Na América

Um dos mais conhecidos escritores negros norte-americanos, James Baldwin, que lutou pelos direitos civis dos negros e, perseguido, acabou por se exilar em França, é o autor de uma pequena maravilha que em português dá pelo título de Se Esta Rua Falasse (no original, a rua tem nome, mas cá fica melhor assim), publicado pela Alfaguara. Não se afastando das questões que sempre precuparam o autor (o racismo e os bodes-expiatórios que foram tantos negros nos Estados Unidos, acusados de crimes que não cometeram e condenados a anos de cadeia onde perderam o melhor da vida), o romance é escrito na primeira pessoa por uma jovem grávida, a querida Tish, incrivelmente apaixonada por Fonny, o seu amigo de infância e namorado de sempre, que se encontra na prisão apenas porque o polícia Bell nunca suportou que um negro tivesse uma namorada tão gira, que fosse um artista (escultor, na verdade) e que andasse à procura de umas águas-furtadas fora do Harlem. A voz é surpreendentemente convincente, e as personagens femininas neste romance (Sharon, Ernestine e o trio da família Hunt) são, realmente, incríveis, apesar de Fonny e o pai não lhes ficarem atrás. O livro foi escrito em Saint-Paul de Vence (creio que era por aí que morava Eduardo Lourenço quando vivia em França) e publicado originalmente nos anos 1970; e não tem nada de panfletário apesar de trazer à tona o racismo e a violência praticada com os negros nos bairros de Nova Iorque. Uma cinta refere que existe (ou existirá) um filme realizado por Barry Jenkins (que realizou o premiado Moonlight), mas desse (ainda) não posso falar.

Comentários

  1. Bom dia. Há casos e causos, por exemplo se lhe ganham vozes; pululam.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  2. Curiosamente ainda ontem estive a ver o resumo do filme que está em pré-venda na Fnac (aviso já que não tenho comissão, mas não tendo acesso a cinema de jeito, resta-me comprar - quando posso - os filmes em dvd).

    Maria

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  3. Conheci o escritor já em França... Jovem que eu era, assimilei- o logo ao Estado de espírito de Martin Luther King, que tanto choral no dia da sua morte, em Lisboa!

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  4. António Luiz Pacheco26 de junho de 2019 às 06:46

    Um tema polémico, porém interessante, penso eu.
    Não conhecia o autor, julgo que nem nunca ouvi falar, mas vou informar-me, é ainda para isso que serve este blog!

    Saudações tracejantes cá da Cidade Morena.

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    Respostas
    1. O nome não me era desconhecido, contudo sempre o associei à música e acredita que sempre associei aquela cara a um qualquer sambista brasileiro que bebia mais que sambava? Tou a falar a sério.

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  5. Lyon- O comentário anterior é meu, o logaritmo colou-me erros, não consegui assinar o meu nome- a canícula em Lyon distancia-me de uma boa utilização
    de internet.
    rosário duarte da costa

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  6. Mas então, a Maria do Rosário, que está sempre contra eufemismos e expressões politicamente correctas - que não é "idoso" nem "sénior", mas "velho"; que não é "falecer", mas "morrer", etc. - espeta-nos agora com a forma politicamente correcta de "preto/pretos", cinco vezes, num pequeno texto?

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  7. Já li esse livro e é de facto maravilhoso. Uma luta intensa de direitos quase inexistentes.
    Carla Pais

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  8. António Luiz Pacheco26 de junho de 2019 às 14:04

    Pretos… politicamente correcto?
    Deveria eu , que vivo num país africano, exigir ser chamado de "pálido" ou "claro"? Para não me sentir segregado? Ou só os "negros" é que têm esse sentimento? Não admito que me chamem "branco" (olha o vizinho branco, gritam os netos da D. Maria Gordo aqui do lado quando me vêem empoleirado na escada a podar as árvores), ou mesmo "pula"?

    Ainda há pouco saiu daqui, depois de jantar, o meu colega Dylabié, electricista São-Tomense, negro como o carvão, que chegou hoje de Portugal via Luanda para uma obra grande que temos na Alvafishing… quando entrou, eu dei-lhe um abraço e um palmadão, dizendo-lhe: é pá, viste-te negro para cá chegar! Ele riu abertamente, retribuindo o abraço!

    Será isto racismo?
    Não sei… sei que sou não-racista, o que é muitíssimo diferente de ser anti-racista, pois ser anti-racista é tal como no racismo, reconhecer que há raças… ou não é?

    Vivo por aqui , tranquilamente… Graças a Deus que sei estar!
    Saudações não racistas cá da Cidade Morena!

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  9. Li-o há pouco. Fiquei desiludido. Não é mau, mas não é seguramente uma obra prima.

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  10. Pergunto se será melhor que o "Por favor, não matem a cotovia", do Harper Lee.

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  11. James Baldwin!!!!! "If Beale Street Could Talk" ou os seus inúmeros ensaios. Um must!!!

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