O que ando a ler
Pronto, hoje é dia de dizer o que ando a ler. Para não fugir muito do habitual (e porque os Extraordinários não ligam grandemente à poesia), tenho em mãos um romance, uma tradução do francês feita por Artur Lopes Cardoso de um texto assinado por um escritor de quem gosto muito: Philippe Claudel, autor de um dos meus livros preferidos, o excelente Almas Cinzentas. O novo, acabadinho de sair, tem lugar num arquipélago imaginário de origem vulcânica (Arquipélago do Cão é, de resto, o título), um lugar sem grande valor para o país a que pertence, mas que está em vias de entrar no mercado do turismo por causa das suas excelentes águas termais, atraindo investidores e, com a hotelaria e a construção, conseguindo manter na ilha os habitantes que antes migravam para o continente assim que chegavam à idade adulta. Porém, dão à costa numa praia pedregosa da ilha três negros, por certo migrantes fugidos de África num desses botes de borracha que a toda a hora naufragam nas águas do Mediterrâneo. E a publicidade a tal caso pode inibir os projectos e os turistas, pelo que o melhor é encontrar uma cratera bem funda onde «despejá-los»... Mas os vulcões podem ser vingativos, e a terra treme várias vezes neste romance. Vou mais ou menos a meio e estou obviamente curiosa em relação ao final. O livro foi publicado pela Sextante e Claudel esteve recentemente em Portugal para o seu lançamento.
Depois de ter passado por Alexandre Andrade, "Descrição guerreira e amorosa da cidade de Lisboa" (não gostei) e "Todos nós temos medo do vermelho amarelo e azul" (bem melhor), ataquei "A cidade de Ulisses" de Teolinda Gersão (vou a meio). Estou a gostar moderadamente...
ResponderEliminarÀs vezes questiono-me se se tratará de escritores menores da nossa língua ou de pura "incompetência" de minha parte para os apreciar como merecem.
Se acharem que é esta última a hipótese válida, podem dizê-lo. Não ficarei melindrado nem aborrecido.
P.S. Tenho cá em casa "Almas Cinzentas" e "Perfumes" de Philippe Claudel. Não li nem um nem outro. Talvez tivesse sido melhor se os tivesse preferido ao Alexandre Andrade e à Teolinda Gersão. Não?
EliminarP.S. 2: Esqueci-me de referir: também li na mesma onda Alexandre Andrade os seus "Quartos alugados". Gostei. Aprecio a ênfase que coloca no factor determinante do "acaso" nas nossas vidas (e em tudo, em geral?). Qual destino, qual carapuça!...
EliminarNão é "factor", é "papel"!...
EliminarBom dia com alegria
ResponderEliminarNão conheço o autor citado. A sinopse agradou-me e irá, assim, engrossar a lista de "Livros a ler", a caminho das três centenas.
De resto, vou a meio de "Os irmãos Karamázov". O pai ainda está vivo e o irmão seminarista já declarou que nutre uma paixão enorme pela humanidade, pese embora detestar cada vez mais as pessoas.
Para piorar as coisas, emprestaram-me "A ordem do dia", de Éric Vuillard.
A verdade é que não há condições!
Façamos o seguinte: troco livros por horas, ou, alternativamente, doravante, apenas lerei livros que suspendam o Tempo.
Boa semana, Boas leituras
CP
"A ordem do dia" é superficial e banal. Nada acrescenta ao que se conhece do nazismo. Não percebo porque foi um êxito literário.
EliminarAtrevo-me a dizer que (dos que conheço e que já li) Philippe Claudel será, possivelmente, um dos cinco maiores escritores vivos franceses, e digo cinco porque quase que me sinto obrigado a incluir os Nobel, Le Clezio e Patrick Moddiano (mas gosto mais do P.Claudel) e o Michel Houellebeck, apenas porque "Partículas Elementares" é um livro que pesa toneladas e toneladas...
EliminarPhilippe Claudel é realmente um jovem grande escritor (n. 1962).
- "Almas Cinzentas" é um livro perturbante que encharca o leitor e o submerge -
absolutamente magnífico!
