Crónica e prémio

Aí vai a crónica, com agum atraso, mas a semana anterior, entre prémios e muitas outras coisas, não me permitiu organizar-me. Desculpem.


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/28-set-2019/contranatura-11342035.html


Sérgio Godinho, um dos maiores escritores de canções que temos em Portugal (se não for mesmo o maior de todos), acaba de ser contemplado com o Prémio Pedro Osório, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, pelo CD Nação Valente. Mesmo tendo já publicado livros de ficção (contos e romance), na minha humilde opinião, aquilo que é decididamente a sua obra-prima são as canções, com um estilo muito pessoal e inimitável que, mesmo para quem as queira cantar no duche, se tornam dificílimas. Parabéns, Sérgio Godinho! O prémio será entregue no início 2020.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco14 de outubro de 2019 às 02:23

    .1- Sérgio Godinho, não sei se é o maior escritor de cançoões (bom em estatura física entre ele e o Reininho… não sei…) mas deve ser o mais antigo na nossa praça! Além disso as suas letras são histórias, o que faz dele um escritor. E sim, gosto muitíssimo, portanto congratulo-me com o prémio.

    .2- Crónica: o que conta sobre a cadela do seu cabeleireiro, não é nem anti-natural nem invulgar. Tive cadelas que amamentaram gatos e até lebres, uma gata nossa amamentou dois coelhitos bravos, e, muitos caçadores poderão contar histórias dessas.
    O instinto maternal, na fêmea, impera e é natural.
    Sei de casos de cães, cujo instinto de protecção é tão forte que se apossam até de berços ou crianças, e não deixam ninguém chegar perto. O meu falecido e pequeno "Panda" (o cão da Laurinha) quando saía à caça na Matilha Balalaica (Briosa Matilha de Caça Menor como pintei no atrelado) , na verdade não caçava nada, só me atrapalhava por andar colado às minhas pernas, mas em eu parando, metia-se no meio dos meus pés e dali - em segurança - ladrava e rosnava furiosamente a qualquer cão que se aproximasse, não viessem fazer mal ao dono!
    Há histórias assim que davam para um livro…

    Saudações, naturalmente, cá da Cidade Morena!

    ResponderEliminar
  2. Bom dia e boa semana com alegria

    Tenho pelo Sérgio Godinho uma admiração inestimável.

    Por todos os motivos e mais algum, de ordem estética, cultural, política e pessoal.

    Partilho apenas um exemplo:

    Um dia, vindos de férias, levava-mos com o filho dum músico português famoso na rádio, para gaúdio do meu mais velho (na altura 9 anos).

    Estarrecidos com a admiração prestada à criatura, tatuada até à medula, banzados com a repetição duma letra oca e demente, perguntei-lhe se podia trocar o rádio por um CD.

    Milagre! (Eu sou ateu, mas o Sérgio operou um milagre, no sentido não religioso do termo, claro!)

    Ouviram, gostaram, pediram mais.

    Hoje sabem letras de cor e salteado, já foram a concertos do nosso bardo lusitano.


    E cada vez mais insisto para ouvirem a música, mas sobretudo prestarem atenção à letra, à mensagem.

    E para compararem a riqueza da música de Sérgio Godinho com os enlatados que agora por aí polulam.

    Boas leituras
    cp

    ResponderEliminar
  3. O Sérgio Godinho é um artista completo: além de ser um excelente intérprete compõe como ninguém. Prémio mais que merecido.

    ResponderEliminar
  4. Muitas cadelas, depois do cio, tendem a desenvolver "prenhez fictícia" (desculpem, não me lembro agora do termo técnico em português). Pensam estar prenhe, sem estar, criam leite e, muitas vezes, até levam peluches para o cesto delas, que tratam com desvelo, como se fossem crias. É um fenómeno bastante comum. A cadela do seu cabeleireiro está com certeza a passar uma fase dessas (doutro modo, não me parece que desenvolvesse leite, pois isso está dependente dos ciclos hormonais) e calhou bem ter o gatinho para cuidar. Faz-lhe bem a ela e ao gatinho. E, completando o que o Pacheco disse: sim, há muitos casos de cadelas que adotam crias de outros animais. Sei de uma cadela que adotou uma ninhada de raposas, cuja mãe morrera. As crias foram encontradas por um casal, cuja cadela andava a amamentar as próprias. Tiveram pena, levaram as raposinhas para casa, puseram-nas junto dos cachorrinhos e a cadela logo as aceitou. Quando essas raposas atingiram idade capaz, foram para um local de transição (regido por quem entendia do assunto) e, mais tarde, devolvidas à natureza.

