O que ando a ler

Assim que vi que ia sair em Portugal mais um romance de Julian Barnes – o autor que ficou famoso com O Papagaio de Flaubert e que venceu o Man Booker Prize em 2011 com o magnífico O Sentido do Fim, sobre o qual escrevi aqui no blogue –, afiei o dente e guardei espaço (ou melhor: tempo). E é mesmo o novo Barnes que ando agora a ler, o romance intitulado A Única História, traduzido por Helena Cardoso e publicado pela Quetzal, que tem vindo a dar à estampa quase todos os anos um romance deste escritor britânico aplaudido dentro e fora de portas. Pois bem: A Única História conta o primeiro amor de Casey Paul, um rapaz de classe média cuja mãe metediça o inscreve no clube de ténis para ver se ele encontra noiva de estrato superior, o que daria bastante jeito. Mas, ao contrário do desejo materno, Casey apaixona-se por uma parceira de ténis quarentona (com duas filhas universitárias e um marido gordo e instalado esquecido do sexo) que vê obviamente no rapaz de 19 anos uma luz que faz brilhar o seu amor-próprio (e não só). A história – única, claro – é contada pelo próprio Casey com uma desfaçatez desconcertante, como se em nada o atingisse o adultério da sua mais-que-tudo (ele convive com a família de Susan nunca sentindo que os atraiçoa), até ao momento em que, «por razões óbvias» (palavras de um bilhetinho que chega por correio), ambos são expulsos do clube. E é nesta parte que vou – ansiosa por logo à noite ler mais um bocadinho, claro. Até agora, tenho-me divertido muito.

Comentários

  1. Ando a ler Eu Sou Dinamite, a vida de Friedrich Nietzche de Sue Prideaux, que considero mais completa que a anterior de Daniel Halevy, 1000 Frases de Camilo Castelo Branco, porque admiro Camilo, da Quetzal, continuo com a Bela do Senhor de Albert Cohen, muito bom e espero em breve iniciar a biografia do Tom Jobim pela sua irmã Helena Jobim. Gosto de biografias.

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  2. Um dos livros que estava na estante à espera da sua vez para ser lido era Nossa Senhora de Paris. Não passei pelo transe dos parisienses por tentar comprá-lo e pus-me a lê-lo. Embora não atinja o nível d'Os Miseráveis nem de Noventa e Três, estou a gostar porque gosto de tudo o que conheço de Victor Hugo.

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    1. "Han de Islândia" ,"O homem que ri" e "Os trabalhadores do mar" também, na altura, me deliciaram; será que, passados vinte anos, me extasiariam de igual modo?

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  3. Andava eu, ainda há pouco, numa indecisão enorme sobre o livro a começar, de entre a pilha dos por ler. Pois bem, já me decidi: será o do Julian Barnes. Também gosto muito dele, é um dos meus autores preferidos.
    Do que li, destaco o "Em tudo havia beleza (Ondesa)" do espanhol Manuel Vilas. É um livro belíssimo que recomendo vivamente. É uma viagem de um homem ( do autor?) ao seu passado que nos toca profundamente. A mim, comoveu-me, confesso. E, mais importante, fez-me imergir no meu próprio passado. Ficará seguramente como um dos livros da minha vida.
    Destaco ainda um pequeno grande livro de Joseph Roth, "O Chefe de Estação Fallmerayer". É uma novela que conta a paixão de um chefe de uma estação de comboios por uma condessa russa casada. Li-o ontem à tarde. É um verdadeiro bombom literário. :)

    ana b.

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    1. Em tudo havia beleza - Um livro triste mas extraordinário, fez-me pensar, reflectir sobre a vida e a... morte. Eu que perdi recentemente a minha mãe e o meu pai falecido há 7 anos deparei-me com memórias que guardo deles.

      Este livro foi dos melhores que li até hoje assim como "Pátria" do basco Fernando Aramburu.

