CLAX

Será esta sigla Clube de Leitura do Autor X? Bem, há muitos clubes de leitura, mas o CLAX parece diferente. Um autor de referência é desafiado pela EC.ON (uma escola de escrita criativa de Lisboa) a escolher quatro obras fundamentais da literatura universal ao longo de um ano. Trimestralmente, vai às instalações da escola para uma sessão de análise e debate com os «alunos» inscritos. Naquela que é já a 3.ª edição desta iniciativa, o coordenador do CLAX de 2020 será o escritor Gonçalo M. Tavares,  e as inscrições estão abertas desde de 1 de Novembro. Parece que há uma primeira reunião entre o coordenador e o grupo de interessados para definir as quatro horas e marcar o início da discussão e que as sessões ocorrem em Março, Junho, Setembro e Dezembro, dando tempo para a leitura dos livros à vontadinha. O número de vagas é limitado e sobre o resto está tudo no link abaixo. Alguém quer fazer apostas sobre os livros escolhidos por Gonçalo M. Tavares? Eu não arrisco.


http://escritacriativaonline.net/eventos/clax2020/

Comentários

  1. António Luiz Pacheco6 de novembro de 2019 às 01:42

    É uma proposta interessante, e, suponho que a oportunidade de discutir leitura com um autor consagrado seja uma mais valia para quem se interesse pela leitura/escrita.
    Já tive o privilégio de conversar, até coloquialmente, com escritores, tanto de vulto quanto daqueles outros que as editoras acham que não valem o risco, mas eu, leitor, aprecio! Por isso sei bem avaliar o quão importante é conhecer pessoalmente, falar e sentir "a vibração" do escritor, da pessoa, não apenas daquilo que escreve.

    Devo confessar que sou dos que se espantam - certamente por ignorância - com a proposta de um "curso" de escrita criativa. Como é que se aprende a escrever num curso destes, e o que é? Claro que só poderei avaliar, se um dia frequentar um e aí terei as respostas às minhas muitas dúvidas.
    Recordo que tive no meu primeiro semestre de ciências agrárias, uma cadeira de "Estilística Prática", objectivamente virada para os relatórios ou trabalhos escritos, que me foi e é, muitíssimo útil, apesar de se dizer jocosamente que era um "banco" e não uma cadeira…
    Penso que o melhor curso de escrita (de qualquer tipo) é ler, muito, os bons autores e as boas obras. Suponho que tudo começa por aí, aliás coisa que repetidamente leio e oiço.
    Também, não vou citar nomes, mas conheço quem dê cursos de escrita criativa, mesmo sem ser autor nem sequer ter obra publicada, o que se me afigura no mínimo estranho, e faz duvidar.
    O que não é o caso agora e aqui divulgado!

    Enfim, resta-me como sempre, aguardar os prezados comentários dos Extraordinários Comparsas, em particular daqueles que sei serem autores ou gente do Mundo das Letras Publicadas!

    Saudações expectantes cá da Cidade Morena!

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    1. Bom dia com alegria

      Começo por dizer que gosto imenso de Gonçalo M. Tavares, de quem li Jerusalém, Aprender a rezar na era da técnica e O torcicolologista, Excelência.

      Como já devem ter reparado, aqueles poucos que aqui passam os olhos, a minha formação no mundo da língua é muito básica, sendo aquilo que se designava anteriormente por manga de alpaca ou, agora, pomposamente, um tecnocrata de colarinho branco, vulgo empregado de escritório, um politicamente (in)correcto colaborador.

      Agora que não me pus em bicos de pés, tenho à vontade suficiente para dizer que gosto da escrita surrealista e da desconstrução da realidade existente nos livros do Senhor Tavares. (Também já li alguns livros d'O Bairro).

      Se Tavares fosse poetisa e mulher chamar-se-ia Adília Lopes, e vice-versa, A. Lopes prosador masculino igual a Gonçalo M. Tavares.

      Pensar fora da caixa. Tavares pensa fora da caixa. Por isso gosto da sua escrita.

      E estaria na disposição de frequentar o curso assim houvesse tempo para isso.

      "Aí que prazer não cumprir um dever",
      inscrever-me no CLAX 2020,
      e não temer,
      encontrar-me por conseguinte,
      na Travessa do Possolo,
      com o contribuinte,
      Cavaco - oh desconsolo,
      que supostamente percebia de finanças,
      e não consta que tivesse biblioteca.

      Perdão Fernando P.

      Desculpem, não resisti...


      Boas leituras
      cp



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    2. Por mim, não só perdoo como até agradeço: já me fez sorrir
      O Fernando António certamente perdoaria este flagrante delitro, ou melhor, descrito, pois tinha muito sentido de humor; o Cavaco é que não sei...

      O Gonçalo é muito apreciado em França, onde já ganhou alguns prémios e teve destaque em revistas literárias de prestígio.
      Referindo-se a ele, Saramago disse que "devia ser proibido alguém escrever assim tão bem".
      E adoro a Adília Lopes.

      Bom dia e boas leituras.