    Não sei se a castração das cadelas facilita o aparecimento do cancro mamário. As opiniões dividem-se. A Lucy foi castrada com três anos (teve alguns cios, é verdade) e, no próximo dia 30, completará os 16 anos, mesmo com insuficiência cardíaca há mais de um ano. É tratada com desvelo e cuidado, muito importante são os comprimidos às horas certas. Mas não há dúvida de que é uma valente.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. P.S. As cadelas também têm tendência para desenvolver cancro do útero e dos ovários, principalmente, se atingirem idade avançada. A castração previne esses tipos de cancro, pois os respetivos órgãos são retirados.

      Eliminar
  5. Sérgio Godinho = Bob Dylan - ambos grandes escritores de canções, ambos péssimos cantores.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco14 de outubro de 2019 às 05:45

      Hum… vejamos: Péssimos cantores… até é verdade, sim, nenhum deles tem a voz do Art Garfunkel ou da Joan Baez, mas dizem muitíssimo bem com música, o que os torna musicais portanto e é como se cantassem pois enquadram muito bem o que dizem na música, e são muito agradáveis de ouvir "cantando" a sua história! Não é?
      Há outros que também nem por isso são grandes cantores mas dizem muito bem com a música, o que os torna igualmente muito bons de ouvir por exemplo Rui Veloso (o maior!) e o Jorge Palma (o maior II) ou o Abrunhosa. Por outro lado tens o Luiz Represas ou a Eugénia Melo e Castro que têm belíssimas vozes e cantam bem, mas, dizem muitíssimo mal! Há coisas deles que não consigo ouvir… porque tendem a meter a letra a martelo dentro da música, e como não conseguem dizer como o Mestre (Godinho ou Veloso) não me soa bem, a mim. O Rui Veloso então, consegue dizer o que quer que seja musicalmente: "quem vem atravessa o rio…" compara com "neva sobre a marginal" e logo percebes o que quero dizer!
      Enfim, é a minha opinião e vale o que vale… claro, provavelmente nada, eheheh!
      Abraço com música e lembra-te da canção das velhas: Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas!

      Eliminar
    2. Estou inteiramente de acordo consigo, caro António Pacheco.

      Eliminar
    3. Ó Paxeco para dizer o Vilarett era o maior e creio que nunca foi cantor.
      Abrunhosa e Jorge Palma dizem bem mas não cantam nada de nada.
      Represas canta lindamente (admito que não diga bem), Rui Veloso diz bem e canta bem.
      Mas Frank Sinatra e Amália Ridrigues são únicos!
      Mas ó amigo Paxeco isto são os meua gostos que valem, porventura, menos que zero, admito, mas são os meus.
      Abraço
      SL

      Eliminar
  6. Que bela história a da cadela e do gatinho do seu cabeleireiro ! Difícil de imaginar e muito tocante: um incrível milagre da Natureza. Já agora, saberão os amantes de animais de estimação que os reguladores, para defender o bem estar animal, não vão permitir a partir de 2021 que se seja dono de mais do que dois cães ou gatos se se viver na cidade ?

    ResponderEliminar
  7. Em minha casa não há quem não goste do Sérgio. E os mais novos, mais entendidos, fartam-se de falar sobre as letras e a composição e etc. Parece-me que também lhe lêem os livros.
    Para mim é cantor revolucionário em vários sentidos. Tão jovens que nós éramos! Tem o mérito de manter estilo, posição crítica, visão.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório