Profissões em extinção
Um dia destes, na editora, vi que estava um papel no chão, dobradinho em quatro, e apanhei-o, tentando perceber se era alguma coisa importante e a quem pertencia. Dizia, numa das faces, «Encadernador» em letra manuscrita, seguido de um número, que parecia de um telefone. Do outro lado, facilmente se percebia que era um bocado de um velho e-mail, ou seja, tratava-se e alguém que «reciclava» papel para escrevinhar notas, exactamente como eu faço. Fui então às letrinhas impressas, das pequeninas, e por sorte era ainda legível o nome do meu colega da Caminho, Zeferino Coelho, a quem me apressei a devolver aquele apontamento. Agradeceu-me como se fosse uma nota de 500 Euros, explicando-me que andava à procura daquele papel há que temos e que era uma alegria ter de novo o contacto do encadernador. Mas ainda há quem encaderne livros?, perguntarão os meus amigos Extraordinários. Ah, pois há; e, além de Zeferino Coelho, que é um bibliófilo e colecciona biografias, deve haver muitos mais, pois a Papiê organiza uma oficina de encadernação em Belém, em três dias diferentes deste mês: 12, 19 e 26! Inscreva-se e conhecerá um mundo novo e fascinante, que um dia lhe poderá ser útil.
Horário: 10:30 às 13:00
Local: From Hand - Home Concept Store
Rua da Junqueira, 362, Belém, Lisboa

Sim, apesar de se falar muito contra o desemprego, de se alardear a criação de novos empregos e propagandear o empreendedorismo, a verdade é que se vem assistindo à extinção de profissões ou "trabalhos".
ResponderEliminarO encadernador, terá sido uma das oficinas a desaparecer… as capas hoje são industriais e feitas nas gráficas. Por outro lado, quem queira recuperar um livro antigo, terá de recorrer ou a quem o saiba fazer (como encontrar?) ou improvisar e fazê-lo ele mesmo.
Tenho muitos livros antigos, boa parte de deles com encadernações, que tradicionalmente eram feitas no "lar dos rapazes", o lar de Santo António, um lar religioso que acolhia rapazes e lhes ensinava entre outras essa profissão na oficina de encadernação. Depois passou só a "oficina" onde dava essa formação, o lar desapareceu.
Revistas, fascículos e outras publicações que já mandei eu mesmo encadernar, ali. Sei que ainda estão a funcionar, mas confesso que há já um par de anos que não vou lá.
Um livro bem encadernado, sobretudo sendo a coiro lavrado, ou mesmo em cartão, é como uma camisa de seda: um prazer para o toque! A napa, não me diz nada… e o papel que modernamente se usa também não tem qualquer sensualidade, são só para ver, não para sentir!
Saudações sensitivas cá da sensual Cidade Morena!
Livro encadernado = livro travestido
ResponderEliminarFrom Hand - Home Concept Store
ResponderEliminarEm Portugal?
Bom dia com alegria
ResponderEliminarA era digital pode ser mui sexy, mas a analógica não é menos sensual.
Basta pensar que, para certa gente mais nova, o analógico é também novidade (livros encadernados incluídos).
Confesso aqui um sonho profundo: separar-me eternamente do telefone-esperto.
Não o atiro ao mar devido ao politicamente correcto, às alterações climáticas e ecológicas.
E, sobretudo, a precisar dele.
É uma relação amor-ódio.
Boas leituras
cp
Encadernadores e pessoal da limpeza: "há que tempos" que estava no chão. A MRP tem vocação para o lixo precioso.
ResponderEliminarNa província há sempre um encadernador de serviço. Por norma é pessoa que tem uma profissão fixa e faz encadernação nas horas livres. Detesto capas com brilho, mas os livros agradam-me pelas palavras. Já li - e tenho - livros de capa brilhante que estimo. No Metro encontro gente que usa capas de pano, parece-me um pouco como tapar um rosto com o guarda chuva; não é bom dialogar com o guarda chuva. As marcas de uso num livro fazem parte. Mas admito que, se o mesmo nos não pertence, usemos sobrecapa, sobretudo se nos acompanha nos transportes públicos.
ResponderEliminar