Amiga dos livros
No mesmo ano em que uma sondagem do semanário Expresso revelava que 43% dos portugueses não liam um único livro há seis meses, leio que na Finlândia as pessoas são bastante mais amigas da leitura e que são vendidos por ano no país cerca de 20 milhões de livros, o que indica aproximadamente 4 livros por pessoa, incluindo as crianças. Um em seis finlandeses entre os 15 e os 79 anos compra em média 10 livros por ano; e não se pode dizer que as novas tecnologias tenham afectado estes bons hábitos, pois em 1995 os números eram significativamente mais baixos. Há também muita gente (40% da população) que requisita livros nas bibliotecas regularmente (pelo menos, duas vezes por mês). As bibliotecas são mais de 800 (entre centrais e filiais), sem contar com as itinerantes (150), que circulam pelo país com cerca de 4000 títulos, representam 10% dos empréstimos totais de livros e chegam a percorrer 50 000 quilómetros num ano. O que é ainda melhor é que as bibliotecas adquirem todos os anos grandes quantidades de livros novos, investindo cerca de 300 euros por cidadão (!!!) em livros, revistas, jornais e outros materiais. Caramba, que paraíso.
Também uma sondagem recente dizia que a Espanha, Grécia e Portugal estavam na cauda da Europa no que respeitava a leitura e compra de livros, enquanto os nórdicos e o Reino Unido estavam no topo.Não é caso para admiração mas algo está a faltar depois de 40 anos do 25 de Abril. O incentivo `a leitura deve começar na Escola e em casa dos pais.Era o Estado Novo obscurantista? A situação actual não andará muito longe, as novas tecnologias ajudam? ou afastam os portugueses da leitura e dos livros, impressos ou não?
ResponderEliminarAh, que saudades do Estado Novo... Pena ter ficado tanta gente analfabeta. Daqueles que se tivessem ido à escola, nesse tempo iluminado, talvez agora quisessem ler um livro de vez em quando...
EliminarE o que fez para remediar isso?
EliminarJá experimentou ensinar alguém a ler?
(Se é professor/a esqueça a pergunta).
Já pensou como seria bom se cada um de nós ensinasse uma pessoa a ler, apenas uma?
Eu, que não sou nem nunca fui professora, já tive essa alegria.
E é muito, muito bom, é assim como mostrar o mar pela primeira vez a um/a velhote/a.
(E por favor não me peçam para dizer idoso ou sénior...).
⚘
Maria
Sem querer menosprezar a iliteracia funcional que vigora por Portugal fora, digo que esses países que tanto lêem são um bocadinho ajudados pelo clima inóspito. E enquanto escrevo isto, não posso evitar o pensamento de que conheço quem frequente a Finlândia e me garanta que, por lá, saem muito mais que nós. E portanto fica a minha teoria sem efeito.
ResponderEliminarNão me parece que a era digital substitua a leitura de livros. Não é a mesma coisa E até os finlandeses o provam). Há povos enfronhados na aparência e na imediatez. Pior para eles. À semelhança de Variações digo que o pensamento é que paga. Forma-se cada aleijão. O mal disto tudo é que esses aleijadinhos mentais vão estar à testa do país. E depois...
Não é preciso recorrer a sondagens para saber que os portugueses se detestam a si próprios, e endeusam tudo o que é de fora… na proporção directa da sua sofisticação ou presumida intelectualidade.
ResponderEliminarJá o 1º Ministro Sócrates queria fazer de Portugal, uma Finlândia… não sei onde raio iria buscar tantos meses de Inverno e a neve, nem tornar-nos altos, loiros, pálidos e de olhos claros… Isto para não falar nos "estrangeirados" e todos os literatos, políticos, autores ou opinadores que desprezam sempre a nossa gente: Os outros é que são, e até querem seguir modelos como o da desenvolvida e evoluída Albânia…
Infelizmente os nossos intelectuais são assim, desprezam-nos, não gostam de nós e portanto não escrevem para nós! Será?
Eu desconfio que sim, e muito me enfurecem estas conclusões depreciativas.
Lemos pouco? Olhem façam livros que a gente queira ler, e façam-nos baratos!
Com o preço médio de um livro a 20 euros, como esperar que os jovens leiam? Ou quem não tenha um bom rendimento mensal?
Pois, existem as bibliotecas, é capaz… mas se calhar não é essa a solução, porque o Mundo hoje é outro e funciona de outro modo em relação a quarenta anos atrás, ainda não deram por isso?
Para o diabo que o carregue o Expresso, arauto daquilo que lhe interessa!
Saudações de um português expatriado, forçado e indignado, que lê e não comunga nem num átimo dessas opiniões redutoras.
Mas ó caros amigos isto de pouca gente ler também é global, porque seja espanhol, francês, amaricano, brasileiro contam-se pelos dedos os que lêem.
EliminarOs poucos estrangeiros que vejo com livros na mão, olho para os títulos e prós autores e mais valia estarem quietos porque é tudo lixo, aliás quando os terminam (se os terminam) deitam-nos mesmo pró lixo, portanto nem de livros gostam estes raríssimos trogloditas... isto de gostar de ler, mal comparado, é como saber jogar futebol, não se aprende nasce (e dá trabalho-é muito mais fácil ir à Internet)!
