Grandes autores para pequenos leitores

A literatura infantil é pouco valorizada – tendo, sobretudo, em conta que é por ela que se começa a ler (e, se algo falhar então, é provável que os miúdos nem se tornem leitores). Apesar de algumas excepções, os autores de livros infanto-juvenis não são tratados com o mesmo respeito dedicado aos outros escritores e, por outro lado, também não se dá grande importância aos livros infantis escritos por escritores consagrados de literatura adulta. Li um artigo sobre os livros infantis desconhecidos de nomes maiores da literatura universal e cheguei à conclusão de que não tinha conhecimento de grande parte deles. Por isso, escrevo hoje este post para chamar a atenção para isso e dizer que Faulkner e Joyce, por exemplo, escreveram livros para crianças (The Wishing Tree e The Cat and the Devil, respectivamente); Carson McCullers escreveu um colectânea de poesia para os mais pequeninos; James Baldwin, Gertrude Stein, Sylvia Plath, Umberto Eco, Patricia Highsmith – todos eles são autores de pelo menos um livro para os mais novos, muitos dos quais com ilustrações de sonho (a que mostro abaixo é de Yoran Cazac, do livro Little Man, Little Man, de Baldwin), tal como os pouco prováveis escritores de literatura infantil T.S. Eliot, Salman Rushdie, Saramago, Ian Fleming ou Toni Morrison.


 


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Comentários

  1. - E se as histórias para crianças passassem a ser obrigatória para os adultos. Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?
    (José Saramago)

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  2. António Luiz Pacheco2 de julho de 2019 às 03:37

    Que interessante o tema que nos trás hoje aqui!
    Sem dúvida!
    Não sou dos que achem que a literatura infanto-juvenil seja "menor", bem pelo contrário!
    Tem uma vertente de formação muito alargada, não só no desenvolvimento das características morais e sociais, mas sobretudo em fazer da criança um leitor juvenil e depois adulto.
    Há escritores especializados nessa área, ou melhor, sempre houve!
    E sim, é do meu conhecimento (as coisas que eu sei!) que uma grande maioria dos Grandes Escritores, dos consagrados, escreveram também para as crianças.
    Da lista enunciada confesso que só me espantei com Gertrude Stein, por causa do surrealismo.

    Saudações infanto-juvenis cá da Cidade Morena!

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  3. Virginia Woolf, Isabel Allende...

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    1. Elena Ferrante
      Agustina
      Vergílio Ferreira
      Mia Couto
      Clarice Lispector
      Patrick Modiano

      Maria

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    2. Elena Ferranti
      Agustina
      Clarice Lispector
      Vergílio Ferreira
      Mia Couto

      Maria

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    3. Por favor ignorem o segundo comentário (pensei que o primeiro não tinha entrado).
      Bem, também podem ignorar o primeiro

      Maria

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  4. Tudo o que menciona - conhecer pouco, desvalorizar, respeitar menos - aplica-se a mim. Com vergonha o confesso.

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    1. António Luiz Pacheco2 de julho de 2019 às 05:13

      Vai perdoar a ousadia, porém, acredito apenas no "conhecer pouco", o que é vulgar ou melhor, se calhar o conhecer pouco é "esquecimento", pois terá lido em jovem e se calhar esqueceu-se ou deixou de apreciar essas leituras. Porém tê-las-á valorizado em seu devido tempo!
      Creio que nenhum de nós, Extraordinários Comuns - há os Extraordinários que são ou escritores ou gente do ofício das letras - conhecerá muito bem este tema, pelo que não me parece que tenha de se envergonhar.
      Eu é que sou gabarola, assumo, e peço desculpa face à sua humildade.

      Saudações vaidosas, cá da Cidade Morena.

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  5. Escrever para crianças não é assim tão fácil como se poderá imaginar. Confesso que, de oito dezenas de trabalhos publicados nas variadas temáticas literárias, não tenho um só dedicado ou escrito para crianças.
    Já se apontaram muitos autores nacionais e não portugueses que escreveram obras infantis. Chegou a minha vez de lembrar que há um escritor - até é considerado, dado o vocabulário telúrico, dos mais difíceis para a leitura de adultos - que escreveu para crianças: Aquilino Ribeiro. Confira-se em obras como "O Romance da Raposa", "O Livro de Marianinha" e "Arca de Noé - 3ª classe".
    "O Romance da Raposa" foi escrito para o filho e foi publicado para os filhos dos outros. Mereceu até uma séria animada, passada na RTP1, a que se deu o título de "O Romance da Raposa". Lembram-se da raposa Salta-Pocinhas? Esquecer este autor português, seria saltar mais uma pocinha...

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    1. Bem lembrado. Aquilino, um dos mestres da língua portuguesa, acabei de reler Terras do Demo, considerado um dos 100 mais importantes romances do séc.XX

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    2. "É fagueira e embusteira e um pouco pintalegreta, quando cai na ratoneira, senhora de muita treta! Mestre de ladinas artes (...)"
      Esta era uma parte do genérico da bd que passava na televisão, tirada da obra de que fala. Li "O Romance da Raposa" já adulta e gostei bastante. Aquilino Ribeiro era um escritor com E maiúsculo"!
      É, de facto, pena que muitas das obras infantis sejam votadas ao esquecimento.
      Eu gosto de ler livros da literatura infantil e juvenil. Não são a minha leitura preferida, mas gosto. Ainda há pouco tempo li "Sandokan" e "O corsário negro", do Emílio Salgari. É outra forma de ver o mundo!

