Crónica e nada a dizer
Como amanhã é feriado (e que bom um feriadinho à sexta!), deixo hoje o link da crónica:
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/19-out-2019/os-sapatos-de-deus-11416791.html
Estou a caminho do Porto para uma reunião e por isso não consegui dar-vos mais nenhum bónus. Quero, porém, dizer que, sobre a questão do Prémio LeYa com que os Extraordinários decidiram ontem inundar este blog, dei uma entrevista ao escritor e jornalista Bruno Vieira Amaral para a revista Ler há uns anos e isso é tudo o que tenho a dizer. Por isso, nem comentei, nem respondi a comentários, nem o voltarei a fazer. Quero que saibam, mesmo assim, que este ano, dos sessenta e picos originais que me chegaram via email de autores desconhecidos que consegui espreitar não encontrei um só que se aproveitasse . É muitíssimo mais difícil encontrar um bom livro do que as pessoas supõem. Bom fim-de-semana.
Ao ler as palavras da Rosário, pensei em não comentar.
ResponderEliminarMas depois pensei melhor e achei que devia escrever qualquer coisa...
Embora não vá à procura da entrevista, já percebi que acha que quem tem menos de 30 anos, não sabe escrever romances, pelo menos segundo os critérios editoriais. Poderá ter razão. É impossível escrever bem sem ler (e não será com as leituras diárias rápidas de telemóvel...).
Mas em relação ao Prémio Leya (que nunca concorri nem me apetece não concorrer...), concorre gente de 30, 40, 50 e mais anos - o prémio é realmente apetecível -, muitos deles já com obra publicada. E quando estamos a falar de um universo de mais de 400 livros, é normal que se questione a não atribuição do prémio. E se acham que não o devem atribuir todos os anos tornem-no bienal...
De resto, penso que já todos percebemos que a literatura será cada vez mais uma coisa de minorias, ou seja, será péssimo para quem quer ganhar dinheiro com livros...
(há um "não" a mais ao lado do concorrer...)
EliminarOlá Luís, tenho que discordar, a Rosário editou o "Nenhum Olhar" do José Luís Peixoto, tinha ele 26 anos; e o João Tordo teria uns 32; e o Valter Hugo Mãe também andaria por essa idade (não fui confirmar).
EliminarNão podemos "acusá-la" de não dar oportunidade aos mais jovens, simplesmente os três escritores atrás referidos tinham um passado de muitas e boas leituras, o que faz toda a diferença.
Nunca me esqueço que descobri o Julio Cortázar (um dos meus escritores favoritos) graças a uma sugestão do JLP.
Para se escrever bem, penso eu, não basta apenas a quantidade do que se leu, mas também a qualidade.
Abraço
⚘
Maria
Maria, mas isso aconteceu há vinte anos (ou mais). Falamos de jovens escritores de hoje.
EliminarNos anos noventa e no princípio do século não havia a "crise de leitura" dos nossos dias, muito graças aos "telemóveis", que servem para tudo e mais alguma coisa, menos para dar descanso aos seus utilizadores, privilegiando as frases curtas...
Bem, o Peixoto foi em 2000 e o Tordo em 2008, mas temos o Afonso Reis Cabral, que apenas tem 29 anos e já ganhou os dois prémios mais importantes cá do Burgo.
EliminarMas tem razão, Luís, agora lê-se muito pouco; e contra mim falo, que passo imenso tempo na net.
Apesar de achar que não é perda de tempo, de todo; aprendro imenso e continuo a contribuir 'largamente' para as percentagens de quem compra e lê livros em Portugal.
Bom domingo.
⚘
1- Não me espantam as cristãs sapatilhas!
ResponderEliminarSerão um sucesso de vendas garantido na América Latina e alguns países periféricos asiáticos, mas também nos países muçulmanos (notoriamente tolerantes como se sabe) onde vão ser comprados massivamente para serem queimados!
Portanto a Nike vai facturar como nunca!
2- Quanto ao comentário salazarento, sobre o CHEGA, acontece que eu ouvi - por curiosidade pois não votei nele, aliás nem consegui votar como muitos milhares de expatriados ou emigrantes, o que é um escândalo que está a ser ocultado e ainda vai fazer com que acabe mesmo a votar no CHEGA - a intervenção de André Ventura. Não ouvi nada de salazarento naquilo que disse…
Aliás aconselhava a que antes de o classificarem, se dessem a menos ao trabalho de ouvirem, para poderem honestamente comentar, com conhecimento de causa e não apenas porque parece que sim, e aliás até fica bem.
O adeus futuro vem destas atitudes, salazarentas, de pretender silenciar sem sequer ouvir.
Penso eu de que, pois ainda me é permitido… e vale o que vale.
