Transcrever

Dizem que os miúdos da escola secundária não acertam em transcrições do texto pedidas nos testes pelos professores porque simplesmente não sabem o que quer dizer «transcrever»… Bem, espero que aqui no blogue ninguém tenha dúvidas sobre a palavra e que os mais disponíveis possam abraçar voluntariamente o pedido de transcrever cartas para um projecto que dá pelo nome de Cartas da Natureza. Não pensem logo em coscuvilhice amorosa e em envelopes com pétalas de flores perfumadas, embora por acaso haja plantas e flores implicadas nisto. É que a correspondência histórica que se pretende ver passada a computador é, nem mais nem menos, a que foi dirigida ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra entre 1870 e 1928 por leigos e especialistas, tantas vezes acompanhada por desenhos feitos à mão e caligrafia estupenda, com esclarecimentos, perguntas e dúvidas sobre espécimes. Pois bem: apesar de muito do material estar já digitalizado, era importante extrair o texto dessas cartas fotografadas e reproduzi-lo em caracteres digitais para que possa ser servir melhor os interesses de estrangeiros que visitam a Biblioteca Digital Botânica e de todos os que têm dificuldade em decifrar algumas letras. Ao transcrever os documentos, o copista vai de certeza ganhar um sem-número de informações novas e deliciosas, além de, como podem calcular, dramas e episódios pessoais bastante inspiradores. Quem me dera ter tempo…

Comentários

  1. Na instrução primária todos os dias fazia uma cópia...será que actualmente isto acontece? Ou estarei a falar chinês? É que há coisas imutáveis (é preciso é tomates)! -basta ler Lúcio Aneu Séneca-
    Adeus, futuro. (passe o plágio MRP).

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  2. António Luiz Pacheco7 de maio de 2019 às 05:28

    Ora aí está, diria mesmo mais: quem me dera ter tempo, e, estar aí…
    Sem dúvida que - para mim - há de ser interessantíssimo ler essa correspondência vetusta e certamente "temperada" ao modo da época em que foi escrita!
    Que informação preciosa pode conter e fornecer.
    Oxalá aproveitem o ensejo para contactar com a realidade botânica de então, os actuais interessados no tema.

    Saudações vegetais e inertes cá de uma cidade morena, mas sem combustível, energia e nem água! Lixo é que há, muito, e, buracos! Pena não serem exportáveis...
    Aqui em casa até tenho água na cisterna, mas para a fazer circular nos canos preciso da electrobomba accionada pelo gerador que funciona a gasóleo… e sem gasóleo, o gerador só trabalha um pouco para manter a arca congeladora, e, eu ver a guerra dos tronos! Aliás esta última série é muitíssimo inferior às anteriores, parece feita à pressão, só para haver um fim.








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    Respostas
    1. Prezado AL Pacheco

      Relativamente à Guerra dos Tronos, atrevo-me a deixar-lhe esta sugestão de leitura: https://www.ffms.pt/publicacoes/detalhe/1199/telenovela-industria-cultura-lda

      Não será uma telenovela, mas aposto que certas metodologias referidas se aplicam.

      Cordialmente
      cp

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    2. António Luiz Pacheco7 de maio de 2019 às 12:59

      E atreve-se muito bem!
      Parece ser um tema interessantísimo, tratado pelo "Ted" que é um perito na matéria… curiosamente foi meu colega no Liceu Nacional de Oeiras, e fui muito amigo do seu irmão Tó Cintra, aliás pintor (pouco conhecido). A Fundação essa dispensa apresentações, pois me merece a maior credibilidade e não por ter sido um homem de JM durante os dez anos mais estimulantes e profíquos da minha vida.
      Mas, não me parece que a Guerra dos Tronos seja bem uma telenovela… e não o digo por me supor superior, nada disso, mas porque uma série tão bem produzida, com diálogos e personagens tão bem construídos, me parece algo mais. É como lembrar as novelas baseadas por exemplo na obra de Jorge Amado, que dão 53 a 0 às amostras que por aí pululam a toda a hora em todos os canais, turcas, mexicanas, colombianas…

      Grande abraço cá da cidade sem luz!

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    3. Certamente não é uma novela.

      Onde encontro o paralelismo é no "estica/encolhe" da duração da história.

      Na novela encurtam-se tramas, extendem-se narrativas, matam-se personagens, fazem-se curvas fechadas a alta velocidade, tudo em função das audiências. A plasticidade é essencial, haja guionistas com imaginação e sem pruridos.

      Na série, a prova superada das audiências dá direito a uma nova temporada, nem sempre com o mesmo padrão de qualidade, sempre com a expectativa de repetir o êxito da temporada anterior.

      A última série que vi foi o "Prision Break". A páginas tantas já achava que estavam a gozar comigo, com tanto "teasing" .

      Prefiro os livros. Apesar de tudo são mais honestos.

      Feitios, o que se há-de fazer...

      A ouvir: "I'm old fashioned - John Coltrane"

      Uma saudação virtual desta parte da Ibéria, que não se governa nem deixa governar
      cp

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    4. António Luiz Pacheco8 de maio de 2019 às 12:45

      Concordo ainda consigo, sobretudo na parte do J.Coltrane!
      Abraço!

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  3. suponho que não seja aceite toda e qualquer oferta para mudar - transcrever - as ditas cartas manuscritas em letrinha digital. Também me parece que precisará uma pessoa de trabalhar in loco e que não devem os responsáveis enviar as ditas relíquias pelo correio...e, desde logo, me surge circunscrito o grupo de voluntários. Há-de ser interessante ou extremamente monótono o trabalho, depende dos temas e do seu desenvolvimento bem como do interesse de quem copia.

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