Renascimento
Reabriu recentemente uma biblioteca na Avenida Rio de Janeiro, em Alvalade: a Biblioteca Manoel Chaves Caminha, que esteve em obras desde o verão passado e renasce agora de carinha lavada e agenda cheia, incluindo uma comunidade de leitores orientada pelo escritor Gonçalo M. Tavares. Agora, além do posto de atendimento no rés-do-chão, o primeiro piso é composto por uma sala dedicada ao público infanto-juvenil, com livros, jogos e uma tenda de circo. No último piso, com luz natural, destaca-se o espólio deixado por Manoel Chaves Caminha. A biblioteca quer receber as famílias aos sábados de manhã e tem já agendadas sessões sobre as obras-primas de Homero como tema de conversa. Também estão planeadas sessões de encontros com escritores coordenadas pelo jornalista José Mário Silva, uma das quais acontece já no dia 13 de Abril com Maria Teresa Horta. Em Maio haverá “Alvalade Capital da Leitura”, um festival literário que decorrerá em vários locais da freguesia, entre os dias 16 e 25, e também na biblioteca. São boas notícias, claro.
Bom dia. Amei a denominação "Alvalade Capital da Leitura".
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Fui investigar esta biblioteca que não conhecia. Trata-se de uma Biblioteca da Junta de Freguesia local. Ora aqui está uma biblioteca de freguesia cheia de vivacidade! Parabéns aos responsáveis. Que pena eu já não viver em Lisboa e estar longe da Avenida da Igreja (fiz os últimos anos do Liceu no Padre António Vieira). Admiro a disponibilidade do Gonçalo M. Tavares.
ResponderEliminarLouvável iniciativa e boa proposta, que espero as famílias saibam aproveitar…
ResponderEliminarUma tenda de circo? Numa biblioteca, é que sinceramente não estou a ver. No mínimo curioso pois não vejo lá muita ligação, mas …
Conversar sobre Homero, nos dias de hoje, também me parece arrojado!
Ficam os votos de sucesso para tais iniciativas e empreendimento, muito sinceramente cá desde a Cidade Morena!
Não acho que Homero destoe nos nossos dias. Homero não tem época, ninguém como ele falou sobre a aurora de róseos dedos:). E o mais.
EliminarNão é por destoar, expliquei-me mal. É um clássico, e, repare que recentemente tem havido bons filmes com muito sucesso baseados nessa época e nos acontecimentos de então, desde Tróia aos 300, o início de um império … etc.
EliminarDigo que é arrojado, porque que tipo de conversa é que suscita? Sobretudo clássica e histórica, coisas de que a malta de hoje anda muito arredada.
Bom, na verdade não sei quem vai ser o moderador/animador da conversa… porque também sei que "todo o burro come palha, é preciso é saber dar-lha!", e se calhar isso pode ter alguma influência.
Mas como bem diz mais abaixo o nosso comparsa Fernando, abrir um restaurante de comida picante é coisa que pode limitar o sucesso… ele compreendeu-me. Não sou contra o Homero, de modo nenhum.
Cumprimentos para o Portugal profundo, não era assim que dizia o outro? Eheheheh!
Pois são, muito boas notícias para quem estiver por perto...
ResponderEliminarMuito comoventes, Rosário, os três poemas que acabei de ouvEr no Literatura Aqui, na rtp-2.
São dispersos ou vem aí livro novo?
⚘
Maria
Para dizer a verdade, não sei quais são... Vou ver e depois digo. Mas calculo que sejam de um espectáculo no Teatro do Campo Alegre. Não se avizinha livro novo...
EliminarEra eu.
EliminarPela designação do evento, levar-me-ia a pensar que cairiam lá todos os sportinguistas, se bem que ali se joga mais com a cabeça do que com os pés. Quanto a capital da cultura é outro designativo que se apodera desse estatuto, mesmo que em sentido figurado ou metáfora, à guisa da Capital do Queijo da Serra ou do Rei dos Frangos (sem ofensa para ninguém). Da cultura é, certamente, se bem que comecem com a fasquia muito alta. Homero, como supõe o Pacheco, deve ser ousadia para alguns geek's (gíria inglesa forçada para o caso), e não se abre um restaurante com comida picante, que nem todos apreciam.
ResponderEliminarLouvo - é de louvar - a iniciativa e o projecto; e espero que tenha êxito.
