Crónica e oficinas de escrita

Hoje é dia de crónica, e o link aqui vai:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/27-jul-2019/interior/o-fim-da-correspondencia-11150192.html


 


Chegou também o regresso das Sessões Ícone na Escola de Escritas EC.ON, na Travessa do Possolo, em Lisboa. No dia 7, esteve presente a romancista Alexandra Lucas Coelho e ainda este mês, no dia 21, o poeta Miguel Martins é o escritor convidado. Mas, até ao fim do ano, vão participar Valter Hugo Mãe, Andreia C. Faria, José Rui Teixeira, Joana Bértholo, Marta Bernardes, Sérgio Godinho, Rodrigo Guedes de Carvalho, enfim, consulte a página e inscreva-se:


http://escritacriativaonline.net/


 

Comentários

  1. Obrigado, mas já estou inscrito na Oficina da Escrita da Academia Sénior da Portela, a cargo da escritora Isabel Fraga.

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  2. Não gosto do título "Escola de Escritas". Preferia que utilizassem "Encontro de Escritas", porque parte-se do principio, que todas as pessoas que se inscrevem nestas acções já aprenderam a escrever...

    Em relação à crónica, passamos a vida a "perder coisas"... Acho que se os postais ilustrados já fossem vendidos com selo, era mais fácil continuar a dizer um "olá com imagens". :)

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  3. Ainda há poucos dias se comentava entre amigos (no Facebook!) este mesmo tema do desaparecimento das cartas.

    É pena, penso eu, pois para lá da melancolia da correspondência e da excitação que sempre causava receber-se uma carta, desaparecem essas trocas de ideias, palavras, ou sentimentos que o papel perpetuava.

    No Bairro Ribatejano havia vários "carteiros". Deslocavam-se de bicicleta, ao Sol ou à chuva, com as suas malas de coiro e tocavam uma corneta de latão a anunciar a sua chegada, se bem que a cãzoada o fizesse bem antes! Eram sempre os mesmos, durante anos e acabavam por quase fazer parte da família, eram conhecidos os nomes e recebidos como amigos. Havia sempre um copo de água fresca ou de água-pé para os mimar e até consoante fosse o caso, uma guloseima, um cacho de uvas, talhada de melão, pedaço de chouriço do novo fumeiro…
    O carteiro saía do posto de correio de manhã cedinho e ia fazer a volta, regressando a casa, pelo que tinha o dia todo. Além do correio também traziam as novidades que iam recolhendo e espalhando ao longo do percurso, fosse que trigo da Formiga dera 18 "simentes", que se estragara a azeitona da Mari' do Cabeço, morrera a Linda, houvera um grande desastre na estrada de "Ri' Maior" com um morto e dois feridos, A Júlia do "Táchêra" parira nessa noite… assaltaram durante a noite um "casal" nos Casais do Paúl para roubar "criação", estavam uns ciganos acampados no Porto Mau…

    Havia um em especial que era um grande ponto, o Fontes. Sempre muito córado e de nariz comprido igualmente vermelhusco, "da pinga" de que era grande apreciador, mas não lhe atrapalhava o serviço, aquilo "andava a vinho", como se dizia. E ele contava com ar sério, que a culpa não era dele, era um defeito da bicicleta que lhe distribuíram! Ele vinha muito bem a direito, estrada fora, mas em se aproximando de uma taberna, aquilo a roda dava em virar, em torcer sózinha para lá, e prontos…

    Ficam as histórias. Não ficarão infelizmente já as cartas para as gerações futuras recordarem os que partiram… lembro-me da emoção que foi, aqui há uns anos e já depois da morte da minha mãe, quando resolvemos mudar o cofre pequeno para o fundo do corredor, encontrarmos eu e minha irmã Tereza Isabel, a mais velha, na gaveta por baixo e suponho que escondida ou esquecida, uma caixa de lata com um grande maço de cartas, de amor, de uma tia-bisavó que foi artista de teatro, com um advogado de renome na época, obviamente amantes! Por respeito apenas passámos a vista e inteirando-nos do que eram, voltámos a colocar na caixa e esta no sítio… lá está, talvez um dia seja encontrada por um dos nossos netos ou filhos, sei lá. A quem nada dirão já os nomes dos amantes, e se calhar nem a poesia daquelas.

