Um género

Embora já exista há bastante tempo, é sobretudo na actualidade que o romance gráfico está a dar que falar, mais ainda por Sabrina (já aqui falei disto) ter sido o primeiro livro do género seleccionado para a final do Man Booker Prize em 2018 (não ganhou mas despertou a atenção de milhões de pessoas no mundo inteiro e já está traduzido cá na terra). Li no The Guardian que, até 1989, era proibido num livro de BD ou afim reproduzirem-se cenas de sexo, porque o género era visto como mais popular e destinado a leitores de todas as idades. Curiosamente, hoje os romances gráficos podem ser mesmo «gráficos» em matéria de sexo, violência sexual, nudez, exploração do corpo (leio no mesmo artigo que é uma reacção ao puritanismo anterior e uma forma de «empoderamento», essa palavra que hoje se usa quiçá demasiado frequentemente). Parece até que o género «romance gráfico» foi essencial para as autoras-mulheres se despirem, metaforicamente falando, e pela primeira vez exporem o seu corpo tal como o vêem e acham que ele é visto por homens e mulheres. Em Portugal, os romances gráficos começaram a multiplicar-se – e ora se trata de obras originalmente escritas e desenhadas para este formato, como Sabrina, ora de adaptações de livros clássicos (Albert Camus, Harper Lee, Anne Frank, etc.). Fiquemos atentos.

Comentários

  1. Não sei se é um romance gráfico (BD é com certeza) mas gostei do CARAVAGGIO, em dois volumes do Milo Manara

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  2. Confesso que não conheço ou julgo nunca ter lido nenhum romance "gráfico" … a menos que a BD seja considerada como tal, e algumas BD reproduzem romances - Moby Dick por exemplo, ou As Minas do rei Salomão.

    Creio que é uma curiosidade e se puser alguém a ler, é extraordinário.

    Como leitor, não me seduz, pois nem sou leitor preguiçoso, adoro descrições e considerações, preâmbulos, introduções e aquilo que alguns podem considerar "palha" e passar à frente, mas para mim é uma das partes do livro que me dá prazer pois ajuda a situar e a formar a imagem na minha imaginação, logo, gostarei menos de romances gráficos, como nem sou grande fã de cinema, que no entanto também vejo.

    Decididamente eu gosto de ler, de entrar no livro pela pena do autor, de seguir com ele e de ir vendo na minha imaginação aquilo que ele me mostre!

    Saudações literárias cá da Cidade Morena.

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    1. Já fui fã de livros aos quadradinhos, especialmente do Mandrake. Agora são de tal modo sofisticados que já não me atraem.

      Ó Paxeco, O Público inicia hoje uma colecção de 14 livros "Médicos Escritores", que me parece interessante; inicia-se com "Vida Sexual" do Prof. Egas Moniz.

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    2. Ahahahah! Curioso ser logo o Mandrake, a Narda e o Lotar! Mas também gostava muito, saudoso Mundo de Aventuras ó Severino!

      Interessante o que anuncias, mas a vida sexual não será a do insigne Nobel da Medicina e sim um trabalho académico da sua autoria… espero bem…

      Grande abraço!

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  3. Faço minhas as palavras de António Luiz Pacheco, se ele me permite.

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    1. Disponha, pois alguém que amalivros, só pode comungar comigo! Ahahahah!
      Grande abraço cá desta cidade que é berço de autores, mas, onde nem há livrarias no sentido daquilo que entendemos como tal… e não vejo ninguém com livros ou a ler!

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  4. Bom dia com alegria

    Subscrevo as palavras do Extraordinário da Cidade Morena.

    Viva a sociedade da abundância em que vivemos. A tal que nos oferece tantas possibilidades de escolha que, a páginas tantas, nem sabemos o que fazer com a nossa putativa liberdade.

    Ideia, livro, argumento, filme, merchandising variegado, DVD, Banda Sonora Original e/ ou Banda Desenhada. Não necessariamente por esta ordem. Nem com qualquer limite ou finitude. Haja quem consuma, logo exista. (As Guinea Pigs do.)

    O paroxismo é visível em universos ficcionais tipo Star Wars, em que os argumentistas devem ser esmifrados (ou turturados?) até à última célula para debitarem uma ideia, um conceito, algo que permita à máquina continuar a rolar. A vender. Mesmo (ou sobretudo) em cross-selling.

    Evidentemente que não é o caso de Sabrina (até ver).

    Eclético, até poderia comprar e ler, não fosse o facto de já ser um obeso literário e ter mais olhos que barriga.

    Agora vou até ali continuar a pedalar na minha roda gigante.

    Boas leituras (mesmo que seja BD gráfica, perdoe-se o pleonasmo)
    cp

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  5. «Curiosamente, hoje os romances gráficos podem ser mesmo «gráficos» em matéria de sexo, violência sexual, nudez, exploração do corpo».

    Pensei que vivíamos na época do politicamente correcto, censura, etc. Afinal...

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  6. A questão pode ser vista de dois ângulos:
    Sendo o "Afirma Pereira" o meu livro favorito do Antonio Tabucchi, comprei a novela gráfica para ver o que um francês conseguia fazer de um romance passado em Lisboa e escrito por um italiano; e o resultado foi muito positivo... e até me levou à releitura do livro.
    Por outro lado, comprei a BD "O Primeiro Homem", do Jacques Ferrandez, feita a partir do livro póstumo e inacabado do Camus; gostei tanto que fui comprar o livro (só com letrinhas) para conhecer melhor a história de vida do Camus.
    Há uns anos era um bocado céptica relativamente à Nona Arte (exeptuando talvez os meus queridos Corto Maltese e Astérix), mas agora deixei-me de preconceitos idiotas: gosto de pintura e de desenho, gosto de boas histórias, logo gosto de novelas gráficas - e continuo a gostar de ler livros sem "bonecos"; uma coisa não invalida a outra

    Maria

    Também comprei recentemente a BD Mataram a Cotovia, da Harper Lee, mas ainda não a li.

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  7. Não gosto muito de banda desenhada, prefiro o romance tradicional. Mas deve haver quem ponha em primeiro lugar o romance gráfico. E até quem leia ambos e compare e assim. E pode que um romance gráfico arrecade novos leitores e venda mais, a ambiência que existe hoje segue muito a linha da imagem. Portanto...
    Espero eu que não se leiam apenas esses romances. Não tenho preconceito, mas algo me diz que a relação leitura-imaginário sai empobrecida.

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    1. Bea, eu penso que a relação leitura-imaginário sai mais empobrecida se eu vir o filme antes de ler o livro; é-me impossível estar a ler e não estar a ver a cara dos actores. No caso das novelas gráficas esse problema nunca se me pôs, mas não digo que não exista :)
      Dos autores de BD que descobri ultimamente, destacaria, sem dúvida, o Jiro Taniguchi (já falecido), com histórias originais de extrema sensibilidade e beleza, o álbum sobre Veneza que ele criou para a Louis Vuitton é uma obra de arte, são autênticas pinturas. Pode ser folheado na net.

      Maria

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    2. Pois, não tenho muita experiência de ver o filme e a seguir ler o livro (prefiro ler livros de que não vi os filmes). Mas já me aconteceu. E gostei bastante de ambos. Neste caso o livro estava um bocado para lá do filme e a imagem não era bem a dos actores como os vi, embora lá estivessem também.
      Como disse, não tenho muita experiência de banda desenhada e não li qualquer livro gráfico. Obrigada pela sugestão na net.

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  8. Sem querer desviar-me do tema, confesso que ainda me custa engolir a designação “romance gráfico”. Percebo que a Rosário a tenha utilizado neste texto, afinal já foi adotada pela linguagem corrente e é eficaz na identificação do formato. No entanto, como leitor persistente de banda desenhada, continuo a achar esta denominação suficiente e justa.

    Romance ainda admito. Mas gráfico? Nem etimologicamente faz grande sentido diferenciá-lo por aí. Em que é que o Logicomix é mais gráfico do que um livro sem bonecos?

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  9. Além do CARAVAGGIO do Milo Manara também tenho banda desenhada ( ou será romance gráfico?) sobre a "Recherche du Temps Perdu" do Proust, mas apenas em 3 volumes que adquiri em França em 2000. Parece que só agora o romance gráfico se tornou moda!

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