O que ando a ler
Ando a ler livros curtos, porque estou numa fase de muito trabalho e só tenho aqueles minutinhos antes de dormir para ler umas páginas. Voltei a Julian Barnes, um dos meus escritores favoritos, e leio um livro (Os Níveis da Vida) que trata de uma questão que sempre me interessou muito e sobre a qual, de resto, escrevi nos meus poemas: o que acontece quando se perde para sempre a pessoa amada? Barnes começa por falar de balões de ar quente, de fotografia e da fabulosa Sarah Bernhardt, por quem se apaixonou o coronel Fred Burnaby, mas em vão; porém, acaba a escrever sobre a própria viuvez, o luto, a raiva, as reacções dos amigos ao seu desgosto e à sua recuperação (mas é possível recuperar da morte de alguém que se amou tanto?), as conversas que ainda mantém com Pat, a mulher com quem foi casado anos a fio e que lhe desapareceu em apenas 37 dias, entre o diagnóstico e a morte. Como sempre em Barnes, a inteligência é acutilante e não há lamechice nem goduras. Este é um livro especial com que me indentifiquei e que nos ensina muita coisa sobre o sofrimento e a separação de duas pessoas que, quando estavam juntas, tinham realmente um caminho comum. Querido Barnes.
Adorei ler esse livro, foi talvez o meu preferido do Barnes.
ResponderEliminarEu acho que já disse aqui que li 'Uma Vida Inteira' do Robert Seethaler (lê-se num fôlego) e o 'Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos', da recém nobilizada Olga Tokarczuk - e foi uma boa surpresa: um livro diferente (até bizarro) mas que também li num ápice; e são quase 300 páginas.
Quero ler mais coisas dela.
Nesto momento, vou alternando as Memórias da Lucia Berlin (Bem-vinda a casa) com a Biografia do Leonard Cohen (I'm your Man): duas vidas muitíssimo interessantes.
E a pilha dos livros para ler não cessa de aumentar... 🤔
⚘
Maria
Ando a ler O Grande Meaulnes de Alan Fournier, (O Tempo das Ilusões Perdidas) livro que perseguia há muito tempo e estava esgotado na edição portuguesa. Ando a ler também Máquinas Como Eu do Ian Mcewan, para o Clube de Leitura da Portela; não estou a gostar nada ao contrário do seu Na Praia de Chesil. Acabei de ler a biografia de Jorge Amado de Joselia Aguiar. Na forja estão Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas.
ResponderEliminarCuriosamente também estou a ler um "livro curto", de um autor que nunca lera (Afonso Cruz - "O Pintor Debaixo do Lava-loiças"). Ainda vou no começo. Apenas posso dizer que se trata de uma escrita diferente, com algum humor e uma aproximação ao "realismo mágico".
ResponderEliminarAntes li dois livros seguidos do mesmo autor, o Arturo Pérez-Reverte: "A Tábua de Flandres" - a minha filha leu-o para a escola e eu aproveitei a embalagem - e a "Sabotagem". Antes começara um dos seus livros "históricos" e fiquei pelos primeiros capítulos (nem me lembra o título...). Gostei muito de lhe ter dado uma segunda oportunidade, totalmente merecida, para os dois. :)
Ou seja, recomendo estas duas obras, com um conteúdo próximo do policial. Se o primeiro nos fala dos "truques" do mundo das artes e das nossas vidas, o segundo viaja pela Europa, com a Espanha em Guerra Civil (até nos aparece o Picasso como personagem secundária...) e a Segunda Guerra Mundial à porta...
Afonso Cruz-belíssimo escritor!
EliminarConcordo em absoluto!
EliminarRui Miguel Almeida
Neste momento leio história, muita história, que a História é reencontro com memória(s) e bem precisamos dela(s) nestes tempos cinzentos.
ResponderEliminarE depois li num ápice um livrinho de Peter Handke, "Os Belos Dias de Aranjuez"; bem como "Viagens" de Olga Tokarczuk.
Dois bons autores, literatura sólida, com vantagem para o segundo.
Ah, literatura sólida é aquela que não liquidifica ao fim da primeira leitura
Eliminarpara o que muito contribuiu a excelsa tradução do Handke, Pedro Sande, s'il vous plait :) :)
Eliminarnão sõu anónimo nenhum, chamo-me MªManuel Viana.
EliminarMaria Manuel Viana: o seu a seu tradutor. E excelsa, com certeza. Além do mais só um escritor pode e deve traduzir. Nota-se sempre a diferença. Obrigado e um abraço.
Eliminarabraço grato, Pedro.
EliminarDepois de colocar um post no meu blog sobre livros excomungados, retorno à leitura repetida de "O Malhadinhas", de Aquilino Ribeiro, escalpelizando os longos parágrafos, por motivos de trabalho. E assim começa a semana, se bem que a segunda feira não é o começo da semana, mas o domingo.