      Maria

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  2. Como fiz uma pausa para responder a um comentário no post anterior, aproveitei para ler esta notícia e responder ao suposto desafio lançado pela anfitriã.
    Nesse clima de aposta, a seco, lanço para a mesa uma das possíveis escolhas do Gonçalo Manuel Tavares - "Os Velhos Também Querem Viver". Trata-se de uma obra que tem por cenário a cidade de Sarajevo, que mete Eurípedes na contradança e até "snipers", se bem que um e outros não estejam no mesmo meridiano.
    Há também a hipótese sobre a mesa - depois de retiradas as garrafas, os copos e o baralho de cartas - de se criar o CLOCHE (não para assar frangos, como logo à partida os mais patuscos opinariam), mas para formar o Clube de Leitura Obrigatória e Comprometida nas Horas Extraordinárias.
    Como soe dizer o povo, depois de vos atormentar com mais uma diatribe destas, serve de consolo saber que neste mundo sempre houve um Abel para sofrer (sois vós que me ledes) e um Caim para atormentar (a Rosário que o diga).

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    1. Pois eu, meu caro Fernando, vou citar um grande filósofo dos nossos relvados e apenas dizer:
      《Prognósticos só no fim do jogo.》

      Dia feliz.

      Maria

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    2. Caríssima Maria
      Não acertei no prognóstico que fiz sobre o Prémio Nobel, 2019, apostando na Olga Tokarczuk (pronunciado tocarchuque)?
      Se há coisa onde não acerto é em números. Bastava juntar sete, apostar e sair podre de rico... Mas quê?!...
      Como estou para rifões, "adivinhar é bom, mas saber ainda é melhor".

      Com um obrigado pelo desejo, retribuo para que tenha um dia feliz.

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    3. Podre de rico?
      Para quê?
      Não é melhor ser saudavelmente pobre (ou, vá lá, remediado)?
      Não é a saúde o maior dos bens?
      Quanto à Tocarchuque, ela era uma das favoritas... fantástico seria se tivesse apostado no homem do penalty 🥅
      Maria

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    4. Nunca sofri d' "A Angústia do Guarda-Redes antes do Penalty",como certamente terá sofrido o Peter Handke, porque joguei a meio campo.
      Ó Maria, acha que eu adivinhei a atribuição do prémio à Olga por ela ser uma das favoritas? Logo eu, que até troquei o ano do galardão, referindo-me a 2019 quando ela recebeu, já com aziaga, o de 2018? Não. Apostei nela porque gosto dos seus penteados, principalmente aquele que parece terem-lhe despejado na cabeça um barril de enguias!

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    5. Assim uma espécie de Medusa à portuguesa?
      O Fernando é mesmo mauzinho
      Sabe que eu até gostei do livro que li, o que não quer dizer nada, evidentemente; como muito bem sabe, há gostos para tudo
      Volte lá para o seu Aquilino, escritor que também é muito do meu agrado.

      Maria

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  3. Os cursos de escrita criativa não são muitos diferentes das editoras vanity publishing. Ambos se regem pelo mesmo princípio utilitário, ou seja, fazem uso do sonho das pessoas em serem escritoras para lucrar com isso. Neste caso, através de fórmulas de escrita padronizadas que provaram ao longo do tempo ser eficientes do ponto de vista do leitor (por exemplo, a construção de um herói) e, por conseguinte, criando a ilusão de que qualquer um pode escrever um livro.

    Geralmente, esses cursos costumam seguir o modelo da Formação, em que existe uma proximidade forçada entre todos, a partir de dinâmicas de grupo chatas e infantilizações constantes, onde todos são estimulados como autênticas crianças, chegando a ser humilhante. O problema, porém, é o jargão utlizado: ‘Gancho’ para aqui ‘gancho’ para acolá; ‘esqueleto’ não sei quê, enfim, os clichés do costume.

    Sinceramente, não sei que sentido faz novos autores frequentarem esses cursos que, quando muito, podem ser divertidos, mas que nunca lhes darão um estilo ou uma voz própria. As editoras dos grandes grupos editoriais não procuram novos escritores, mas o sublime, e o sublime, além de ser uma experiência mística muito subjetiva, não se encontrará com certeza através desses cursos. Digo isto ironicamente, pois todos nós sabemos que se formos ‘conhecidos’ ou se possuirmos um certo poder, as editoras procuram apenas um bom livro, esquecendo o sublime num instante.
    Quanto ao texto propriamente dito da MRP, se já acho absolutamente ridículos os cursos de escrita criativa e afins, muito mais ter de pagar para discutir livros.

    Volta Iluminismo!

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    1. Permitam-me que vos diga que começo a achar os comentários muito mais interessantes do que o próprio blog, pelo menos fazem-nos pensar e não aceitar passivamente o que nos dizem as autoridades do meio. Haja espírito crítico e menos dogmatismo!

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    2. Hummm... parece que frequentou muitos para saber assim tanto. Ou será que espreitou pelo buraco da fechadura?

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    3. Não, Maria, mas promovi muitos. As letras não pagam as contas.

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    4. Bem, nesse caso só lhe posso dizer que deve ser muito triste promover um coisa em que não se acredita...
      Como não diz o seu nome (pensei em duas pessoas, cuja escrita até aprecio bastante) também não me apetece assinar.
      Boa tarde :)

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    5. 'Ninguém é Quem Queria Ser' : https://www.youtube.com/watch?v=XVmFqi_THxE

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    6. Não consegui abrir o link, mas não faz mal...

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  4. Está aí, gostei. O padrão lisboeta à escrita criativa faz-se desafio ou humildade?

    Cláudia da Silva Tomazi

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