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    3. Certíssimo, Cândida, era essa a entrada ou genérico da série que passou entre 1988 e 1989, desenhada por esse mestre da BD que foi Artur Correia (que adaptou posteriormente para a Bertrand uma banda desenhada) e animada por Ricardo Neto. A raposa não gostava de trabalhar, era mandriona - aliás como muitos políticos do seu País - preferindo ser matreira, fagueira e lambisqueira (como os ditos da política). Havia ainda o Texugo Salamurdo, o inevitável lobo e o corvo, personagens de um fabulário antigo, muito bem adaptado ao romance desse mestre escritor beirão.
      Relativamente aos livros de Salgari, li-os através das bibliotecas itinerantes da Gulbenkian. Acabei por adaptar um para BD, com a chancela Leya/ASA, sendo o único (até agora) adaptado por um português sobre uma obra do autor veronês.
      Confesso hoje, passados estes anos, que essas obras estão fora do contexto ético e social desta época, para além do desinteresse que se vai espalhando pelos jovens com a idade que eu tinha então. É certo que eu (talvez dissesse melhor, nós) como tablet tínhamos aquele arremedo em lousa encaixilhada, onde não havia forma de transformar o escuro do seu "monitor", com que fazíamos as contas de cabeça e escrevíamos com um estilete da mesma matéria. Ah!... E tinha o particular expediente de o "delete" ser um lenço enxovalhado ou a manga da camisa do utilizador.

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    4. "Terras do Demo", "Volfrâmio" e a novela "O Malhadinhas" são os meus preferidos para um pódio. A seguir, ainda em escolha pessoal, "Cinco Reis de Gente", "A Grande Casa de Romarigães" e "Quando os Lobos Uivam", passada a acção da maioria em lugares que me são muito familiares.

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    5. Tenho esses todos e mais alguns . Releio mestre Aquilino sempre com prazer e tenho alguma bibliografia sobre ele, incluindo a revista AQUILINO (4 números), cadernos aquilinianos vários e os livrinhos de Manuel de Lima Bastos sobre os itinerários aquilinianos baseados nos seus romances.

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    6. Os livros do Salgari, do Júlio Verne e do Robert Louis Stevenson ocuparam o meu universo juvenil graças à Biblioteca Itinerante da FG, obrigado Fundação.

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  6. Extraordinário Pacheco,
    Em miúdo e adolescente deliciava-me com BD e livros de aventuras (cowboys, piratas das Caraíbas, aventuras na selva) mas detestava histórias com rimas fáceis e linguagem infantil. Quando me deparei com super-heróis - homem-de-borracha, homem-aranha, super-homem - revoltei-me e cortei com a BD para sempre. Já vi que os livros hoje são diferentes e com ilustrações magnificas, merecem revalorização e não o contrário. Já que não posso esconder uma certa vergonha poderei, ainda assim, enviar-lhe um abraço vaidoso.

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  7. Falta um muito importante:José Gomes Ferreira.

    Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo

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    1. Bem lembrado, António. O José Gomes Ferreira não me passou pela memória, quase sem perdão pelo lapso, pois ele fez faz de um júri (com Álvaro Salema e Maria Velho da Costa), que me atribuiu um prémio literário.

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  8. António Luiz Pacheco2 de julho de 2019 às 12:59

    Ora que boa e interessante conversa aqui se desenvolveu!
    E sim, Mestre Aquilino é um dos meus autores preferidos!
    Extraordinário abraço cá da Cidade Morena, para todos!

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    1. É uma conversa tão interessante,ó Pacheco, que eu, num comentário ao António, coloquei ali um "fez faz" que mais parece o verso de uma lengalenga. O que eu pretendia deixar expresso é que ele "fez parte" do júri.
      De facto, Aquilino sabia manobrar a linguagem erudita e popular, manipulando vocábulos que, embora desconhecidos para alguns, eram empregues pelo povo mais humilde destas humildes regiões beirãs. Ele é uma enciclopédia de termos, tal espécie de divulgadores como aliás o foi um outro beirão das terras do Demo - Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo (Gradiz-Aguiar da Beira), que ele teve oportunidade de citar na sua obra. É a linguagem de antanho, junto das orcas, mamoas, antas e outros megálitos, de que nem destes já restam vestígios bem tratados, quando ainda houver vestígios. Foi esta que ouvi, em forma de lendas, à lareira, em algumas noites de inverno, enquanto percebia o uivo dos lobos nos outeiros. Agora, nem estes os ouço, senão algumas toscas imitações nas rádios, acompanhadas por música...lobeira.

      Do abraço que me tocou, retribuo um outro desde este planalto, onde da fauna já não se percebem os lobos,ora suprimidos pelos berros de algumas patuscas criaturas nas tardes de futebol.

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