Crónica e o bairro Adília

Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/20-abr-2019/interior/as-novas-amendoas-10812675.html


 


A nossa poesia continua a dar cartas lá fora. Já me tinham dito que no Brasil a poetisa Adília Lopes era considerada praticamente uma deusa; e agora é a Colômbia que se mostra rendida à sua poesia. Na última FilBo (a Festa Literária de Bogotá), realizou-se na Universidade dos Andes a actividade «Por el barrio de Adília Lopes», um encontro académico internacional à roda da poética de Adília Lopes, com intervenções e leituras de vários portugueses, como Rosa Maria Martelo, Filipa Leal, Pedro Rapoula, Mafalda Veiga e Raquel Nobre Guerra, e também uma exposição. Olha que bom.


 


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Comentários

  1. Se não nós, que sejam os outros a reconhecer a Adília Lopes, ela que escreve uma poesia de palavras simples que nos tocam ao contar uma história curta ou ao falar de uma emoção que sentimos como nossa, sem que nunca antes a tenhamos sentido. Não é preciso dicionário, nem análise sintática para se entender o que a Adília transmite. Ela é aquela nossa prima especial, diferente de todas as outras, aquela que tem uma corda sensível ultra original que nos revela um interior emocional de que não suspeitáramos. E, no entanto, parece esquecida das parangonas culturais portuguesas. Será porque a Adília é genuína, aérea, pouco dada a maneirismos de salão, e sobretudo porque não se põe em bicos de pé?

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    1. Nem vou procurar as palavras certas para dizer o que sinto acerca da poesia da Adília.
      O Artur já disse tudo o que eu gostaria de ter dito, por isso vou apenas subscrever este seu comentário.

      Maria

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  2. Bom dia com sol e alegria ( e algumas barragens a 80%)

    Certamente por defeito meu, ou feitio, ou ambos, nunca fui leitor de poesia.

    Já tentei Pessoa, Sophia e O'Neill, sem grande sucesso, um poema aqui, um poema ali.

    Enfim, feitios.Gostos. Idiosincrasias.

    Agora, Adília Lopes.... como hei-de explicar.

    Para mim não é poesia. É surrealismo puro. Desconcertante. E por isso a adoro.

    Talvez compre "Dobra" na feira do livro. Tem efeito semelhante a folhear um jornal: Absurdo.

    Talvez o leia a saborear uma pastilha Tide, sabor eucalipto, para complementar com o palato as sensações providenciadas pela leitura.

    Já disse que "As portas da percepção" de Aldous Huxley está na minha lista de livros a ler?

    Bom fds e boas leituras
    cp

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  3. Ó extraordinária MRP (sobre a sua crónica) mas isto aconteceu em Portugal antes do 25Abril?
    -quando eu era pequena, em nossa casa as compras faziam-se ao mês num grande armazém; e lembro-me de ver chegar de uma assentada uma grande saca de batatas (que ia logo para a varanda), pacotes de arroz, farinha, massa, feijão, sal e açúcar, garrafas de azeite e óleo, embalagens de bolacha maria, frascos de compota, azeitonas e sei lá que mais????
    É que, cara MRP, que eu me lembre, quando era pequeno era que a minha mãe e a quase totalidade das outras mães portuguesas, ia à mercearia comprar 1/2 litro de feijão, 25 cm de barra de sabão azul e branco, 1 pão e, de vez em quando, 0,5 kg de laranjas e o merceeiro trazia um livro preto comprido onde assentava o que levávamos para, no fim do mês ou no fim da semana, pagar (e isso era sagrado), 1 tablete de chocolate só no Natal, amêndoas um pacotinho e só na Páscoa, esta, para os mais jovens, onde incluo a MRP que nesta crónica me parece completamente desenquadrada, do que era afinal o Portugal real (e o que, sinceramente, muito me surpreendeu)!

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    1. Mas a menina (MRP) é de boas famílias. Tão boas que até está na LEYA. E está por apelido, não por mérito.

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    2. Caro Severino, eram compras feitas num casão militar, pois o meu avô era militar.

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    3. Ó Caríssima MRP decerto se apercebe que a base do meu comentário não é o de criticar uma determinada condição social na qual a MRP se baseou mas concordará certamente que aquela não era a realidade da maioria da população portuguesa, bem longe disso e daí a minha preocupação relativamente aos que não viveram a época podendo estes não ficar com a percepção de que eram tempos muito, muito difíceis para a grande generalidade da população portuguesa.

      Efectivamente, o cenário que a MRP traçou era o de uma pequena faixa da população mais privilegiada mas, atenção, ainda havia os outros, esses sim os que pertenciam a uma faixa minoritária que vivia à grande e à francesa explorando todos os outros (esses mesmos que ainda teimam em persistir, agora roubando às claras sem ir presos —de vez em quando lá vai um a caminho da Carregueira—)

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    4. Triste é a anónima aleivosia, pior o anónimo aleivoso.

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    5. António Luiz Pacheco3 de maio de 2019 às 06:55

      Hum… ó Severino, na minha casa e da maior parte da minha família, as compras eram feitas por atacado… até no Casão Militar ou na Manutenção, ou nos armazenistas da cidade de Santarém, no sr. António Venceslau, na Sociedade de Drogas, por exemplo.
      Não sei se era maioria ou minoria, mas era assim: a farinha em sacas (da manutenção militar!) porque cozíamos o pão que ia para a arca, o arroz em sacas ia para uma arca também, havia a caixa do sabão, assim como a massa e o que se comprava, ainda tenho na despensa (que também é garrafeira) os grandes armários da mercearia e do que ali se guardava. Coisas havia que eram produção da casa e se guardavam, como o feijão em sacas no celeiro, vinho era da cartola (barril pequeno) na adega e engarrafava-se pelo Carnaval, o azeite era da bilha (também era produção nossa…) no lagar de azeite, as maçãs enroladas em papel de jornal iam para cestos, as azeitonas nos potes tapados com uma tampa de cortiça, melão para a tulha do cereal no celeiro, o tomate e as uvas pendurados, a carne na salgadeira e os enchidos saiam do fumeiro para grandes latas, as compotas nas suas tigelas tapadas com papel vegetal pincelado com clara de ovo, as conservas de pickles no vinagre aromatizado com pimentas ou a fruta em calda nos seus frascos… os figos secos, as avelãs, amêndoas, nozes e pinhões em latas.
      Podia vir o estado islâmico, que nos aguentávamos… a menos que os Mortáguas resolvessem cobrar imposto por açambarcamento!

      Tanto quanto me lembro, em muitas famílias numerosas era assim, comprava-se em quantidade, nunca fiz essa ilação ao factor económico, mas terás razão, não sei… mas foi agradável lembrar isto!!!

      Abraço e bom fim de semana!

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    6. Ó Paxeco mas no Alentejo também era assim na cada dos latifundiários!
      Tenho uma fotografia da 1.classe (em grupo) e reparo que talvez metade da turma está descalça.
      Ou será que eu afinal não vivi no Portugal (miserável) mas sim no reino da Dinamarca?
      Aquela frase de uma sardinha par três foi uma

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    7. (cont.) mentira para deitar abaixo o regime de então?
      Atenção espero que as minhas palavras sejam entendidas, porque tudo foi assim, ou estamos a querer branquear uma realidade salazarista?

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    8. Eu sou o Anónimo como facilmente se depreende.
      Onde escrevi cada do latifundiário deve ler-se casa do...

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    9. Ó Paxeco não estejas a tentar tapar o sol com uma peneira porque sei que conheces a realidade alentejana de antes do 25Abril, és um homem culto e se calhar já leste Manuel da Fonseca (Aldeia Nova, Cerromaior...), Saramago (Levantados do chão), portanto porta-te bem se não vou chamar a Mortágua...

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    10. António Luiz Pacheco3 de maio de 2019 às 09:37

      Chama, chama… aqui tratam dela!
      Mas olha que depois dela determinar que tens rendimentos (porque trabalhas e deves ter ordenado e reforma…) e tos pretender taxar, vais ver que até cantas o hino da restauração!


      Mas tens razão, repito, conheci a realidade alentejana antes do 25 de Abril, e a duriense ou minhota, entre outras como a do bairro ribatejano, e conheci porque as vivi, não precisei de ler ninguém!
      No entanto, volto a dizer e a concordar, que nas famílias de então as compras eram muitas vezes feitas por atacado, sobretudo daquilo que as mães na sua gestão caseira racionavam ou mediam… as mercearias, gulodices, conforme as posses ou a época.
      Na minha casa não se passavam privações, felizmente, mas não era "à vara larga", era tudo contado, pesado e medido! Olá se era!

      Grande abraço saramagueano! Se é que me entendes, e sei que sim!

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  4. Parabéns Adília a tua poesia na América. A gente colombiana é querida.

    CST

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  5. Não me parece necessário contar-vos a minha infância, nascida numa aldeia alentejana nos anos 50, família da quatro filhos, pai trabalhador rural, sem um centímetro quadrado de terra de seu, mãe, obviamente, '' doméstica " ...

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  6. Quanto a Adília Lopes, que bom! Tem poemas felizes. Gosto.

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