Crónica e prémio

Hoje é dia de crónica e aí fica o link:


 


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/04-mai-2019/interior/lingua-de-fora-10854250.html


 


Por decisão unânime do júri, O Século dos Prodígios, de Onésimo Teotónio Almeida (Quetzal), ganhou o Prémio Mariano Gago, promovido pela Sociedade Portuguesa de Autores. O Prémio Mariano Gago visa distinguir o melhor livro de divulgação científica publicado no ano anterior. Este livro já tinha sido galardoado com o Prémio Fundação Gulbenkian / História da Presença de Portugal no Mundo (atribuído pela Academia Portuguesa de História) e com o Prémio D. Diniz, da Casa de Mateus. Parabéns ao autor!


 

Comentários

  1. Parabéns ao autor!
    Por acaso, ando a ler (às pinguinhas) uma entrevista dada por Onésimo Teotónio Almeida à revista Ler (aliás, em 2017) e estou encantada. Subscrevo cada uma das suas afirmações e admiro a sua lucidez e honestidade.

    ResponderEliminar
  2. Bom dia com alegria (e o fim de semana à porta)

    Uma das razões porque não gosto de ler este blog: não raras vezes incremento uma lista teórica de livros a ler.

    Por algum motivo de índole masoquista insisto em faze-lo e, assim, hoje a dita lista dilata-se um pouco mais.

    Masoquistas parecem-me também os autores do (des)Acordo Ortográfico, tema da crónica de hoje. Ao infligir à sua própria lingua tamanhas sevícias, não me ocorre outro termo condigno para tais personagens.

    Alvitre-se "Autista" em alternativa,facto é que, e cito, Millôr Fernandes, para acabar em beleza:

    "Quando os eruditos descobriram a língua, ela já estava completamente pronta pelo povo. Os eruditos tiveram apenas que proibir o povo de falar errado"

    Boas leituras
    cp

    ResponderEliminar
  3. "Em linha" com o teor da crónica de você (Maria do Rosário :) ).
    Discordo é do "Adeus Futuro" (fatalista).
    A não aceitação do NAO tirou-me da boca um «Sim, até já Futuro!"

    ResponderEliminar
  4. Agradeço mais esta investida da MRP no tal NAO. Para a acompanhar, com menos qualidade na luta, deixo aqui alguns apontamentos sobre o aleijão ortográfico resultante do cambalacho.
    Para bem dizer, aguardo ansiosamente que almas caridosas da Língua mandem aquilo para a reciclagem. Se é que se pode reciclar tal matéria altamente tóxica. O melhor é fazerem-lhe um buraco e colocarem-lhe um dólmen por cima.
    Até lá, ainda com metáforas para ilustrar a coisa, aquele dito NAO (ou NAH, na minha versão, que significa Novo Acordo Horto-gráfico) não passa de um chafurdo com ares de pântano.
    Embora a sabedoria popular assegure que ninguém morre na véspera, este acordo já morreu antes de o matarem. Pela minha parte, por esse passamento, nem luto deito.
    A coisa foi imposta por decreto, obrigando a seguir a traição linguística. A governança política, entusiasmada com tanta “sapiência”, aceitou tudo de mão-beijada - nem pátria, nem ortografia portuguesa, nem decoro em ouvir o povo. Há ainda quem diga que nem há volta a dar. Nem sequer foi sufragada uma questão de tão grande amplitude, e não há como voltar atrás? Os vendilhões da língua, repimpados na sua sabedoria venal, doutoral e professoral, decidiram fazer aquela bacorada, e temos de a escrever? Colocaram-se de cócoras perante os dialectos de além-mar, adaptaram a escrita aos ditames de povos que já assim escreviam porque assim falavam, e vamos imitá-los?
    Para mim, continua a ser Horto-gráfico: próprio da agricultura, a enterrar na próxima sementeira, sem esperança de fazer medrar coisa alguma.

    ResponderEliminar
  5. António Luiz Pacheco17 de maio de 2019 às 07:03

    Parabéns a Onésimo Almeida! É bom ver reconhecido o valor português de quem ainda sabe posicionar-se no Mundo, sem ser de cócoras!

