Definições

Lembro-me de um dos autores que publiquei há alguns anos contar que, num encontro literário já não sei bem onde, era tradição, depois do jantar e terminados os trabalhos, os participantes jogarem ao jogo do dicionário. Pedia-se aos escritores presentes que redigissem definições de certas palavras escritas num papelinho: definições bastante sintéticas e enigmáticas ou mais complexas, que de certa forma poderiam constar de um dicionário. Depois, eram lidas alto e os outros tinham de adivinhar de que palavra se tratava. É um exercício interessante pensar numa definição assim e, a seguir, compará-la com a de um dicionário já publicado. Porém, além de sugerir que joguem este jogo em família (sem complicar demasiado a vida aos adolescentes, que têm um vocabulário em geral tão pobrezinho), quero dizer que me lembrei disto por ter lido algures que numa universidade australiana todos os anos pedem aos estudantes que apresentem definições para palavras, termos ou expressões contemporâneos. Este ano, para "politicamente correcto", um aluno (sábio, diria eu) avançou a ideia de que se tratava de "uma doutrina, defendida por uma minoria iludida, que sustenta a ideia de que é inteiramente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo". Eu não diria melhor.


 

Comentários

  1. Engraçado. Não é que vale horrores: din din, grana, cash, money o exportam café ou melhor o card coffe de fezes as cabras; perfume com urina de jacaré ou, o dizem apetitoso ninho o regurgito as asiaticas andorinhas. Excelente MRP, Austrália e seu confuso fuso.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  2. Já tinha lido isto algures e até me permito reproduzir o texto, até maior, de que tomei nota, por me parecer ainda mais esclarecedor:
    -uma doutrina, sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, que foi rapidamente promovida pelos meios de comunicação (também iludidos e sem lógica) e que sustenta a ideia de que é inteiramente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo."

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  3. António Luiz Pacheco27 de junho de 2019 às 07:26

    AHAHAHAH!
    Há aqui uns quantos Extraordinários que se esforçam por ser politicamente correctos, se bem que digam que não… portanto hoje prevejo menos comentários… eheheh! (riso sacanola assumido!)

    Saudações correctas e nem por isso políticas, cá da Cidade Morena.

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  4. Eu não diria melhor, mas de certeza não diria assim.

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    Respostas
    1. Lamento por vossa provocação.

      Cláudia

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    2. António Luiz Pacheco27 de junho de 2019 às 10:59

      Tive um professor que nos obrigava a repetir textualmente o que dizia na sua sebenta, o argumento era de que como não éramos capazes de dizer melhor do que ele, tínhamos de dizer igual… com o meu feitio, aquilo foi cá uma guerra…

      Eheheheh!

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