No mais do resto, um Extraordinário fim de semana para todos, aproveitando a ponte que se forma entre os dias e eu gostava de ver também entre as pessoas. Pela minha parte vou até a praia do Meva, onde conto passar 3 dias de ripanço, a pescar, apanhar Sol, comendo e bebendo alegre e descontraidamente sem pensar em desgraças!
Saudações sabáticas cá da Cidade Morena!
Ó Paxeco (vamos a FACTOS)
Eliminar1 - sapatilhas -atrasados mentais há-os em todo o Universo, então não há mabecos que para comprarem um bilhete para o último episódio da Guerra das Estrelas ou que para comprar o último volume do Harry Potter, ou para ver a Ariana Grande vão (alguns acompanhados dos paizinhos) dormir duas noites antes, para a porta da bilheteira...e o concerto do Zé Cabra (para Setembro 2020) já está esgotado...
2 - às claques do meu clube deram-lhes tudo e mais alguma coisa e, depois da invasão de Alcochete, aí está o resultado, julgam que apenas têem direitos e não obrigações ofendem tudo e todos e quando não lhes fazem a vontade é tudo para partir...
-e a "gaga" que agora quer mudar a bandeira nacional....
Adeus Futuro
Ó Seve
EliminarNem tudo o que se espalha na net é verdadeiro. Vem isto a propósito do seu segundo parágrafo do ponto 2. O polígrafo da SIC (aqui)
https://sicnoticias.pt/programas/poligrafo/2019-10-28-Deputada-do-Livre-sugere-alteracoes-na-bandeira-nacional-
ajuda a desmentir a falsidade.
Não é que eu tenha simpatia pelo Livre, merecendo-me apenas respeito por eu ser democrata e compreender as dificuldades da fala da Deputada, que me merece respeito. Só há uma Lady Gaga com que não tenho qualquer afinidade.
Adeus Passado (sobretudo bem passado, com umas pitadinhas de sal)
A MRP tem toda a razão. Aqui há uns bons anos li no suplemento literário do extinto jornal República um artigo que prenunciava que no futuro toda a gente escreveria com intenção de publicar o que ele denominava "escrivósis", seria uma pandemia que assolaria os editores e o resultado é este. Quando comentadores televisivos, treinadores e futebolistas se arrogam o epíteto de escritores, ainda que à custa de "ghost writers", está tudo dito.A "escrivósis" veio para ficar com as consequências que estão à vista: o caixote do lixo. Vivam os clássicos.
ResponderEliminarEsperar que pessoas que leem umas frases curtas sobre assuntos candentes possam escrever um livro é o mesmo que atribuir seriedade a um indivíduo que faz uma observação microscópica pela 1a vez e logo proclama que descobriu a cura de...
ResponderEliminarJá rejeitei livros (poucos) de pessoas que se tornaram escritores da nossa praça. Também sei que muitos dos escritores clássicos conhecidos, lembro-me agora do Fernando Pessoa, tinham muita dificuldade em publicar. O meu Professor de literatura costumava dizer-nos uma coisa interessante: "ao lerem um livro, se não gostarem, mas se sentirem estranheza, estão mais próximo de estar perante um bom livro". Agora compreendo o que ele quis dizer. A maior dos livros que ficam na história são aqueles fora deste tempo. E nós, como habitantes deste tempo, temos uma intuição e um sistema de crenças já completamente contaminadas por ele. O trabalho de um editor é desconstruir esse sistema de crenças diariamente. Nada fácil.
ResponderEliminarCompreendo o que quer dizer.
EliminarE com a pintura acontece o mesmo: quando penso que o Van Gogh apenas conseguiu vender um quadro...
⚘
Maria
E cujo título era A Vinha Vermelha. Boa pergunta para o Joker do Palmeirim.
EliminarUma vez que se passa da Literatura para a Pintura (para desenfastiar), acrescento ao que disse a Maria e o Anónimo, que nem foi Van Gogh a vender o quadro: foi o irmão, Theo. Mesmo este foi vendido dois anos após ser pintado (faz agora em Novembro 131 anos que o artista o pintou), adquirido quase por simpatia por uma irmã de outro pintor, a senhora Anna Boch, pagando uma quantia que hoje equivaleria a cerca de 800 euros, talvez porque Van Gogh pintou o retrato do irmão no mesmo ano do quadro mencionado.
EliminarEsta tela é muito bela, mas não a vou apreciar ao vivo, porque se encontra no Museu Pushkin de Moscovo.
Eu disse que apenas conseguiu vender um quadro, não que foi ele a vendê-lo... aliás como poderia fazê-lo se nem conseguia tomar conta de si próprio? Era o irmão que tratava de tudo, como podemos constatar lendo as suas Cartas a Theo.
