Bem-vindos

Ora, mais uma vez bem-vindos (se é que ainda aí estão) ao Horas Extraordinárias depois de umas férias que espero tenham sido muito boas (as minhas, passadas a saltitar de um lugar para o outro, foram óptimas). Hoje é dia de dizer o que ando a ler, mas prefiro falar de um romance que li nestas férias – História de Uma Família Decente, de Rosa Ventrella –, obra que é para os leitores que apreciam sagas familiares e histórias bem contadas e cinematográficas, e que eu diria ser muito indicado para todos os amantes de A Amiga Genial, de Elena Ferrante (seja lá ela quem for). O enredo centra-se numa história de amor entre dois amigos de infância num bairro difícil e violento de Bari e pode ser visto, por um lado, como uma espécie de Romeu e Julieta contemporâneo com um final muito diferente (eu não disse feliz, reparem), mas também como um relato das condições de vida dos moradores de um bairro de pescadores da Itália do século XX. Lê-se num ápice e já foi comprado por uma produtora de cinema. Daqui só se pode esperar um belo filme, com actores belos – italianos, bem entendido. Fluente, sem gorduras, uma leitura sem espinhas.

Comentários

  1. Olá, Maria do Rosário e Extraordinários frequentadores desta sala.
    E já que falou na Ferranti, o último livro que li foi o das crónicas que ela publicou no The Guardian durante um ano.
    E gostei muitíssimo.

    Maria

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, o livro chama-se A Invenção Ocasional e tem belíssimas ilustrações do Andrea Ucini.
      Bom para ler na praia, agora que chegou o Verão...

      Maria

      Eliminar
    2. A minha mulher é apreciadora dos romances da Ferrante, eu nem tanto. Vou comprar e oferecer-lhe esse conjunto de crónicas. Até pode ser que eu seja mais seduzido pelos textos curtos desta autora.

      Eliminar
    3. Acho que ela vai gostar, Artur, e o livro também é muito bonito enquanto objecto, digamos assim.
      Eu ainda não me aventurei com a tetralogia da Ferrante, apenas li As Crónicas do Mal de Amor, o Escombros (dispersos) , uma história para crianças e A Invenção Ocasional.
      Pode espreitar algumas crónicas no site do Guardian.

      Maria

      Eliminar
  2. Gostei muito da "Autobiografia" do José Luís Peixoto ! É uma bela ideia criar um Saramago que, pouco antes da atribuição do Nobel, aceita que o seu editor encomende a escrita da sua biografia a um jovem escritor, chamado José como ele, que está em crise por não conseguir escrever o seu segundo romance e que passa também por problemas sérios na sua vida pessoal. Dizem-me os meus amigos, com ar de crítica, que é "mais um romance de metaliteratura, até parece que os escritores só sabem falar deles próprios e da sua profissão". Isso a mim não me incomoda desde que história seja inovadora e o estilo elegante, como é o caso. Que bom que é ter todos os personagens desta "Autobiografia" com os nomes de inesquecíveis criações romanescas de Saramago. Que consolo ver José Luís Peixoto oferecer-nos um Saramago generoso, tal como eu o imagino. Que interessante o diálogo final entre dois escritores: o consagrado e o que se quer afirmar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Artur, e eu gosto tanto, tanto desses dois. E até já comprei o livro... só me falta arranjar um tempo que me permira lê-lo com calma e sem interrupções.
      Gostei de saber que gostou.

      Maria

      Eliminar
    2. Olá Maria, obrigado pelo seu comentário. Quando começar a ler irá encontrar uma nova Lídia, que agora é cabo verdiana e a viver na degradada Quinta do Mocho, um Raimundo Silva editor de Saramago e do jovem escritor e preocupado com os seus problemas, um Bartolomeu de Gusmão, anjo da guarda do jovem escritor em perigo de vida pelo seu vício de jogo. E naturalmente um Saramago muito perspicaz e uma Pilar del Rio muito atenta ao que se passa à sua volta. E mais não digo e o que disse não é um "spoiler" porque está apenas nas primeiras páginas de um romance com um enredo bem elaborado e cheio de surpresas.

      Eliminar
  3. Ora vivam Todos os Extraordinários!
    Cá estamos novamente e com saudades destas nossas comentações e trocas de opiniães diárias!

    No ano em curso, nem por isso li tanto quanto gostaria e até preciso, por falta de tempo mas também porque andei envolvido em diversos projectos de escrita que me o impediram, pois quando escrevo, leio quase nada, falta-me a concentração para isso.

    Na minha vilegiatura recente no torrão natal, no entanto, tirei a barriga de misérias:

    1 - Viagem por África. Uma viagem de e à Paul Theroux, para mim o melhor escritor contemporâneo de viagens, e está tudo dito!

    2 - Teoria da viagem – Michel Onfray. Uma teoria da viagem, mesmo! Literalmente. Numa nova e original abordagem à viagem em si, não uma viagem específica mas ao acto de viajar! Leitura obrigatória.

    3 - Ficção curta completa, do Mestre Herman Melville. Extraodinário, nem comento, só aconselho! Numa das minhas incursões livreiras, descobri esta recente reedição na Bertrand, e papei-o logo!

