O que ando a ler

A tradição de publicar em fascículos independentes, ou às pinguinhas em jornais e revistas, morreu, até porque os jornais e as revistas também já não são o que eram e ninguém hoje lê e encaderna fascículos (e muita gente já nem lê jornais). Mas houve um tempo em que era bastante comum (Dickens começou assim a carreira, por exemplo) e o hábito durou quase até à era do digital (sim, ainda comprei um atlas em cadernos que depois mandei coser dentro de uma capa que também ofereciam). O que agora ando a ler também começou a ser publicado em capítulos, e curiosamente na revista Playboy. Trata-se um romance de Yukio Mishima (o grande Mishima que amava as tradições e se matou desencantado com a modernidade) que, graças a Deus, a Livros do Brasil acaba de publicar em livro. Chama-se Vida à Venda e conta como um jovem publicitário de 29 anos, na sequência de um suicídio fracassado, resolve despedir-se e pôr um anúncio dizendo que vende a sua vida. Claro que esta estratégia de acabar com ela vai criar peripécias que terão frequentemente o efeito contrário, ao ponto de o fazer talvez reequacionar o valor da vida. Veremos, claro.

Comentários

  1. Acabei de ler Fanny Owen da Agustina e Calvário e Glória de Camilo de Eduardo Sucena, de algum modo relacionados.Estão na calha com vista ao Clube de Leitura da Portela: As Velas Ardem até ao Fim de Sandor Marai, Máquinas Como Eu de Ian McEvan e A Harpa de Ervas de Truman Capote.

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  2. A "decadência" da venda de livros em fascículos. aconteceu com a "democratização" dos livros, quando se tornaram acessíveis a quase todos os lares, algo que não acontecia, antes de Abril, por exemplo...

    Acabei de ler "Acontecimentos Vividos", de Gabriel Pedro (por questões profissionais...), Antes tinha lido "Teatro" de Bernardo Carvalho e não achei grande piada (devia ter fugido dos "saldos" da feira).

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    1. "HOMEM INVISÍVEL"-Ralph Ellison - Nas suas quase quinhentas páginas, o narrador, sempre incógnito, é um negro que é expulso de uma universidade para negros e é cruelmente traído pelos da sua própria raça, sentindo até onde pode ir a perversidade e a extrema maldade humana, seja branca seja preta.
      Considerada a maior obra da literatura negra dos EUA "Homem Invísivel" é daqueles romances que só depois da primeira centena de páginas (vou na 180) se me colou e da qual já não consigo desligar.
      Creio que efectivamente estou perante um grande romance (daqueles que não são fáceis mas que nos obrigam a reflectir...e a pensar).

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  3. Curiosamente, também ando a ler as crónicas de outro autor (este é fictício) amante da tradição e desencantado com a modernidade: as "Crónicas de um Reaccionário Minhoto" de António Sousa Homem.

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  4. "Ilusões Perdidas", de Balzac, um autor a que volto recorrentemente.

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  5. O clássico "D. Quixote de La Mancha" de Miguel de Cervantes. É uma pérola!

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  6. Acabei de ler "Torto Arado" de Itamar Vieira Júnior. Gostei imenso, mesmo que em partes seja um pouco "esotérico" demais para o meu gosto.
    O próximo será o volume I das obras completas de Maria Judite de Carvalho, editado pela Minotauro.

    Rui Miguel Almeida

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  7. Absolutamente, Cândida. O melhor livro que alguma vez li.

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