EliminarEra um sonhador mas também um trabalhador incansável.
E é o pintor que mais amo no mundo.
Só vi dois originais dele em Londres, há muitos anos, mas se pudesse ia por esse mundo fora ver os outros todos.
Bom fds.
⚘
Maria
Maria, não se abespinhe comigo, pois entendi perfeitamente o que quis dizer. A minha participação de intrometido foi na ideia de complementar a sua deixa e a informação do Anónimo.
EliminarPara compensar, aí vão duas das flores que saquei do seu jardim...
⚘⚘
Bom feriado
Tem toda a razão, foi o irmão que tinha uma galeria de arte em Paris. Gosto de Van Gogh. Quando estive em Paris, um dia aproveitei para ir até Auvers-sur-Oise onde viveu os últimos dias e pintou furiosamente dezenas de telas. Almocei no Auberge Ravoux onde ele esteve hospedado e onde morreu. Visitei a Casa-Museu do Dr. Gachet o seu médico, passei ao lado da Igreja porque estava a haver a missa de Domingo e fui ao cemitério onde me recolhi junto do seu túmulo e do irmão. Aliás, foi a sua cunhada que fez questão que o irmão Theo repousasse a seu lado. Nunca esqueci esta jornada. Passei também ao lado do Museu do Absinto.
EliminarE como me poderia abespinhar consigo, Fernando Jocamartinho Costa, se é sempre tão correcto nos seus comentários?
EliminarObrigada pelos votos e pelas rosas - o meu stock já está a ficar reduzido :))
🍁🍁
Maria
Outra coisa: o livro é uma obra, com princípio, meio e fim. O que vejo acontecer hoje nas editoras, e digo isto porque trabalho numa, é ver toda a gente sem tempo, com imensa coisa para fazer, a fazer as coisas em cima do joelho, e a julgar um livro por meia dúzia de páginas. O pior é quando lêem só o resumo ou relatório que por vezes vem acompanhada pela obra. Aliás, digo sempre, leiam primeiro o livro e só depois esses resumos. Parece-me óbvio que ler o orginal e fundamental. Até porque a história pode ser banal, o mais importante é a forma de como é contada.
ResponderEliminarBom dia com alegria
ResponderEliminarSou sensível ao tema da crónica de hoje pois tenho alguém em casa a azucrinar-me a cabeça por causa do ténis de marca.
Dado ele ser muito novo para ler "No logo", da activista canadiana Naomi Klein, edição Relógio d'Água, vou-lhe dar a ler o artigo da nossa anfitriã. Sempre é mais curto.
Em relação ao tema quente do post anterior, depois de ler os comentários, reafirmo "Não há Pêra Manca todos os anos".
Saber esperar é uma virtude e há tantos livros bons editados há séculos. (Que, segundo Frank Zappa, nunca iremos ler) Por isso, qual é a urgência?
O que tem de mágico a palavra Novidade? Ou a palavra Prémio?
Como diria um rapaz de onze anos que eu conheço: "Dahhh..."
Boas leituras, bom fds prolongado
cp
PS: A ler, "A tribo do futebol", por Desmond Morris
A sério que o Frank Zappa disse isso?
EliminarSe disse, disse uma grande verdade :))
⚘
Maria
Interessante alguém falar nesse aspecto da estranheza. Por estes dias uma amiga minha, que trabalha para uma agência literária (elabora pareceres de originais que seguem depois para as editoras), dizia-me que estava a ter imensa dificuldade em escrever sobre um original. Ela tinha gostado do livro, o enredo não era nada de outro mundo, no entanto, ela não conseguia traduzir em palavras aquilo que tinha lido. E não era por falta de experiência ou ser um mau livro, poderia ter os seus defeitos, é claro, como quase todas as primeiras versões dos originais, mas não era um mau livro de todo.
ResponderEliminarOra, pensando bem, o que ela deveria estar a sentir eram os efeitos objectivos da estranheza. Há livros que possuem uma “atmosfera” tão própria, independente dos dados mais objectivos, como a história, a coerência das personagens, o estilo, a estrutura e etc., que é quase impossível de traduzi-la em palavras; o que tem levado muitos jovens editores confundirem isso como algo negativo e, por conseguinte, a ignorar o original. Aliás, o sistema editorial, hoje completamente intersectado com o negócio das escritas criativas (e futuramente com os influencers do you tube), investe precisamente nisso, na ideia de “positivismo literário”. Errado: sabe-se que há variáveis muito além das objectivas que fazem um livro um bom livro.