    4 - Deu-me para ali, pois não consegui encontrar o meu exemplar e comprei outro, recente, de O coração das trevas, de Joseph Conrad. Excelente obra, mas péssimamente traduzida, o português usado não sei onde o foram buscar mas parece uma re-invenção do nosso idioma, ou coisa que o valha, e não faz justiça à escrita original! Um mau trabalho e diria que um desrespeito pelo clássico. Frases muito mal amanhadas, por exemplo:
    - “ … balançava sobre a âncora sem nem um sacudir de velas.” Então e o “sequer” , não se usa?
    Mas há pior: “… não podem negociar se tiverem algum tipo de embarcação naquele monte de água fresca…”. Monte? Água fresca? Fresh-water é água-doce e não fresca!
    “Sempre segui o meu próprio caminho através das minhas próprias pernas”. Através? Ou pelas?
    “Engenheiro” num navio, é maquinista que se diz, e o significado de engeneer … Tal como o funcionário das aduanas, não se usa, o termo é alfândega! Ou aduaneiro…
    “Tinha um desgosto pelo trabalho…” ou seria falta de gosto?
    Enfim, fiquei arrependido de o ter comprado… chateou-me ao ponto de nem o reler como tencionava, mas pu-lo de parte!
    Fica a crítica e o alerta!

    Actualmente estou a ler dois excelentes livros:
    - A era dos muros – Tim Marshall, um ensaio muito bom sobre acontecimentos da actualidade na vertente da intolerância que se instalou.
    - Banquete no Paraíso – Donald Ray Pollock. Este sim, que Grande Livro, que Grande Autor! Para quem goste dos mestres do romance americano clássico, é imperdível. Com a força e a garra, os personagens, o tema e até alguma alucinação no desenrolar da acção, ao melhor nível do que já li. Aconselho absolutamente!

    Saudações renovadas cá da Cidade Morena, again…

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro António Luíz, obrigado pelas excelentes sugestões de leitura. Sou também fã do Theroux desde que li em inglês "O Grande Bazar Ferroviário". Recentemente li dele uma coleção heterogénea de ensaios ("Figures in the Landscape") contendo excelentes retratos de escritores e pensadores, para além de textos de crítica literária de grande qualidade, o que foi uma surpresa para mim. Sou também frequentador do Conrad e do Melville. Não conhecia os livros de Onfray e de Pollock e irei procurá-los depois de tão entusiásticas recomendações. Obrigado.

      Eliminar
    2. Caro e Extraordinário Artur:
      - Se gosta de autores americanos, como Caldwell, Maugham, Hemingway, Salinger, Fawlkner, McCarthy, Fitzgerald, e eventualmente de realizadores como Tarantino (que faria com este romance um filme soberbo!) … não perca este Banquete no Paraíso! É formidável!

      Abraço!

      Eliminar
    3. Caro Amigo, vou mesmo procurá-lo. Abraço.

      Eliminar
    4. O António apresenta aí uma lista de respeito!
      Apenas uma ressalva: o Maugham é do mais britânico que há, até nasceu na Embaixada Britânica em Paris, por vontade expressa do pai, que não queria que ele tivesse outra nacionalidade que não a Britânica.
      Gosto imenso dele, especialmente do Fio da Navalha, embora para muitos não seja esse o seu melhor romance.
      O Theroux escreveu The Mosquito Coast, que deu um extraordinário filme com o Harrison Ford.
      Mas, como disse, é uma bela lista de escritores.

      Maria

      Eliminar
    5. Tem razão… foi precipitação minha, pois não era Maugham que eu queria citar, mas sim Steinbeck, que grande calinada!

      Eliminar
    6. Steinbeck, outro de que gosto imenso.
      E não foi uma calinada assim tão grande :) afinal são todos escritores de língua inglesa.

      Maria

      Eliminar
  4. Ó Paxeco, do Donald Ray Pollock, li "SEMPRE O DIABO" e fiquei "agarrado" —que grande escritor—!
    Nota:-na recente Feira Livro Lisboa vi este "Sempre o Diabo" na banca dos saldos a €4,50 e ninguém lhe pegava e havia, sem exagero, umas largas dezenas de exemplares ao monte. E o JRS o 571 (a autografar o último que saiu da fábrica, com fila de quilómetro) -

    E confirmei outro grande/enorme escritor francês, não sei porquê, mas continua um desconhecido - Philippe Claudel, "O Relatório de Brodeck" é mais um grande livro, de um grande escritor!
    Nota: mais umas dezenas deles na banca dos saldos a €4,50.

    E li o único que me faltava ler da soberba/gigantesca escritora CARSON McCULLERS (não tenho mais adjectivos)!!!!

    ResponderEliminar
  5. A descobrir Deborah Levy. Comecei pelos dois volumes já publicados da sua autobiografia, e agora estou a ler o romance ( o único publicado em Portugal, parece-me) Nadar para Casa. A adorar a sua escrita. Sou sempre assim: quando gosto de um autor, é até esgotar... :)

    Ah, e já tenho o A Vida Feliz à espera.
    Bom regresso!

    ana b.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório