Fingir

«Ficção» vem de «fingir», mas, curiosamente, no livro de que hoje vos falo, é sobretudo na pintura que se finge muito. Este romance, Hotel Melancólico, que é a segunda obra da argentina María Gainza e menos fragmentária do que O Nervo Óptico, está quase a pousar nas mesas das livrarias (sábado já deve estar à mostra em alguns sítios) e fala de falsários e falsificações, o que não é estranho se pensarmos que a autora é crítica de arte. A história reza assim: o tio da narradora, farto de a ver sem fazer nada, arranja-lhe emprego num banco para trabalhar com uma avaliadora de obras de arte. E, contra todas as expectativas, o ofício torna-se fascinante, não só pelas incríveis descobertas sobre falsificações, mas sobretudo pelas histórias secretas que a chefe acaba por lhe contar, uma das quais é a do Hotel Melancólico, onde viviam artistas que copiavam quadros para ganharem a vida e por onde passou a misteriosa Negra, que se especializara em falsificar a obra de uma pintora famosa que fazia retratos da alta-sociedade de Buenos Aires. Um belo dia, porém, a chefe estranhamente não aparece para trabalhar e o mais certo é que lhe tenha acontecido algo de grave; mas, se assim for, como continuar a viver sem saber o fim de todas aquelas histórias que ficaram a meio? É uma delícia este livro, onde o que é real parece inventado e vice-versa.


 


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Comentários

  1. Lido "O Nervo Óptico" percebe-se haver ali uma excelente autora e não só de causas.

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  2. Correcção: não se encontra à venda no nosso país 'O nervo óptico', mas sim 'O nervo ótico' (tem a ver com ouvidos).

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  3. Lembrei-me do Grand Budapest Hotel … e logo eu que nem sou cinéfilo, mas acabei por ver este belo filme no avião, e gostei imenso, além de o achar inteligentemente humorado!

    A proposta deste livro também me parece interessante!

    Saudações hoteleiro-livrescas cá da Cidade Morena!

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  4. Mais uma boa sugestão. Gostei do "Nervo Óptico".

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