Viajar

A Quetzal tem uma lindíssima colecção de livros de viagem chamada Terra Incognita (também há outra, igualmente bonita, na Tinta-da-China, mas existe há bastante tempo e provavelmente os Extraodinários já a conhecem). Nela, saem este mês dois livros, um dos quais do grande viajante Paul Theroux, que já esteve em Portugal no festival LeV, em Matosinhos, a falar de comboios; mas nesta sua Viagem por África, além do comboio, o norte-americano apanha autocarros e veículos de transporte de gado, jipes e canoas, e vai do Cairo à Cidade do Cabo para descobrir cenários que são mesmo o berço da beleza. O outro livro é de um filósofo contemporâneo: Teoria da Viagem, de Michel Onfray, é um ensaio sobre o que nos leva a desejar tanto viajar e a razão por que alguns têm bicho-carpinteiro e estão sempre prontos para partir, enquanto outros, pelo contrário, gostam de ficar no mesmo lugar como se tivessem raízes que os pregassem ao chão. Duas propostas muito interessantes, cada uma no seu género, sobretudo para quem se interessa pelo tema da viagem.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco12 de junho de 2019 às 01:51

    Bem, só de ler este post de hoje, fiquei cheio de comichão …
    Já fui um viajante, andei por esse Mundo se bem que sobretudo o objectivo fosse sobretudo a pesca submarina e a caça, o que aliás influenciou o acabar aqui onde estou, o Sul de Angola. Também escrevi aos longo dos anos muitos artigos de viagem, para diversas revistas portuguesas, francesas e espanholas.
    Digo isto sem pretender comparar-me a P. Theroux ou a quem quer que seja, Deus me livre de tal atrevimento, mas o que pretendo dizer - entendam - é que comungo e compreendo perfeitamente o que se diz! E o bichinho , a comichão cá está, em cada vez que tenho de fazer deslocações maiores aqui neste país de largueza e imensidão, onde ainda temos de levar na caixa da carrinha, combustível, água, pneus extras e os meios para nos safarmos por nós mesmos.

    Paul Theroux é uma referência e um dos meus preferidos! Gosto muito da forma como escreve e sobretudo da forma como consegue meter-se na pele das pessoas e integrar-se no sítio que descreve e por onde anda. Para mim essa a grande diferença, que nunca consegui encontrar noutros alegados escritores de viagem, que apenas passam pelos lugares, sempre à pressa e analisam com os olhos e a mente do europeu.

    Teoria da Viagem, de Michel Onfray, é uma boa proposta, que confesso nunca li. Também nunca o encontrei à venda…

    Graham Greene dizia que se viaja pelo ir e não para chegar a lado nenhum. Para mim, esse é o verdadeiro espírito da viagem… até na leitura, que nos proporciona viagens soberbas apenas pelo prazer de viajar, lendo! Ou não é? Um verdadeiro leitor é um viajante do espírito, penso eu de que…

    Saudações viajantes cá da cidade morena, na semana que vem vou ter uns desses dias de viagem que me levarão da Kaloanga à serra da Ebanga, em visitas a duas fazendas. Já ando a preparar a logística! O que me dá quase tanto gozo quanto a viagem em si.





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  2. Paul Theroux é um dos grandes últimos Viajantes. Trabalho-o muito academicamente :)
    Por acaso, vi o livro na Feira do Livro mas eu tenho a biblioteca Theroux "in English"... :)

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    1. António Luiz Pacheco12 de junho de 2019 às 04:45

      Vai perdoar-me a bisbilhotice, mas "fiquei c'as orelhas no ar" com o seu comentário. Que tipo de trabalho académico? Se é que pode e entende poder dizer-me. Mas fiquei muito interessado.

      Peço desculpa pela impertinência.

      Saudações turísticas cá da Cidade Morena!

