Ricardo Reis

O Ano da Morte de Ricardo Reis é o romance de Saramago de que, regra geral, os intelectuais mais gostam e aquele que ombreia com Memorial do Convento nas escolhas dos alunos do Secundário. Passados que estão 35 anos da sua publicação, vai tornar-se filme pela mão de João Botelho, experiente nestas coisas de adaptar literatura portuguesa (já o fez com Os Maias, de Eça de Queirós, e Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, heterónimo de Pessoa). A rodagem iniciou-se no mês passado e o elenco vai contar com o actor brasileiro Chico Díaz no papel de Ricardo Reis, e ainda com Luís Lima Barreto como Fernando Pessoa, Catarina Wallenstein como Lídia e Victoria Guerra como Marcenda, entre outros. Prevê-se que o filme fique pronto ainda este ano. Na revista Blimunda, da Fundação José Saramago, diz-se que nessa altura poderemos ver como Botelho leu este romance que «tem como personagens um ano, uma cidade, um poeta, um fantasma, uma criada de hotel, uma jovem com um braço morto, um marinheiro comunista…». Pois, não vai ser fácil, mas vamos esperar o melhor. Só espero que os meninos do Secundário não vão ver o filme a pensar em escapar ao romance…


 

Comentários

  1. Bom dia com alegria

    Os meninos do secundário e não só.

    Eu prometo que vou ler o livro primeiro, não sei é quando...

    Boa semana, boas leituras
    CP

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    1. António Luiz Pacheco8 de abril de 2019 às 07:19

      Ahahahah!
      Olhe, somos dois… mas eu duvido que vá ver o filme, porque não sou grande fã de cinema português.

      Cumprimentos cá da Cidade Morena.

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  2. "O Ano da Morte de Ricardo Reis" é um dos 5 melhores livros que li até hoje.
    É um livro extraordinário!

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  3. A adaptação dramática da Filomena Oliveira e do Miguel Real está deliciosa. E basta para abrir o apetite dos alunos interessantes, apesar de pouco interessados.

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  4. Se o filme servir para abrir o apetite dos alunos do secundário, pois que o vão ver! E se, depois, resolverem não ler o livro, sempre é melhor ter visto o filme do que nem uma coisa nem outra.

    Uma adaptação cinematográfica não é uma cópia do livro e, por isso, nunca sabemos que cenas e diálogos ficam de fora. Se no livro surgir uma determinada frase, para a qual já chamei a atenção no meu blogue, espero que a corrijam! Cito da página 266 (3ª edição LeYa BIS, novembro de 2013):

    «Se ainda me restasse uma hora de vida, talvez a trocasse agora por um café bem quente, Daria mais do que aquele rei Henrique, que por um cavalo só trocava o reino, Para não perder o reino, mas deixe lá a história dos ingleses e diga-me como vai este mundo dos vivos».

    Saramago reporta-se a uma peça de Shakespeare, na qual um determinado rei perde o seu cavalo em plena batalha e clama: "A horse, a horse, my kingdom for a horse"! O problema é que esse rei não se chamava Henrique, mas sim Ricardo! O nome serve aliás de título à própria peça: Richard III, uma das mais famosas obras de Shakespeare. A primeira edição deste livro de Saramago data de 1984. Admira-me que ainda nenhum editor português tenha dado pelo erro. Também não ficaria bem no filme, que quase de certeza será apresentado internacionalmente.

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    1. Grande observação, a da Cristina, não fosse uma escritora de âmbito histórico!
      Sobre o Ricardo e o Henrique, a peça de Shakespeare e a História, há sobretudo a lenda.
      Ricardo III e o tal Henrique (Tudor) defrontaram-se na famosa Batalha de Bosworth, em 1485.
      Facto histórico é a batalha, não as palavras proferidas pelo rei, que não sobrou para contar. Shakespeare,um século depois, achou que ele teria dito isso e levou à cena no acto Quarto da sua peça. isto significa que Ricardo III estava apeado, o que se certifica através da autópsia ao corpo: dois grandes ferimentos na nuca, compatíveis com golpes de uma alabarda e de uma espada; um terceiro ferimento penetrante, menor, no topo da cabeça. Se estivesse num cavalo, talvez a alabarda não o atingisse...
      De qualquer forma, é um pormenor,pois Saramago terá bebido através da peça.

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    2. António Luiz Pacheco8 de abril de 2019 às 11:45

      Interessante o pormenor da Cristina (Torrão) , que tem olho-vivo!!!!
      Interessante o detalhe da autópsia que nos traz (escrevi bem!) , mas note que a alabarda servia exactamente para desmontar os cavaleiros, tendo mesmo um gancho para esse efeito, pelo que o ferimento na nuca pode ter tido origem no dito gancho que o puxou do cavalo abaixo, e, a cutilada pode ter sido de um primeiro golpe da lâmina (cutelo ou podão) da mesma alabarda, dado para o abalar e melhor desmontar… o ferimento menor e penetrante, pode ter sido de muita coisa… claro que digo isto sem qualquer presunção de CSI medieval! Eheheheh!

