Galveias
O romance Galveias, de José Luís Peixoto, de que já aqui falei quando saiu e de que gostei mesmo muito, venceu o maior prémio de tradução do Japão, depois de ter sido nomeado como um dos cinco finalistas, ao lado de obras de Wu Ming-yi, William Gaddis, Han Kang e Richard Flanagan. A tradutora, Maho Okazaki Kinoshita, que esteve em Galveias e foi fotografada com algumas das pessoas que lá moram (quiçá algumas delas personagens do livro que traduziu), está de parabéns – ela que, segundo li, nunca pensou ser alguma vez nomeada para um prémio desta importância e estava receosa de, na sua língua, não ter conseguido plasmar a diversidade e riqueza das figuras e do mundo criados por José Luís Peixoto. A cerimónia de entrega decorre a 27 deste mês em Tóquio. Galveias é o primeiro livro português a receber esta distinção e, desde que saiu em japonês, em Agosto de 2018, pela prestigiada editora Sinchosha, esteve no Top de vendas da mais prestigiada livraria japonesa entre muitas obras traduzidas. Parabéns também ao autor, que escreveu um romance profundamente original que conseguiu atravessar as fronteiras e transformar-se num texto igualmente belo nesta língua tão diferente da nossa.
José Luís Peixoto merece isto e muito mais.
ResponderEliminarDesta nova geração de escritores é, talvez, o único que não me desiludiu ao segundo ou terceiro livro; e li tudo o que ele escreveu.
Também como ser humano, continua igual, simples, sem tiques de vedeta.
Muitos parabéns ao escritor e à Senhora que o descobriu.
Maria
Para mim "Galveias" é de longe o melhor livro do José Luís Peixoto, escritor que nem sempre me convence. Mas este romance fascinou-me. Bem sei que se pode criticar o tratar-se de um serôdio reciclar do realismo mágico, ao modo alentejano, mas a qualidade do imaginário do escritor sobre a terra onde cresceu e sobre os seus habitantes torna a leitura empolgante. Devo confessar que quase abandonei o livro no seu início porque me pareceu que havia um excesso de realismo mágico na escolha de um acontecimento extraterrestre para lançar as primeiras páginas do romance. Lembrou-me o hiperbólico realismo mágico do Afonso Cruz que é excessivo para meu gosto (como em "Jesus Cristo Bebia Cerveja"). Ainda bem que não o fiz: há uma riqueza narrativa e de personagens que torna todo o livro muito divertido. Estou à espera de uma nova obra do Peixoto que seja tão empolgante quanto o "Galveias".
ResponderEliminarTenho o livro algures por aqui, nos cantos onde ainda cabem livros...
ResponderEliminarVou ver se o encontro e levo para as "mini-férias" que se avizinham, se entretanto não se acabar o "petróleo", que alimenta mais os governos que os nossos carros.
Uma lança em África, perdão, na Ásia, sem dúvida.
ResponderEliminarExtraordinária notícia, fica de parabéns a literatura portuguesa e claro, o autor!
ResponderEliminarAgora vou ser eventualmente desagradável, quiçá polémico, mas creio que estando entre gente ilustre e esclarecida posso emitir opinião:
- "Galveias" é um bom livro. Sem dúvida e como já foi dito pelos Extraordinários. Nem se questiona, mas, já li fora do circuito, escrito pelos "não alinhados" das grande casas editoras, obras bem melhores, com a mesma riqueza de personagens , etc.
Para mim a obra-prima da ruralidade contemporânea, chama-se "Entre Cós e Alpedriz"!
Quem a leu? Quem a editou? Quem a distribuiu? Quem a vendeu?
SE, este género literário fosse reaberto pelo romance em questão (cuja qualidade não contesto, repito) então ele e o autor teriam ainda mais, a virtude de o relançar, e, poderiam ter voz e chegar ao público que aprecia este género (como eu…) as obras que vão sendo tímidamente lançadas em edição de autor, ou em edições limitadas de câmaras municipais e similares, que eu procuro e encontro por aí, raramente nas livrarias.
Quantas delas tão ricas e Extraordinárias? Que poderiam beneficiar de um trabalho de edição que muitas vezes não conhecem, reservado aos alinhados.
Felizmente que há o Facebook e as redes sociais para nos localizarmos e irmos trocando impressões e obras entre nós, os não-alinhados.
Renovando as felicitações ao autor hoje celebrado, envio a todos Saudações cá da Cidade Morena.
E quem é o autor?
EliminarJosé Cipriano Catarino!
EliminarBoa noite. Se, acaso, lhe interessar, posso oferecer-lhe um exemplar do romance (ainda tenho uma meia dúzia mal contada) sem quaisquer contrapartidas. Como vários Extraordinários podem comprovar. (Só uma vez, muitos anos atrás, pedi uma coisita insignificante a um leitor entusiasmado e logo me arrependi.)
EliminarJosé Cipriano Catarino
Muitos anos atrás... ai, escrevinhadores.
Eliminar"Muitos anos atrás" está correcto; estaria incorreto se o Professor José Catarino tivesse escrito "há muitos anos atrás".
EliminarEmbora até essa redundância já se vá considerando aceitável, de tão usada que é.
Portanto, anónimo sabichão, convém ver a gramática antes de criticar.
E não só não conheço o José Catarino, como ele não me incumbiu de vir aqui fazer a sua defesa.
Maria
Adoro a superioridade intelectual dos donos da língua! Só precisam de a conhecer um pouco melhor...
EliminarTambém adoro as respostas cheias de nada...
EliminarEstou a ser injusto:
ResponderEliminar"Vida e Morte dos Santiagos" (Mário Ventura) é outra grande obra contemporânea , da nossa ruralidade, que merece no mínimo ombrear com "Entre Cós e Alpedriz" (para não falar no Lacrau e sua picada). Monte das Flores (Miguel Sousa Tavares) é uma obra muitíssimo boa, mas que dispensa encómios por ele ser dos alinhados, e quem o leia, se calhar vai lembrar-se do anónimo e esquecido "Vida e Morte dos Santiagos"...
Por qualquer razão desconhecida, talvez por ser desalinhado, esta coisa de vez em quando remete-me para o anonimato.
ResponderEliminarO anónimo dos dois últimos comentários sou eu, A.L.Pacheco!