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    2. Na vida real, publico academicamente (normalmente em Inglês e fora de Portugal) e um dos assuntos em que pesquiso é literatura de viagens enquanto híbrido literário a meio caminho do jornalismo narrativo :)

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    3. António Luiz Pacheco13 de junho de 2019 às 10:17

      Híbrido literário a meio caminho do jornalismo narrativo!
      Parece-me um tema muitíssimo interessante.

      Muito obrigado pela paciência em me aturar e esclarecer!
      Saudações festivas cá da Cidade Morena, onde há uma Baía do Santo António e até muitas sardinhas!

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  3. Excelente referência Theroux.

    Cláudia

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  4. Para mim uma viagem são 4: imaginá-la, planeá-la, fazê-la, registá-la. A próxima será ao Irão. Mas os escritores de viagens não me entusiasmam, nem Chatwin, nem Theroux, nem Green. Já noutro registo aprecio Cela e Saramago, por exemplo.

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  5. Para mim, a leitura de um (qualquer) livro é uma viagem!
    Estes livros da Quetzal desta nova colecção (Terra Incógnita) são efectivamente lindíssimos, absolutamente irresistíveis. Dos livros mais bonitos que eu vi até hoje!

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  6. Curioso, o livro que estou a ler também fala de viagens. Mas mais das interiores e das feitas ao longo dos tempos. Bem interessante, o livro. É da polaca Olga Tokacrzuk, e ganhou o Man Booker Internacional 2018. Chama-se precisamente "Viagens".
    ana b.

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  7. Já li o do Paul Theroux. Um dos mais extraordinários livros de viagens que li, aconselhado pelo António Mega Ferreira numa entrevista, foi : "Disse-me Um Adivinho" de Tiziani Terzani da Tinta da China. Outro foi "Immortelle Randonnée" de Jean-Christophe-Rufin que percorreu a pé mais de 800 km até Santiago de Compostela. Já fui a Santiago em 2015 mas não a pé. As minha caminhadas infelizmente não ultrapassam os 15 km,

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    1. Ó caríssimo anónimo já que falamos de viagens e de andar a pé, ouvi esta ontem: o bom português é aquele que vai a pé até Fátima mas quando vai ao café deixa o carro em cima do passeio.

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    2. A pé a Fátima nunca fui, alguns já lá foram descalços e sem fala, ao café vou sempre a pé, o carro fica na garagem ou no parque, nunca em cima do passeio. Os peões também têm direitos.E tudo isto a propósito de viagens! Mas não havia um castiço que viajava à roda do seu quarto?

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    3. Havia, era o Xavier de Maistre.
      E o livro Viagem à Volta do meu Quarto está na colecção da Tinta da China.

      Maria

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    4. Recomendo muito o "Disse-me um adivinho" é excelente. Outro que também adorei e também da colecção da Tinta da China é o "Colosso de Maroussi" do Henry Miller.
      Passou-me a fase do Bruce Chatwin. Gostei especialmente do "Canto Nómada". Já tinha lido "Arte da Viagem" do Paul Theroux que faz um apanhado das melhores obras de Viagem. Viage-se!

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    5. Dois excelentes livros. Gostei especialmente do Colosso de Maroussi, pois permitiu-me revisitar um país onde estive há imensos anos.
      Também da Tinta da China, adorei ler o "Caminhar no Gelo" do Werner Herzog, que apenas conhecia como realizador. Neste livro ele narra a viagem que fez de Munique a Paris, a pé, para visitar uma amiga que estava a morrer.
      Acreditando que ela não morreria antes de ele lá chegar, resolveu ir a pé e não de avião, na tentativa de a manter com vida durante mais tempo: extraordinário!
      Gosto muito do blog dos Urban Sketchers, Henrique.

      Maria

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    6. Obrigado Maria. Tenho de espreitar a obra do Herzog.
      Henrique

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  8. Por acaso já comprei um dessa colecção: Breviário Mediterrânico, do Predrag Matvejevitch.
    Gosto muito de livros de viagens.

    Maria

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