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  4. "Nunca dancei num coreto" - Maria Filomena Mónica. Pequenas crónicas, de página e meia, escritas para o Expresso, entre 2011/2018.
    Sou um leitor de sempre, desta bonita e excelente escritora.
    Creio que já li quase todos os seus livros, comecei no "Bilhete de identidade" que deve ter sido dos primeiros.
    É sempre uma leitura muito agradável, porque os capítulos são sempre pequenos e leves (mas são literatura).

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  5. Li finalmente um livro de Ruben da Fonseca: "A grande arte". Seis estrelas no máximo de cinco!
    Prometo continuar com "Agosto" e "Amálgama".

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    1. Devia ter escrito "Rubem Fonseca". As minhas desculpas.

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    2. E aposto que vai ler muitos mais, o Rubem Fonseca é viciante...

      Maria

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  6. Acabei de ler (finalmente) o "Ano da Morte de Ricardo Reis", de Saramago. Um excelente livro de amor sobre Lisboa e Fernando Pessoa.

    Agora estou a ler, novamente, "1984" de George Orwell (trinta anos e alguns depois...), devido a um trabalho colectivo.
    Como acontece tantas vezes, sinto que li este livro cedo demais. Na época li-o quase como "ficção científica", e ele é muito mais que isso...

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    1. Também ando a reler "1984", que li pela primeira vez quando tinha 18 anos. É um grande livro por muitas razões. A análise política é, naturalmente, a mais destacada quando se fala deste livro. Mas há um outro aspecto que o autor analisa de um modo assombroso, que é a linguagem. A forma como ao reduzir-se o vocabulário ao mínimo essencial, eliminando adjectivos e até o oposto de certas palavras (por ex: colocar "imbom" como o oposto de "bom"), se elimina a capacidade de reflexão e revolta, e a própria identidade do ser humano. O mais perturbante é perceber que já estivemos mais longe dessa realidade.

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    2. Extremamente perturbador esse aspecto que salienta nesta obra. A redução da riqueza ou diversidade de vocabulário é precisamente o que acontece hoje, por exemplo com a redução dos hábitos de leitura dos jovens. Será que a próxima geração terá capacidade mais reduzida de se revoltar, caso precise?
      Miguel Henriques

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  7. Estou a ler "Teresa Desqueyroux" de François Mauriac. Teresa, a personagem principal, envenena o marido, porque o seu casamento é um casamento de conveniência. É então condenada pela família a viver só, e apenas suporta a sua prisão com o sonho de conhecer Paris.
    François Mauriac recebeu o Prémio Nobel da Literatura.
    Decidi ler este livro depois de ter lido uma crítica sobre o mesmo aqui:http://kontestu.blogspot.com/2019/01/balanco-leituras-2018.html.
    Gosto de saber as opiniões de outros leitores, pois são uma forma de eu selecionar as minhas leituras.
    O autor desse blog assina SEVE. Pensei mesmo no ASeve, mas sei que não é ASeve, pois não?

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    1. Sou realmente eu mesmo!
      Curiosamente foi um amigo meu que tem um blogue ("às vezes fim de semana") onde eu, por vezes, falava de livros, que me empurrou para este meu blogue, foi ele que o criou, lhe deu o nome (kontestu por, segundo ele, eu ser muito contestário).
      E já lá vão quase dez anos.

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    2. E está a gostar da "Teresa Desqueyroux"?

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    3. Bastante. Também já li o "Adeus, até amanhã", do Maxwell e gostei muito. Correspondeu às expectativas criadas. Concordo com as classificações que lhe atribuiu.
      Parabéns pelo blog!

      Cândida

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    4. Obrigado.
      O blogue tem andado algo preguiçoso...

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  8. Continuo nos russos: A Guarda Branca de Mikhail Bulgakov é o romance que ando a ler. Guerra civil na Ucrânia, 1918 - mais do que os episódios, a profundidade psicológica e o humor.

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