    Quanto à oportuna e certeira crónica, resumo-a ao seu "grand final" :
    … " numa ortografia que nem sequer é a sua?" , e está tudo dito!

    Saudações cá da Cidade Morena, hoje celebrando os 403 anos da sua fundação sem qualquer pudor ou vergonha de o ter sido por portugueses!

    ResponderEliminar
  6. Desta vez, para ser coerente comigo próprio, vou dizer mal do livro do Onésimo, um autor que eu adoro ler e, sobretudo, ouvir. O último livro que eu li do Onésimo, e que passou totalmente em silêncio, foi "Quanto os Bobos Uivam" - há muito tempo que não me ria com tanto gosto: são únicas as estórias reais que narra e única também a sagaz ironia e o humor com que as descreve. Mete Mário Soares e o PS de S. Miguel, incêndio da Universidade dos Açores atribuído ao Onésimo, um amigo emigrante de Trás-os-Montes às portas da morte e mais e mais.
    Leiam "Quanto os Bobos Uivam" do Onésimo !
    Agora "O Século dos Prodígios" é um Onésimo armado naquilo que ele não é: historiador dos descobrimentos e da ciência. Falta-lhe estofo para a tarefa e torna-se pedante e usa um estilo rígido, sem humor, que não é o dele. Dou comigo a pensar: o autor de "Quando os Bobos Uivam", fazendo uso da sua certeira e ácida ironia, o que diria ele deste último livro que tem o título pomposo (e ridiculamente banal) de "O Século dos Prodígios", tão cheio o ensaio está de repetições e de lugares comuns, sem nada de novo, e escrito com um estilo académico a armar ao pingarelho? A verve desse Onésimo destruiria em três penadas este Onésimo salazarento a proclamar as grandiosos glórias do passado lusitano e a insultar esses anglo-saxónicos que não reconhecem a nossa pregressa grandeza. Parece-me que quem deu o prémio este livro não o leu. Será alguém que devia ter desde logo ficar de pé atrás perante um título tão banal. Para que se saiba: sou açoriano nascido em Ponta Delgada, não sou historiador e, repito, adorei "Quando os Bobos Uivam". Desta vez quem fez de bobo foi o Onésimo (ou fui eu?). Leiam meia dúzia de páginas do "O Século dos Prodígio" e depois digam-me.
    Abaixo o Onésimo-Dantas, pum !

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco17 de maio de 2019 às 14:09

      Excelente!
      Falo do seu post, de que gostei muito. Não falo do livro do Onésimo que não li, mas o crédito que lhe dou é o mesmo que nos transmite, oxalá eu venha a discordar (saudávelmente) de si!
      No entanto, sou dos que talvez "salazarentamente" gostam de se orgulhar dos feitos de antanho (será defeito ou feitio? porque ideologia política não é!) e também invectivo os filhos da mãe dos ingleses, que me enforcaram um distinto tio-trisavô e pior, se locupletaram de muita realização nossa! Estupores… apesar de gostar das roupas que fazem, e das espingardas! Bom, e de alguns cães também…

      Grande abraço cá da cidade apagada!

      Eliminar
    2. Só pelas suas sugestões, valeu a pena passar por cá, Artur. :)

      Eliminar
    3. Caro António Luíz, muito obrigado pelo seu post. Claro que fui seguramente excessivo no meu comentário, mas mesmo esse meu excesso é também uma homenagem ao Onésimo, um excessivo que muito admiro. Abraço.

      Eliminar
    4. Caro Luis, Muito obrigado pelo seu comentário. É que gosto mesmo de ler (e ouvir) o Onésimo mas este seu último livro deixou-me estupefacto. Repito: "Quando os bobos uivam" é uma delícia !

      Eliminar
  7. Dizer ao telefone "Sim" ou "Pois não" não traduz qualquer desacordo ortográfico. Também não vejo, nos exemplos dados de diferença lexical, qualquer diferença ortográfica.
    Até me arrepio ao pensar que terei que voltar a escrever direcção, acta, baptista, dois arrepios se tiver que voltar a escrever pae, mãi, pharmacia, três arrepios já senti por Bolsonaro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco17 de maio de 2019 às 14:16

      Atar a ata? Isso é que me arrepia, confesso e assumo… eheheh!

