uma coisa em comum: ainda não tinha ouvido ou lido sobre ele, a não ser hoje; ele nem sabe que eu existo, e não lhe faz falta nenhuma.
Se tivesse cinquenta livros publicados mais genial seria! E sessenta?! Desde quando a qualidade está na razão directa do volume de obra produzido?
EliminarEu só tenho um livro publicado, mas sublime. Qual Rilke qual quê! O meu nome jamais será esquecido. Para que conste.
Não consta nada para nós, caro Anónimo, uma vez que nem sequer diz o título dessa sua obra sublime. Provavelmente, a crer no que afirma, a posteridade outorgar-lhe-á justiça, esperando eu que o possa fazer em sua vida para receber o justo prémio do seu trabalho.
EliminarO "Rilke" apenas publicou em vida dez obras (uma outra, saiu postumamente).
A quantidade não é qualidade, concordo inteiramente consigo. E eu que o diga!
Só um livro publicado?
EliminarMas em comentários ninguém o bate...
😅😂🤣
Deve estar a referir-se ao seu homónimo, embora o comentário surja sobre o meu (ou infra, pela ordem de publicação). E se sabe quem é o seu homónimo, apenas pela "imbatível" forma de comentar, temos detective na costa.
EliminarSabe que anónimos somos muitos! Até há muitos anónimos que assinam, com um verdadeiro ou falso nome.
EliminarPor falar em anónimos, já leu "Submundo" de Don DeLillo? É sobre os anónimos que fala e também sobre o lixo. Aconselho. Mas quem sou eu para aconselhar? Um anónimo. Lixo.
Bom, a pedido de várias famílias vou deixar de me esconder atrás do anonimato. Ao fim e ao cabo tenho um livro sublime já publicado, de que muito se falará nesta vida (e na outra também).
EliminarEu sou o Arturinho.
Retorno para o informar que não li qualquer obra de Don DeLillo. Não tenho tempo para tudo, procuro ter alguns critérios... De qualquer forma, o rosto de Don DeLillo, a fisionomia, é parecida com Bolsonaro.
EliminarNinguém é lixo e muito menos por optar pelo anonimato.
Se já contentou o pedido de várias famílias, Arturinho, espero que continue a publicar obras como essa que diz, talvez atinja o centenário do Lawrence. Quer queira, quer não, se ainda o não foi antes, já se começou a falar nesse seu livro, sem que lhe conheça sequer o título.
EliminarQuanto à Beat Generation, aos Kerouac, Burroughs, Ferllinghetti..., tem qualquer coisa que me faz bater em retirada. Já sei o quê: a cultura pop.
ResponderEliminarSim, um século pessoal (e não só...) para celebrar - the art of the heartbeat(nick)!
ResponderEliminarPost scriptum - obrigado pela generosidade e disponbilidade há dias na Biblioteca de Perosinho.
... falta um i na 5ª palavra do p.s.
Eliminar