      Grande abraço!

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    3. Ó Pacheco,
      Não foi a Cristina que fez a autópsia, fui eu.O facto de dizer que estava apeado, quer dizer que foi desmontado do cavalo, pois só assim dava um reino para se sentir novamente numa garupa. Tivesse alguém entregue um cavalo ao Ricardo, decerto não lhe entregaria a coroa, mas certamente levaria a figura do animal ao timbre do elmo no brasão de armas. Se tivesse armadura, já nem sequer subia!...
      De facto, a alabarda servia para fazer desmontar os cavaleiros; hoje serve para enfeitar os guardas suíços da Guarda Suíça Pontifícia.
      O ferimento menor penetrante, segundo a "minha" autópsia (lida algures, parta não sujar as mãos) aponta para uma adaga.
      Tive de rever o texto, não fosse escrever garoupa por garupa e albarda por alabarda, uma vez que o corrector sublinha quase todos os quatro vocábulos a vermelho, à excepção de albarda.

      Grande abraço desde esta terra fria, onde ora chove.

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    4. António Luiz Pacheco8 de abril de 2019 às 13:56

      Fernando:
      Sim, eu percebi que a autópsia era da sua lavra!
      É bem possível que o tal ferimento fosse mesmo de uma "adaga de misericórdia" usada para terminar a vida (e eventual sofrimento) do cavaleiro ferido, sendo enfiada pelas uniões das armaduras ou outras aberturas e pontos fracos, era um estilete perfurante, aguçado e pontiagudo… mas também pode ter sido feito pela ponta da alabarda que servia igualmente de lança… isto as guerras e formas de matar gente sempre foi coisa muito sofisticada e estudada ao longo dos tempos! Hoje mata-se um talibã a 3,54 Km de distância com um tiro!
      Ao menos o nosso Álvaro Vaz de Almada ainda teve tempo de gritar (segundo se diz): "É fartar vilanagem!" . O pobre rei, se calhar nem isso…

      Um abraço caloroso aí para a nova vaga (de frio!).

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    5. Caro Fernando Costa, sei perfeitamente que as palavras alegadamente proferidas pelo rei são de autoria de Shakespeare. Aliás, o retrato feito pelo maior dramaturgo do mundo (pelo menos, o mais conhecido) deste rei não deve corresponder à verdade. Muitos historiadores são de opinião que Ricardo III não teria sido o vilão criado por Shakespeare. Tal como Camões, Shakespeare era um génio da literatura, mas não era historiador.

      Claro que Saramago bebeu da peça, mas estou longe de achar que se trata de um mero pormenor. Se ele bebeu da peça, que ela seja citada em condições! O contraente de Ricardo chamava-se Henrique, mas não foi ele que proferiu as palavras (na peça), foi o Ricardo. Henrique Tudor não se viu em dificuldades, ele ganhou a batalha e tornou-se rei, Henrique VII, pai do famoso Henrique VIII e avô da não menos famosa Isabel I.

      Aliás, sendo as palavras mera criação literária de Shakespeare, maior importância tem o "pormenor"!

      Se quiser ler sobre o que já escrevi sobre Ricardo III, a descoberta dos seus restos mortais, num parque de estacionamento, e sobre o "erro" de Shakespeare, ao criar um dos maiores vilões da história da literatura, pode fazê-lo nos seguintes links:

      https://andancasmedievais.blogspot.com/2013/02/o-rei-no-parque-de-estacionamento.html

      https://andancasmedievais.blogspot.com/2015/03/o-erro-de-shakespeare.html

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    6. P.S. Caro Fernando, imagine que um escritor estrangeiro laureado com o Nobel escrevia, num dos seus livros, uma referência a Eça e a "Os Maias", dizendo, por engano, qualquer coisa assim: "como aquele personagem do Eça, o Carlos da Maia, que se suicidou, depois de a mulher o ter deixado". Imagine que no país dele ninguém notava que ele tinha trocado o Pedro pelo filho Carlos. E imagine que se fazia um filme, mantendo esse erro. Também acharia que se tratava de um mero pormenor?

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    7. Cara Cristina
      É evidente que, mesmo na ficção, quando se narra um facto histórico, este deve ser respeitado. Inteiramente de acordo. É assim que também trabalho, tal como a Cristina, porque nós não devemos fazer História (ela está feita, respeita-se).
      Ao referir um "mero pormenor", pretendia dizer que o escritor confundiu os dois intervenientes na batalha... E não reviu o lapso, nem alguém o fez por ele. No entanto, não deixa de ser um erro.

      Cumprimentos desde esta lusa terra para si, nessa um pouco longínqua teutónica terra, suponho que nada morena como a do Pacheco.

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  5. Se me pusesse a eleger duas obras seriam "Levantado do Chão" e "A Jangada de Pedra".

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  6. Já li o livro duas vezes, já vi o teatro na Barraca, muito bom e espero ver o filme do Botelho.

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