Tunga!
EliminarÓ Severino, boa malha!
É triste nunca ter ninguém à minha frente quando numa grande biblioteca pública do Porto (Almeida Garrett) requisito livros para ler em casa. É que é só há um guichet para se fazer a requisição de livros para leitura domiciliária e a biblioteca está sempre cheia de gente, sobretudo de estudantes concentrados nos seus computadores e apontamentos. É estranho que não levem um livro para casa.
ResponderEliminarApropriado culturalmente nem significa o exportar cultura. Desconheço autores finlandeses.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Mika Waltari foi um autor finlandês muito conhecido na primeira metade do século XX. Chegaram até a fazer um filme em Hollywood baseado num romance dele, "O egípcio". Outros autores mais recentes que vale a pena descobrir são Arto Paasilinna, Rosa Liksom, Sofi Oksanen e Riikka Pulkkinen. E, para quem gosta de policiais, a Leena Lehtolainen.
EliminarOlá Cláudia,
EliminarPosso indicar os dois autores finlandeses que já li.
Arto Paasilinna:
- A Lebre de Vatanen
- Um Aprazível Suicídio em Grupo, um livro muito divertido (mas não pateta) e que por acaso termina em Portugal.
Sofi Oksanen:
- Purga. Um livro muito duro, muito bom e muito premiado.
Boas Leituras!
⚘
Maria
Estive recentemente na Finlândia. Creio que o clima e as idiossincrasias dos finlandeses talvez conduzam a esses dados... Trouxe na mala de viagem um livro de BD escrito por uma finlandesa, intitulado Guia social para compreender um finlandês. Não amei o país e não percebo em que medida podem ser "tão felizes" e literatos.
ResponderEliminarGrande país! Diz é que é mau para ler praia...
ResponderEliminarBom dia com alegria
ResponderEliminarFala-vos um extraordinário que, no dizer de um familiar, lê livros "esquisitos".
Por esquisito entenda-se um livro de História, Sociologia, Ciência Política, Antropologia ou Filosofia. Ou livros "antigos". Os livros "antigos" também são "esquisitos". Para ele.
Por exemplo, ofereci a essa pessoa um livro de Sinclair Lewis, Isso Não Pode Acontecer Aqui. Pediu-me o talão de troca pois receava o livro estar datado...Palavras para quê? (Ou como diria alguém: Adeus Futuro)
Caríssimos, vós sois uma imensa minoria.
Quem lê, quem tem hábitos de leitura, é uma minoria. Quem lê livros que façam pensar, literatura, chamem-lhe assim, é uma minoria dentro dessa minoria.
Prescindir do policial nórdico (mesmo que filandÊs) e do romance rosa, infinitamente policopiados até à náusea, não é para qualquer um.
Ler é fácil, pensar, reflectir é difícil.
Esta cultura(?) não se muda dum dia para o outro. Apenas podemos tentar influenciar quem está mais próximo de nós. (Nesse campo um editor ou alguém com exposição mediática leva vantagem, na exacta medida da sua influência. Vide o Prof. Marcelo e a tetralogia da Ferrante.)
A propósito, este Verão, ofereci "As viagens de Gulliver", prefaciado pela nossa anfitriã, ao meu mais velho, que vai agora para o sexto ano. Comprado na Centésima Página, em Braga, com um atendimento 5 estrelas.
É uma gota de água.
Mas é o que se pode arranjar.
Boas leituras
cp
PS: Contamos consigo, Maria do Rosário, para "filandizar" Portugal!
PS2: Um jogo engraçado para lidar com a dependência dos écrans: à mesa os écrans estão pousados. O primeiro que sucumbir ao medo-de-estar-a-perder-algo (fear of missing out) e pegar no dito para consultar uma notificação, mail ou outra chamada de atenção cibernética é punido. Dependendo da idade dos convivas, a punição pode ser pagar a próxima rodada de imperiais, contar uma história, declamar um poema ou contar uma adivinha.
Gosto muito de ler os seus comentários.
EliminarDiz sempre coisas interessantes, daquelas para reflectir, e fá-lo com sentido de humor.
Boas Leituras.
⚘
Maria
Para além do preço e de (eventualmente) questões culturais, é preciso ter em conta os horários de trabalho e das escolas....
ResponderEliminarBoa noite Maria do R. Pedreira.
ResponderEliminarPorque não deixa de elogiar tudo o que vem dos outros países.
Melhor seria dizer aos Portugueses porque é que a situação dos livro em Portugal é essa.
Se alguém tem obrigação de informar os Portugueses, é a SRª
Diga-lhes a verdade
Por aqui me fico por hoje, mas identificado.
Pois uma parte dos seu seguidores são anónimos e sempre os mesmos nomes.
Serrá tb um clâ????
José Gonçalves Calixto
Parece-me que vou viver para a Finlândia! Não passo um mês sem comprar um livro, hábito que para mim se tornou tão natural e imprescindível como beber café! Será que exagero?
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