ResponderEliminarTem piada. Acabei de ler pela enésima vez a novela O Malhadinhas, desta vez incluída no livro de contos do Aquilino "Caminhos Errados", sem saber que nesta altura fazia parte deste livro, que me faltava para a colecção aquiliniana.
EliminarÓ Caríssimo Fernando Costa qual é o seu blog?
EliminarBasta clicar no nome "Fernando Costa" que aparece como indicador da autoria do comentário. A tecnologia leva-o directamente para lá, aliás como acontece com todos os comentadores que se identificam a partir dos seus blogs.
Eliminarfoi também assim que descobri dois blogs de grandeza extraordinária - o "Largo da Memória" e o "Cais do Olhar", ambos da esfera da blogspot, tal como o meu.
Na realidade, "O Malhadinhas" foi publicado, pela primeira vez, em "A Estrada de Santiago" e, posteriormente, em 1958, com "A Mina de Diamantes" (de que possuo um exemplar em papel que parece de embrulho).
EliminarEsta personagem, que o o Autor colocou a narrar na primeira pessoa as suas aventuras - António Malhadas - existiu mesmo e uma das situações em que se viu perseguido pelas autoridades por ter atacado um homem à navalha (desonrara a neta), foi então até narrada como notícia num jornal de Viseu. Possuo desse Malhadas (apelido Malhada, não alcunha) uma fotografia que se encontra reproduzida na obra de um amigo meu, o Júlio Rocha e Sousa, monografia sobre Vila Nova de Paiva (que que se chamou Barrelas).
É uma obra que, tal como o Anónimo, já li pela enésima vez; desta, porém, tem de ser mais pausada, uma vez que tenho de apresentar o trabalho antes da Feira de S. Mateus.
Sem dúvida, dois belíssimos blogues.
EliminarParabéns pela obra em BD, Fernando.. Dei uma espreitadela ao blog.
EliminarPor causa do Festival Amadora BD que terminou este fim-de-semana, andei a ler umas pequenas obras de uma autora promissora na BD - Rita Alfaiate. "No caderno da Tangerina" e "Tangerina" que se leem num instante e são muito bons.
Ando ao colo com um calhamaço de 1200 páginas do repórter Robert Fisk "A Grande Guerra pela Civilização" que vou lendo aos pouco e que vai demorar um pouco. Para entender melhor a confusão geo-política do Médio Oriente.
Agradeço-lhe a sua apreciação, Henrique. Tenho um blog mais dedicado às letras e outro ao desenho e à BD. Das 80 obras publicadas, apenas 14 são de BD (entre álbuns e graphic novels). é uma segunda paixão que, por vezes, passa a primeira. Como costumo dizer, da escrita ao desenho tenho muitos amores, pelo que não sou fiel a nenhum (ou a qualquer um).
EliminarTalvez um dia destes me decida a editar os cartunes (cartoons) que desenhei para um semanário de Lisboa, uma vez que nunca abdiquei dos direitos sobre eles.
Da Rita Alfaiate, acabei de ler há pouco tempo o "Ensaio sobre a Incoerência Estilística" - o último vocábulo parece estar na moda - editado pela Escorpião Azul. Também já li "A Tangerina", lançado no Festival de Beja, e o "Caderno de Tangerina", este que precede o título apontado antes.
Esse livro do Robert Fisk não o li, embora me pareça que seja uma obra sobre história contemporânea, de fôlego. Sobre a Grande Guerra (assim ele denomina os conflitos do Médio Oriente) é um tema que me interessa. Agradeço-lhe a dica...
Henrique, esqueceu-me de dizer que sou um maluquinho por sketch's, pelo que há muito vou consultando o seu blog. É um exercício que também costumo fazer em viagem, retendo impublicáveis muitos sketchbooks, a cores e a preto. Só não utilizo mais a técnica porque, quando estou no exercício, os "mirones" não me largam, bombardeando-me com perguntas e exclamações de apreço. Enfim, não me incomodam de todo, porque ainda me rejo pelas leis da urbanidade, mas não me sinto à vontade.
EliminarNunca recorro à fotografia, preferindo sempre o desenho à vista, o ar puro, o ambiente...
Li "Desgraça", de J.M.Coetzee e estou a ler "O Terceiro Reich", de Roberto Bolaño.
ResponderEliminarO 1° põe em confronto duas situações do mesmo problema importante na atualidade. O 2° vai expondo formas de ser e de relacionamento no estilo de registos diários, mas a atividade do narrador (jogos de guerra) e o título estão a criar-me suspeitas de adensamento. Nada melhor para um romance.
Eu acabei de ler "A Mulher de Cabelo Ruivo" de Orhan Pamuk e estou a começar "Léxico Familiar" de Natalia Ginzburg. Ah, pelo meio li "A Erva das Noites" do Patrick Modiano, un livro pequeno, mas não gostei.
ResponderEliminarEm contrapartida eu ando a ler um livro que tem 750 páginas
ResponderEliminarE o livro tem nome?
EliminarOu é um livro em branco?
Milady
Até sempre meu amor da Lesley Pearse
EliminarEstou a ler Ulisses de Joyce. Imaginei-o como autor desconhecido nos tempos de que correm e perguntei-me se alguma editora pegaria nele.
ResponderEliminarLi há já muitos anos a tradução brasileira do Houaisse, peguei na tradução portuguesa mas não consegui chegar ao fim. Achei aborrecido, sem açção embora se passe no espaço de um dia. Se o John Huston pegasse nele para um filme talvez surgisse uma grande obra como é o caso de "The Dead".
EliminarNos anos 60 foi feita uma adaptação para cinema do "Ulisses". Penso até que está disponível no YouTube.
EliminarObrigado pela informação; desconhecia.
EliminarEntretanto uma pergunta para quem souber responder: há em Portugal Agentes Literários?
ResponderEliminarSim, existem. A "Ilídio Matos" já tem uns aninhos, e é altamente qualificada. Depois há outras mais recentes, como a da Rita Fazenda. Mas atenção, é preciso ter cuidado, pois muitas delas depois querem ganhar dinheiro com as vendas...
EliminarObrigado. Faz de facto falta a figura do Agente literário em Portugal. Claro que a figura de leitor faz mais falta ainda
EliminarO que é, concretamente, um Agente Literário? (não sei, sinceramente).
EliminarBasicamente os agentes literários vivem à custa de meia dúzia de escritores firmados que, não tendo hipótese de sobreviver com as vendas dos livros, fazem críticas e pareceres de originais, que depois seguem para as editoras que eles [os agentes] acham ser capazes de o aceitar. Claro que essas agências não têm muito interesse em enviar imediatamente, primeiro querem que gastem bastante dinheiro com os serviço que dispõem, não só da crítica, como se revisão, limpeza, enfim, aquelas coisas todas que supostamente vão dar um ar mais profissional ao original para que depois sejam aceites pelas editoras.
EliminarObrigado pela sua clara explicação.
EliminarO que não me parece nada claro é a actuação dos intervenientes em tal "negócio" que me parece um grande imbróglio e, diga-se de passagem, nada transparente (ou serei eu que estou a ver mal?)
Deste mundo (negócios de editoras e tudo o que anda à volta devo no entanto confessar que não sei nada de nada), sei de livros (ou penso que sei).
A ler Astronomia, de Mário Cláudio. Já tinha lido três livros do autor, e gosto muito da sua escrita, mas este está deveras a arrebatar-me. Trata-se de uma autobiografia em forma de romance. Maravilhoso. Estou curiosa também quanto ao "Tiago Veiga" - li, algures, ser o preferido do autor.
ResponderEliminarana b.
Ah, esqueci-me de dizer: Barnes é também um dos meus autores preferidos.
Eliminarana b.
Estou a (re)ler "SOLDADOS DE SALAMINA" de Javier Cercas. Sobre a Guerra Civil de Espanha (um soldado republicano, que faz parte de um pelotão de perseguição, fica frente a frente a um militar fascista em fuga e não o mata, deixando-o fugir).
ResponderEliminarJavier Cercas transforma esse soldado, que teve um gesto de piedade, num herói.
Da primeira vez que o li, não tinha gostado; é a tal segunda oportunidade que dou a um livro e não estou a desgostar, embora, por enquanto, não esteja entusiasmado.
Caro Severino,
EliminarTenho esse livro, comprei-o tão somente pela crítica elogiosa que lhe fez Vargas Llosa. Passei-lhe os olhos há uns anos e deixei que fosse sendo ultrapassado na pilha dos livros por ler. A ver se lhe dou uma hipótese a sério um destes dias.
Rui Miguel Almeida
Gosto do tema Guerra Civil de Espanha - alguém me recomenda um grande livro sobre a mesma?
EliminarSeve
Eliminar"O Adeus às Armas" de Hemingway, mas esse já deve conhecer; ou então "Por quem os Sinos Dobram", do mesmo autor. Quando era novo, o primeiro fez-me vir as lágrimas aos olhos... E não foi a rir.
Também tem um livro que foi Prémio Goncourt (embora, para mim, prémio não significa coisa alguma), que é "Nada de Lágrimas" (Pas Pleurer) de Lydie Salvaire. Já ouvi falar, fui confirmar, mas ainda não li nem o possuo, até ver.