      Mas talvez prefira dizer "oi" em vez de "hã"? Ou em vez de "olá"... eu arrepio-me com o "oi", confesso ainda.

      Abraço

      Eliminar
  8. Breves comentários aos temas deste «post»:

    Primeiro, fico contente por MRP manter e expressar a sua oposição ao AO90, estando este agora, aparente e felizmente, talvez cada vez mais próximo de acabar, tanto pela acção do governo de Jair Bolsonaro como pela próxima votação, na AR, da Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico. É pena, porém, que no grupo editorial onde ela trabalha (e em outros) se continue a colaborar na destruição da língua portuguesa.

    Segundo, Onésimo Teotónio de Almeida, com «O Século dos Prodígios», ganhou o Prémio José Mariano Gago 2019 por «decisão unânime do júri» cuja composição, tanto quanto pude verificar, não foi divulgada. Recordo que, no ano passado, este prémio foi na prática roubado a mim e ao meu livro «Nautas» por um júri em que um dos membros era co-autor da obra declarada vencedora. Faço notar também a incongruência de, pela segunda vez, a SPA, que se assume contra o AO90, galardoar um trabalho «escrito» em sujeição àquele.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco17 de maio de 2019 às 14:13

      Caro Octávio, escapou-me o seu "Nautas"...
      De que trata? Se me permite interpelá-lo aqui e assim sem mais, pois afigura-se-me interessante.

      Saudações internautas cá da Cidade Morena.

      Eliminar
    2. https://blog.simetria.org/nautas-do-passado-do-presente-e-do-futuro/

      Eliminar
  9. Estou totalmente de acordo com os argumentos de MRP contra o Acordo Ortográfico. O português e o brasileiro (refiro-me às línguas) estão em divergência e cada vez ela será maior. Se não me falha a memória a razão para justificar o Acordo foi que, com ele, seria mais fácil para os estrangeiros aprenderem português, isto é, os estrangeiros baralhar-se-iam quando lhes dissessem que havia palavras que no Brasil se escreviam com uma letra a mais ou a menos!!!!
    Um argumento, que não considero válido, contra o Acordo é que há incongruências. Isso não é argumento pois incongruências existem em muitas línguas e antes do Acordo já havia inúmeras. Assim "atar a ata" não permite concluir nada. Antes do Acordo já havia incongruências idênticas. Por exemplo "O João disse que a Ana fora lá para fora" ou "Eu rego a horta fazendo a água fluir pelo rego". Há milhares e até mais engraçados.. O único argumento válido é o de MRP (que coincide com o meu).

    ResponderEliminar
  10. Pois, agora invoca-se muito as arquitetas. Mas já dantes o homem cheio de sede entrara de chofre na sede da Companhia das Águas. E o da camisa rota que, não obstante, persistia na sua rota.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esses exemplos (e há muito mais) mostram que o argumento da incoerência não colhe. As incoerências ocorrem em muitas línguas.Veja-se o inglês e pense-se na relação entre a escrita e a pronúncia. E a variedade de formas nos diversos países de língua inglesa.
      Dizer que o Acordo abala a cultura portuguesa também me parece sem pés nem cabeça. O único argumento é o que diz que o português e o brasileiro são línguas em divergência e que se pretende impedir essa divergência à cacetada. Não resulta, principalmente se o Brasil (e bem) se está nas tintas (e parece que os outros países) para o Acordo.
      Há, é claro, o problema da geração que já aprendeu assim e que se vai ver grega para não dar erros.
      Porém, graças às Ciências da Educação (que hoje predominam no Ministério), dar erros ortográficos deixou de ter importância desde há anos. O rigor (até ver) já não interessa!!
      Até há quem escreva utilizando o símbolo @ o que me parece horrível. Mas há quem ache que o melhor é cada um escrever como lhe dá na bola!!!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório