Ainda Snu
Snu tem estado na berra, como se dizia no meu tempo: um filme, uma série de TV, a reedição de vários livros. Devemos-lhe muito (e eu também) pois foi quem fundou a editora Dom Quixote, para a qual trabalho regularmente. Miguel Real dedicou-lhe há uns anos uma novela que agora reeditamos, intitulada O Último Minuto na Vida de S., sobre a história do último grande amor português, o de Snu Abecassis e Francisco Sá-Carneiro. Cruzando um estilo ora satírico-jocoso, ora realista, e apoiando-se em três ou quatro factos da realidade portuguesa entre as décadas de 1960 e 1970, o livro conta o que eventualmente terá pensado Snu nos últimos minutos da sua vida, na avioneta que viria a cair em Camarate, à maneira daquele desenrolar de memórias que consta acompanhar o momento da morte. A obra visa ainda retratar um Portugal que já não existe, desaparecido, para o bem e para o mal, na voragem dos costumes europeus.

É uma boa aposta comercial.
ResponderEliminarMas muito mal iria o nosso país (em matéria de amor, claro), se este tivesse sido o último grande amor português. :)
Claro… e com tanto "p'og'ama" na televisão onde se "encasalam" pessoas , o amor está mesmo no ar, ahahah!
EliminarResta é saber se é mesmo amor ou o quê… mas este caso não deverá ter sido o último, esperemos bem.
Saudações amorais, cá da Cidade Morena, onde uma pessoa ainda se pode apaixonar!
Ahahah! Pode crer…
Ó Paxeco essa do pogama tá bem metida.
EliminarA propósito de pogamas viste a entrevista, na SIC, da coisa que representou Portugal naquela nojeira das cantigas europeias (os de leste, russos, eslovenos etc etc, estavam à rasquinha que nunca mais entravam na fossa) o Daniel não sei quantos (outro iletrado) com o Conan? Não ouviste o português do representante de Portugal? Imperdível- bué de fixe ó meu, táxe a ver a cena, iá ó meu; sem qualquer dúvida um digno representante de quem se autodenomina tuga!
Eu bem queria ser positivo mas isto é mais forte do que eu.
Ahahahah! Há coisas com que não perco tempo… futebol e festival da canção são duas delas, eheheh!
EliminarMas imagino, consigo imaginar… sempre vejo as cachas das notícias, e vou assim auvservando… eheheh!
Abraço!
PS- Vou ver o último episódio d' A Guerra dos Tronos!
os surfistas sabem da importância de apanhar a onda, ainda falta a novela e a música :)
ResponderEliminarCada qual tem uma história de vida mas há pessoas que têm histórias assim, intensas. A vida de Snu Abecassis foi tão cheia que serviu de inspiração a escritores, jornalistas e cineastas mas mesmo assim parece que há sempre mais qualquer coisa para descobrir.
ResponderEliminarBoa tarde com alegria, e com um cocktail de estações do ano misturadas
ResponderEliminarEu sou do tempo em que não era muito bem visto o tipo de relação que Sá Carneiro tinha com Snu Abecassis. A minha avó, ela própria divorciada, dizia que eles viviam em pecado. O preconceito auto-infligido é uma coisa tramada.
Não deixa de ser curioso, fruto da evolução dos tempos, que a mesma história seja hoje elevada a arquétipo da relação amorosa. Hoje, época dos reality-shows quem-quer-acasalar-etc-e-tal. (E a minha avó púdica a dar voltas na campa: "Ai que burra, que fui!")
Evidentemente que Camarate vem dourar a história do advogado e da editora. Cada um per si já tinha construído um legado profissional, que perduraria no tempo de qualquer modo.
A morte prematura permitiu conservar a relação do par naquele estado ideal, mesmo a jeito para bons argumentos cinematográficos ou livros.
Sigamos o argumento, como diria O'Neill.
Boas leituras
cp
PS: Talvez uma força oculta, a tal avó já defunta, mandou-me consultar o dicionário:
na berra
• Com cio (ex.: a cabra anda na berra).
• [Portugal, Informal] Ser muito popular ou muito comentado (ex.: o artesanato está na berra; o autor, hoje tão na berra, foi convidado para várias feiras literárias). = NA MODA
"berra", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/berra [consultado em 20-05-2019].
Um livro esplêndido. Tão pequeno mas tão denso que consegue dar a volta pelo Portugal provinciano dos anos 60, dos costumes à falta de cultura literária que terá motivado a criação de uma editora e muito especialmente à cultura política que se seguiu à década de 70. Tudo coroado com a elegante escrita deste autor.
ResponderEliminarUma reedição em boa hora pois estará indisponível nas livrarias há anos. Só um reparo, a capa faz perder grande parte da elegância da edição anterior. Recordo que em todo o texto do autor as palavras Snu ou Sá Carneiro não surge um única vez, e isso é uma das maravilhas da narrativa. Esta capa estraga um pouco esse encanto.
Miguel Henriques
Caro Miguel, obrigado pelo seu esclarecedor post: ao ler nele que nem Snu nem Sá Carneiro são citados nas páginas do romance (e na capa aparece apenas S.) é de concluir que esta capa é um abuso (não li o livro). Vamos crer que o abuso é feito pelo editor, com a conivência do autor, e apenas por razões comerciais. Assim vai o mundo.
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