    Adeus passado! O que é bem mais triste, pois o futuro…

    Saudações e bom fim de semana para todos, são os votos cá desde a Cidade Morena.

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    1. Que comentário tão jeitoso:). Sim senhor, gostei mesmo.

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    2. Eheheheh! Munto obrigado!

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  4. Bom dia com alegria

    Lida a crónica, deliciosa, bem como o post, é impossível não estabelecer uma relação entre os dois.

    A ver.

    Nada contra as escolas, ateliers ou workshops de escrita criativa. Todos precisamos de ganhar a vida.

    E a indústria do livro proporciona hoje uma variedade de propostas que, no mínimo, têm a vantagem de mediatizar o autor, aumentando a probabilidade de mais tiragens, mais vendas.

    É um circo, que também existe noutros misteres.

    Não aprecio sobremaneira mas, caramba, quem sou eu para ditar regras. Enquanto o valor acrescentado líquido desses eventos for positivo eles existirão.

    Agora, não posso deixar de sorrir quando, paralelamente às aulas de escrita, a crónica versa sobre a falta da prática da escrita.

    Como aquelas pessoas que enfardam à bruta nove meses, e ao décimo inscrevem-se no ginásio para atacarem a praia com a barriga no sítio.

    Quanta criatividade por escrever, no quotidiano, plasticizada no atelier?

    Há muito mais para burilar fora das aulas.

    E o professor não pode ser o receptor da missiva? E vice versa?

    Qual o objectivo de quem de inscreve? Ser escritor? Copywriter? Spin Doutor? Usufruir de uma experiência única? Surfar a moda dos ateliers de escrita criativa?

    (O que pensaria José Cardoso Pires sobre o assunto?)

    Na minha área (informática) diz-se: é preciso uma mulher e nove meses para ter um bebé; de nada serve ter nove mulheres e um mês.

    E era isto.

    Bom fim de semana.

    Boas leituras
    cp, a dar uma de Velho do Restelo

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  5. Excelente tema. Tenho predileção por obras literárias as exibem cartas modestas e distantes; em alguns casos empertigadas, curtidas do tempo.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  6. Olhem que mestres! Escrita criativa? O que faz falta são escolas de leitura, para formar bons leitores.

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  7. Obrigada à Rosário por zelar pelos nossos interesses de escrita e leitura. Pois eu ia dizer que me desinteressam os cursos de escrita criativa e mais as opiniões, decerto abalizadas, dos escritores, alguns dos quais, azar meu, ainda não li. Interessam-me muito mais aulas em que se apresentem obras literárias e se discorra sobre elas e os autores. Mas já houve tempo em que pensei inscrever-me num curso dessa natureza, só para saber como se trabalha e em que incidem os professores. Entretanto, perdi a curiosidade.
    Quanto à crónica, pertenço ao número dos que lamentam a ausência de correspondentes, ainda que não tenha por hábito guardar a correspondência. Por mim, as cartas podem continuar. Quem me conhece bem sabe que tenho sempre comigo papel de carta e envelopes de correio azul. Mas cartas sem eco, que é como quem diz, sem resposta, têm pouco interesse. Contudo, de vez em quando a saudade aperta com mais força e escrevo a uma das minhas amigas (por exemplo). Tenho imediata resposta, envia-me um sms a agradecer dizendo que gostou muito da surpresa. Ou liga-me. Nada a fazer. É hábito que não podemos instaurar sozinhos e, pelos vistos, sou incapaz de instá-la(s) a responder.
    BFS

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