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Aqui há uns tempos, quando estava a reunir letras e poemas para fado oriundos de autores ditos eruditos (com obra publicada exterior ao fado) para uma antologia que ainda não saiu, descobri que Lídia Jorge era autora de uma série de textos que depois foram cantados, nomeadamente pela fadista Mísia. Foi uma boa surpresa, não só porque não lhe conhecia essa faceta, mas porque de facto a qualidade era francamente digna de nota. Agora, vem a notícia fresquinha da publicação do primeiro livro de poemas desta autora reconhecida cá e no estrangeiro pela sua obra ficcional. Ao que parece, Lídia Jorge escrevia poesia há muito mas só agora decidiu publicar uma selecção de 50 textos. A colectânea chama-se Livro das Tréguas e corresponde, segundo a autora, a «uma espécie de autobiografia consentida». Uma nova voz que vale muito a pena acompanhar.

Não me espanta!
ResponderEliminarLídia Jorge, direi eu na minha opinião de traça dos livros, tem "atitude" de poeta! Poetisa, vá lá, respeitando o género que neste particular me parece um pormenor.
Aliás, sendo escritora é natural que a alma poética lá esteja e acabe por transbordar para as palavras… não é?
Sempre que morre um poeta ficamos mais pobres, ouvi ou li algures, portanto sempre que surge um, ficamos mais ricos!
Ainda bem, pois a pobreza intelectual e poética anda para aí a fingir que quer salvar o Mundo, mas é tão falsa quanto seria eu dizer que sou leitor de poesia… mas não lhe sou insensível, o que é diferente.
Saudações e um poema, cá da Cidade Morena:
O canto do Martrindinde
é um canto da cidade
vem pela noite dentro
cheio de ambiguidade
O canto do Matrindinde
é um cantar nacional
veio do mato à cidade
e tornou-se universal.
(Ernesto Lara - filho)
Nota: o matrindinde é um grilo com aspecto de fera alienígena, cujo canto em certas alturas do ano, é típico do platô costeiro de Benguela.
Eheheh! Com o ritmo do "canto poético" da minha meninice quando numa velha pão de forma de regresso a casa, após as árduas horas de estudo com Miss Estela, se cantava: "O Zé da Calcilda foi ao bacalhau não levava dinheiro e levou com um pau".
EliminarEheheheh!
EliminarBom dia. Gosto de particularidades e o enlace a língua, logo em Lídia se lhe justifica(m) curiosidade(s) do público (nestes lados o leitor brasileiro) em "escarafunchar" obras embora a delicadeza da pena ou clareza; a solidez n'aquela alma humana a faz perturbadora.
ResponderEliminarCST
a Mísia também cantou Vasco Graça Moura além de outros consagrados. Vem a propósito uma história que vi escrita num jornal:Quando a Amália começou a cantar poetas consagrados, além dos tradicionais, como Camões, David Mourão Ferreira etc. algumas vozes desdenhosas senão mesmo invejosas diziam com ar de mofa: "Ah! agora a Amália até canta fados à Picasso!"
ResponderEliminarPergunto-me se haverá poetas dedicados a escrever letras de fado/canções e não "livros"?
ResponderEliminarLembro assim de repente Carlos Alberto Janes, Pedro Homem de Mello, Ari dos Santos (ele escreveu algum livro de poesia?) o Carlos Tê … e isso conduz-me à polémica sobre Bob Dylan.
O "letrista" é ou não é um poeta? Para mim, é!
Alguns letristas são poetas. Muitos poetas não são letristas nem escrevem livros. Vivemos num país de poetas, o que não significa que todos o sejam. E por aí fora.
EliminarJá vi livros de poesia do Ary, suponho que vão para lá das muitas canções que escreveu ( li na wickipedia)
Vivemos num país de poetas?
EliminarComo se sabe? O que é um país de poetas?