-"A Neta do Senhor Linh - um romance subtil sobre a dificuldade que temos em lidar com a ideia da morte. -Um carregamento de tristeza, mas absolutamente a não perder-
-"O Barulho das Chaves"-Soberbo!
' a caminho das três centenas.' Gostei... O tempo, o tempo...
EliminarRealmente, pessoas estranhas ao ramo a interferirem no negócio! Uma chatice.
ResponderEliminarCá por mim, ainda às voltas com o assinalamento da I GM, fui à estante, retirei e li um livro que ali esperou muitos anos a sua vez de ser lido, "A Oeste Nada de Novo".
Acabei de ler Tess dos D'Urbervilles de Thomas Hardy, (gostei mais do que O Mayor de Casterbridge) e Tonio Kroger de Thomas Mann. Ando ás voltas com a Bela do Senhor de Albert Cohen, estou-me a divertir imenso, confere com a opinião do Bernard Pivot." É a obra prima da literatura amorosa da nossa época". Experimentem, não vão arrepender-se.
ResponderEliminarEsqueci-me de referir que li há muito tempo "Les Âmes Grises" do Phillipe Claudel, excelente romance.
ResponderEliminar«E porque os Extraordinários não ligam grandemente à poesia»...
ResponderEliminarNão será uma afirmação demasiado abrangente e definitiva? Não haverá excepções?
Então, eu não sou «extraordinário»:
http://novaaguia.blogspot.com/2015/12/prefacio-q-de-octavio-dos-santos.html
Acabei de ler "No Tempo do Rio Amur" de Andrei Makine. Gostei bastante. A Sibéria, a grande neve, em duelo com uma ideia-desejo de Ocidente.
ResponderEliminarÉ uma peça de teatro de um grande poder dramático; livro que se lê avidamenente -um livro para sempre-.
ResponderEliminarComprei este livrinho, o n°.8 da colecção "o livro das três abelhas" editado em 1958, Publicações Europa-América (que bela capa de Figueiredo Sobral), num alfarrabista do Chiado, creio que por €10 e é uma 2•. edição que reproduz o texto da versão portuguesa de José Cardoso Pires e Victor Palla.
"Morte dum Caixeiro Viajante" de Arthur Miller será uma das maiores obras do séc.XX.
Uma tragédia do homem comum que parece estar sempre perto de nós.
Um caixeiro viajante quer dar o mundo aos filhos, quer oferecer-lhes mais do que sabe conseguir.
Excelente.
Nota: ainda existirão caixeiros viajantes?
Claro que existem ! Chama-se agentes comerciais.
EliminarTal como os sapateiros passaram a ser manufactores de calçado. Obrigado Artur.
EliminarEstou com vontade de regressar ao João Tordo. Os seus últimos romances, com um estilo muito no osso e com personagens demasiado perturbadas para meu gosto, não me seduziram. Mas folheei agora "A mulher que correu atrás do vendo" e pareceu-me que estava lá o Tordo de "As Três Vidas" que me deslumbrou. Já o ofereci com prenda de aniversário a um amigo. Falta comprá-lo para mim.
ResponderEliminarEu estou já a terminar... Certamente menos negro que os últimos do autor. Por vezes até excessivamente sedutor (se é que isto se pode dizer). Recomendo vivamente!
EliminarOlá Artur,
EliminarO "As Três Vidas" também me deslumbrou, aliás, chegámos a trocar impressões sobre esse livro, há tempos.
Os dois últimos que comprei dele foram deixados a meio...
Não sei se voltarei a comprar outro livro do Tordo.
Depois diga se gostou, ok?
⚘
Maria
Cara Maria, muito obrigado pela sua recomendação do novo livro do Tordo. Depois do seu comentário vou mesmo comprar o romance: a sua apreciação de que é menos negro e bem mais sedutor convenceu-me ! Abraço
EliminarTenho andado a devorar as "Histórias inquietas" do Joseph Conrad. Cinco contos/novelas que incluem alguns dos melhores textos do autor, como "Posto Avançado do Progresso" e "O regresso". E, como preciso de andar sempre com poesia nas mãos, ando também a ler "Um quarto em Atenas" da Tatiana Faia e a reler "Instante" da Wisława Szymborska.