Homenagem à Catalunha, de George Orwell;
EliminarA Esperança, de André Malraux
Não li ainda nenhum destes dois mas vão já para a lista...só que, como muito bem diz o cp, tenho mais livros que barriga.
Eliminar"A Voz Adormecida", de Dulce Chacón, que foi livro do ano em 2002 na Espanha. é sobre as mulheres na guerra civil espanhola.
EliminarIsto vai a conta-gotas, ó Seve.
A ler Milkman, de Anna
ResponderEliminarBurns, que ganhou o Man Booker Prize de 2018 e um outro. Teve excelentes críticas. Estou a gostar muito, sem me deslumbrar. Com ironia e sentido de humor, numa escrita de aparência fácil, revive os tempos conturbados da Irlanda do Norte nos anos 70 e 80. Recomendo.
Rui Miguel Almeida
Boa tarde com alegria
ResponderEliminarAproveito este comentário para "pensar em voz alta", não tanto sobre o que leio mas sobre o que vou ler.
Acabo "O mito do futebol" por Desmond Morris e estou com vontade de avançar para "O macaco nu", do mesmo autor.
Leio uma carta por semana, de CS Lewis. Falo de "The Screwtape letters". Gosto de leituras epistolares para entremear a falta de tempo.
Amadurece na estante "Pós Guerra" de Tony Judt, comprado na defunta Pó dos Livros. Uma utopia? Não, possivelmente um companheiro de fárias grandes.
Na estante figura também "A única história", do citado Barnes, que não conheço, mas que ofereci a minha cara metade. Foi a forma ardilosa que arranjei para não ser criticado por ter mais livros que barriga.
E mais haveria para dizer, assim houvesse tempo. E dinheiro.
Boas leituras
cp
Estou mesmo a precisar de fárias
Eliminarcp
Ó caro cp essa de "tenho mais livros que barriga" é uma autêntica pérola que, estou certo, se aplicará a todos os extraordinários!
EliminarUm abraço e grato pela pérola.
Bom:
ResponderEliminarAcabei de ler "Leva-me contigo" de Afonso Reis Cabral.
Até já conversei com ele, por mail, acerca do livro e dele-mesmo... a impressão com que fiquei dele foi ainda melhor, porque é uma Pessoa, um Ser Humano, educado, esclarecido e com humor. Mais ou menos da idade do meu filho, só digo que ele é o filho que muitos de nós gostaríamos de ter.
Volto a repetir: Vamos ter Escritor!
Leva-me contigo, é um livro extremamente simples e directo, ligeiro até, mas que revela de facto o lado humano de quem escreve e sobre quem escreve. Não virá a ser um clássico, um dia que o autor seja famoso será até mais uma curiosidade do que outra coisa será, mas está bem escrito, com garra, com humor, com uma excelente capacidade de observar e de descrever. Será um exercício para algo que ele ande a tramar? É capaz… e defendo que um autor deve não só cultivar mais do que um género, como sobretudo um escritor tem de sair do escritório, da sala ou do café e ir para a rua, literalmente, pois é lá que andam as pessoas e que acontecem as coisas.
Recomendo vivamente, não como livro de fundo, mas para passar tempo de uma forma muito agradável, pois o Afonso leva-nos mesmo com ele e ficamos amigos!
Estou a ler, "A serpente do Essex", de Sarah Perry. Um livro de mistério que trata de um mito, e, de costumes (Inglaterra final do séc. XIX) uma época que acho particularmente interessante.
Achei que seria um livro para ler nesta fase, e creio não me ter enganado. Ainda vou no princípio, porém os personagens já me conquistaram o que é bom começo! A acção… vamos ver, mas a expectativa é elevada!
Está bem escrito (considerado o Livro do Ano 2016 pela Waterstones), e é de fazer notar que me parece igualmente Bem Traduzido, o que às vezes prejudica a obra e me vem acontecendo com alguma frequência ultimamente.
Gostaria de estar a ler a biografia de Jorge Amado, mas vou ter de esperar…
Saudações cá da Cidade Morena!
Ó Paxeco tás armado em Anónimo...ou andas a dormir na forma (há quanto tempo não ouviss esta?)
EliminarEsta coisa de vez em quando remete-nos ao anonimato… tens razão!!!!
Eliminar"Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos", de Olga Tokarczuk, e "O apelo da tribo", de Mario Vargas Llosa. E, na poesia, "A vida em chamas", uma colectânea do grande poeta espanhol Luis Alberto de Cuenca.
ResponderEliminarEstou a ler "Petróleo" do Pasolini. Outro livro que nunca seria editado nos nossos dias.
ResponderEliminarTambém estou a ler um livro relativamente curto, e nacional: «Quando Servi Gil Vicente», de João Reis.
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