Quando alguém se confronta com essa estranheza a primeira reacção é não saber o que fazer. Fica-se imóvel, numa espécie de letargia, a digerir aquilo. O editor pensa: “como hei de defender este livro, se não encontro as palavras certas para o definir?” Estranho…
De qualquer forma, hoje em dia as editoras não têm muito tempo, muitas delas nem sequer disponibilidade mental para se deixar conduzir pelas palavras, quanto mais para chegarem a essa questão. Seguem os padrões que a sua experiência de vida considerou idóneo e pronto.
(Queria continuar a escrever, mas o dever chama-me)
Cumprimentos a todas/as
Também adoro futebol. Era giro fazer um post sobre os grandes escritores que eram/são adeptos fervorosos. Borges era um, mas há imensos mais.
ResponderEliminarFico na dúvida se o seu marido é como o meu Pai e só vê os jogos do clube dele, ou se adora mesmo um bom jogo e escolhe no "menu" o prato mais apetecível.
Eu sofro pelo Barcelona, não fumo, mas berro que nem um desalmado. O meu puto mais novo um dia disse-me:
- Papá, vai jogar o Messi? Grita baixinho, para não me assustares, ok? 😂
Tenho uma espécie de bola anti-stress em forma de bola de futebol (aquilo tem um nome, os meus filhos é que sabem), que me substitui os cigarros que nunca fumei. Coitadinha da bola, farta-se de sofrer nas minhas mãos... ⚽😎
Saudações desportivas,
Rui Miguel Almeida
Extraordinário Pacheco,
ResponderEliminarPenso que errou ao classificar assim os muçulmanos. Pela experiência que tivemos, o único período em que houve tolerância foi durante os séculos em que o poder foi exercido por eles. Privilegiavam o islamismo mas permitiam o culto dos cristãos e dos judeus. Quando os cristãos tomaram o poder passou-se o contrário, o cristianismo tornou-se totalitário. Sabemos muito sobre a perseguição dos judeus mas pouco sobre a que foi exercida sobre os muçulmanos. É provável que tenha havido genocídios e massacres piores do que os progroms já conhecidos, mas o assunto está pouco estudado.
Os problemas que nos afligem hoje veem de regimes que atiçam as pessoas contra potências ocidentais. Mas isso tem origem principalmente em regiões onde os povos foram invadidos por potências que lhes foram roubar recursos, matar, humilhar. Agora é fácil manipular essa gente. Só não percebo, digo-o surpreso e com franqueza, como é que os chineses não teem atitude semelhante.
Bom fds nessa praia edénica, que por cá temos nevoeiro e chuva, sendo que esta ainda é bem escassa para as necessidades.
Caríssimo Amalivros;
EliminarBem sei duas coisas:
1- Que um dos pilares do Islão é exactamente este não poder ser imposto, tem de ser abraçado. Mas isso foi assim noutros tempos, em que e como bem diz, havia tolerância ou o islamismo ainda era puro.
2- Na actualidade, Islão é sinónimo de radicalismo e intolerância, tanto ou mais quanto foi a Inquisição. E é por isso que fiz aquele comentário, não porque seja contra o Islão em si, mas porque sou contra aquilo em que se tornou e duvido que venha a haver evolução.
Agradeço e retribuo o seu voto, que conto cumprir e lhe asseguro que me lembrarei de si. Entretanto desejo que aproveite também das castanhas e do conforto do seu lar, com um bom livro de preferência, a que frio e chuva convidam!
Grande abraço!
Gostei da crónica da Rosário. E como não li nenhum dos concorrentes rejeitados. E porque a Rosário já mostrou o feeling que possui para descobrir bons autores. E ainda por ser assunto que não me interessa para já, que a gente nunca sabe, a pancada da velhice pode bater forte, dar-me ilusões parvas e pôr-me a escrever a mata cavalos. O certo é que concordo com a sua atitude de não alimentar especulações e quem quiser que leia a entrevista referida.
ResponderEliminarE vamos celebrar o outono por aí ou em casa, tanto faz. E que chova onde mais a água falta, que olhando as previsões e vivendo numa das zonas mais secas, garanto, não é o que, por hora, acontece. E que Deus Nosso Senhor não se distraia com ténis e coisas assim
Extraordinário Pacheco,
ResponderEliminarObrigado. Grande abraço.
´´dos sessenta e picos originais que me chegaram via email de autores desconhecidos que consegui espreitar não encontrei um só que se aproveitasse´´ Essas coisas não se dizem, mesmo que seja verdade, além de feio é sobranceiro.
ResponderEliminarOpinião do seu humilde exemplo literário
Sessenta e picos é apenas um sexto de 400.
ResponderEliminar409 originais e nenhum com qualidade literária?
ResponderEliminarCoitados dos três finalistas!