Possivelmente as crianças estarão lá para a tenda de circo, alturas em que darão pausa aos "smarts" e "tablets", tal como acontece nas bibliotecas públicas onde haja computadores disponíveis - deixam de ser bibliotecas para assumirem o espaço ciber, com o sapateado audível dos tacões digitais de Fred Astaire.
Fernando, a fasquia pode ser alta, mas os miúdos agora praticam muito desporto, e há que nivelar por cima, não acha?
EliminarE que aventuras fantásticas tem a Odisseia, por exemplo.
Quem não vibrará com as aventuras de Ulisses?
Com as tentadoras Sereias, com os gigantescos Ciclopes, com a fiel Penélope desmanchando de noite o que teceu durante o dia, de modo a nunca terminar o trabalho.
E o não menos fiel Argos, o cãozinho que se manteve vivo até o dono chegar a Ítaca.
Tantas histórias modernas foram beber a esta fonte, tantas...
Até fiquei com vontade de ir reler Homero.
⚘
Maria
Maria
EliminarCom a sua memória de "A Odisseia" até me despertou a vontade de, mais uma vez, reler um livro que há muito tempo tenho guardado, lido quando era muito jovem - "A Odisseia - Aventura de Ulisses Herói da Grécia Antiga", adaptado por João de Barros. para dizer a verdade, comprei uma outra reedição, mais recentemente, com edição Sá da Costa, a que acrescentei a Eneida, de Virgilio.
Depois de ter lido o livro, teria para aí uns oito anos, vi o filme num cinema de Alverca do Ribatejo. Sempre me fez impressão dos Ciclopes com um olho no meio da testa; e mais impressão me fez quando o herói cegou o Polifemo com a ponta afiada do tronco de oliveira. O nome que o herói disse chamar-se - Ninguém - utilizei-o como personagem de um dos meus livros.
Quanto às sereias Sila e Caribdes, bem como todas as demais, apesar dos meus oito anos, despontou em mim, siderado e estupefacto, aquilo que suponho ser a sensualidade daqueles verdinhos anos.
Não sei se Homero vai ser lido às crianças ou discutido pelos adultos, designadamente se ele foi "mesmo" o autor dos poemas épicos - Ilíada e Odisseia - , ou ainda da Batracomiomaquia, que se supõe ser anterior. Conheço muito gentio que poria os pés na sessão se no programa existisse mesa posta com comes e bebes. É aquilo a que chamo a cultura esofágica, que já se praticava nos tempos em que nem escrita havia. Certamente que, bem reconfortados, todos discorreriam como canoros sobre qualquer assunto... Até futebol.
Possivelmente decorrerá a sessão sobre o autor, o que já não é nada mau!...
Parece-me boa ideia que uma junta de freguesia dinamize uma biblioteca dessa forma. E havendo um escritor conhecido pronto ao trabalho, melhor será. Que lhes cheguem muitos leitores.
ResponderEliminarPena eu viver tão nos confins do Portugal conhecido. Vá lá gente de Alvalade e arredores, bora ir à biblioteca Manoel Chaves Caminha.
Ahahahah!
EliminarSó por curiosidade, e onde diabo ficam os confins do Portugal conhecido? Gostei dessa!
Saudações cá destes confins, que as terras do fim do Mundo são lá para SE, para o Cuando Cubango!
Ora ainda bem que o fiz rir por escrito:). Alentejo é um fim de mundo para lá do sol posto:). Lugar onde as estradas são fitas pretas e sem curvas; onde tudo é sempre em frente e "logo ali" vem depois de quilómetros e quilómetros de montado e porcos à bolota; e se abrir os vidros e haja tempo, no verão aspira-se o perfume das giestas em flor e é melhor que seja pela manhã que o calmeiro aperta pela tarde e não convém que perturbe o ar condicionado. Modernices. E bô tarde
EliminarVoltou a fazer-me rir!
EliminarAqui nesta época andamos muito encalmados! E pior, que como se diz "é calor de chuva", ou seja quente e húmido, anda-se o dia todo pegajoso e quando sai do chuveiro não se consegue secar, continua-se a escorrer.
Giestas, não há, mas as espinheiras em flor também cheiram, e, dão um mel finíssimo, clarinho e aromático como o da laranjeira.
Fique bem, estamos juntos… como se diz por cá!