ResponderEliminarGosto tanto da Szymborska, e fala-se tão pouco dela...
Eliminar⚘
Maria
Pois acabo lentamente, misturando vários tipos de escrita, que a escrita tem sempre precedência:
ResponderEliminar"A sociedade dos sonhadores involuntários" do Agualusa; "O Medo, Trump na Casa Branca" do Bob Woodward; o "Quo Vadis Salazar" do Tiago; "Os Cinco Meninos Cinco Ratos" do Gonçalo Tavares; as "21 Lições para o Século XXI" do Yuval Harari; "A Peste" do Camus; e, "O Nervo óptico" da Maria Gainza.
Estou a ler "Olha-me como quem chove", livrinho de poesia de Alice Vieira e "Emmi e Leo A sétima ond@" de Daniel Glattauer". Este último é a continuação de "Quando sopr@ o vento norte". Narra uma paixão estabelecida por e-mail.
ResponderEliminarEstou também de olho no "Bonjour tristesse" de Françoise Sagan.
Desconheço todos os livros de que falaram os extraordinários, exceto um, que já li: "A oeste nada de novo". O nome de Phillipe Claudel não me é estranho.
Cândida
Vir até aqui sem dizer o que ando a ler, é como aparecer numa festa de aniversário sem levar uma prenda ao aniversariante. Dizer que ando a ler uma das obras da minha biblioteca - pois não estão todas lidas - seria uma refinadíssima mentira.
ResponderEliminarDado o exposto, para que a minha omissão não passe por alguém que não gosta de ler (o que é falso), justifico esse lapso com o facto de ter em mãos um trabalho misto (escrita e desenho) que tenho de concluir até finais de Abril, quando o mesmo vai a meio, depois de ter começado há dois meses. Não há tempo para mais... a não ser para as leituras do Horas, por serem Extraordinárias.
Prontos… deixem-me levantar o dedo também, e destoar qual mosca no leite:
EliminarEstou a tentar escrever e todo o tempo é pouco, porque imerso em projectos que me roubam tempo para ler o que não seja relacionado com eles e me obriga a muita pesquisa... portanto sempre estou a ler, só que coisas que não interessam aqui!
Saudações tardias cá da Cidade Morena!
Voltei para dizer que há uma senhora, autora do blog "Cocó na fralda", de nome Sónia Santos, que organiza em Lisboa e vai agora começar a organizar no Porto também um clube de leitura para quem quiser aparecer.
ResponderEliminarDeve ser muito engraçado, pelo que leio dos seus posts, onde sempre nos diz que livro ou livros foram lidos - um mês é só sobre um livro, outro mês, sobre vários, alternadamente, - e nos dá sumariamente o assunto dos mesmos através de um link. É interessante mesmo para quem não vai, porque, dando a dinamizadora os títulos dos livros e ligando-os aos respetivos sumários, podemos também decidir ler um ou outro título.
Não vou a esses encontros porque é longe para mim, mas tenho o feedback.
Cândida
Ver em:
Eliminarhttps://coconafralda.sapo.pt/clube-de-leitura-de-lisboa-e-ja-esta-2431386
Boa proposta! Também estou obviamente afastado, mas grato pela indicação!!!!
EliminarSaudações cá da Cidade Morena, de Benguela.
Depois de ler a "Estrela Solitária - um brasileiro chamado Garrincha" de Ruy Castro (um livro que fez experimentar uma sensação estranha, não querer chegar ao fim do livro, que cada vez se tornava mais dramático, por ser um retrato fiel da vida do "anjo das pernas tortas"...), e "No Rasto do Corsário" de Fernão Mendes PInto (adaptado por Branquinho da Fonseca) estou a meio de "O Livro do Meio" de Armando Silva Carvalho e Maria Velho da Costa (com um interesse especial pelas referências do poeta ao Oeste...).
ResponderEliminarE também li poesia (e gostei...): "Fantasia Lispoeta" de Carlos Pinhão e "Pelos Trilhos da Poesia" de Américo Morgado. :)