Crónica e efemérides

Hoje é dia de crónica e tem que ver com a nossa amada língua. Aqui vai o link:


 


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/30-mar-2019/interior/lingua-madrasta-10734386.html


 


Este é um ano literariamente especial: não só é o centenário do nascimento de dois poetas portugueses espectaculares (Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena, que de resto foram amigos e correspondentes), mas também o 50º aniversário de Mário Cláudio como escritor e o 40º aniversário da vida literária de Lobo Antunes (são de 1979 os romances Memória de Elefante e Os Cus de Judas), Alice Vieira e António Mota. E, internacionalmente, vamos ter uma raridade: dois Prémios Nobel da Literatura no mesmo ano! Não há ano como este.


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco12 de abril de 2019 às 02:28

    Extraordinárias efemérides de Extraordinários autores!
    Vão daqui da cidade de Benguela-a-Nova (terra do Extraordinário Pepetela) as minhas saudações para todos, em espírito ou em corpo.

    Dos citados tenho um especial apreço por Mário Cláudio, e 50 anos de escrita, é obra!

    Votos de um Extraordinário fim de semana para todos os demais Extraordinários!

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  2. Vejo em caixas de comentários certos textos que não são propriamente produtos de uma língua mas apenas farrapos dela. O campo de expressão e interpretação está a encurtar-se. Exprimir sentimentos e raciocínios vai tornar-se cada vez mais difícil.

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  3. Ainda ontem vi na RTP1 (Joker), um advogado que desconhecia a acentuação com acento grave.
    Mas qual é o problema?
    Tem dúvidas? Vai ver à internet...

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  4. Inacreditável, a história dos ovos! Mas eu, que tenho dois filhos já adultos e que acompanhei também vários sobrinhos e filhos de amigos ou colegas até chegarem ou saírem da adolescência, noto que falta léxico, capacidade de interpretação de textos e cultura geral sobretudo àqueles que conversam pouco com os seus adultos de referência. E infelizmente, isso acontece tanto! Grande parte dos adultos de hoje anda demasiado ocupada ou dispersa para conversar com os seus filhos, os corrigir e os educar para serem adultos cultos. E isso não quer dizer que não passem tempo com eles: tratam das suas necessidades mais básicas, estão atentos ao bom comportamento e ao desempenho na escola, às vezes brincam e mimam-nos sempre que podem, mas tendem a achar que eles são eternas crianças, que não vão entender as conversas de adultos, ou pior, que não se vão interessar por elas, e fazem mesas à parte, e põem-nos nos cantos com as outras crianças, e não os englobam nas discussões ou tomadas de decisão “adultas” da casa, tentando sempre “descer” ao nível deles, em vez de os “puxar” para o seu. É claro que há uma idade para tudo, mas com os meus filhos eu sempre falei de tudo, sempre lhes contei o que acontecia na família ou no mundo, explicando, contextualizando (desde que achasse que tinham maturidade suficiente, claro), etc e eles sempre gostaram das “conversas de adultos” que nós tínhamos. E fui constatando, por comparação, o quanto eles aprendem vocabulário, mas também a exprimir-se melhor e compreender melhor o que ouvem e lêem, nas conversas de adultos, com adultos (para além das leituras, claro, mas esse seria todo um outro post e respectivo comentário). Porque entre amigos e colegas, mesmo dentro da escola, eles têm a sua própria linguagem, cada vez mais pobre, como sabemos.
    Uma história curiosa a esse respeito: uma vez o meu filho mais velho contou-me que um colega usou a palavra “algibeira” num grupo alargado de amigos, e que ninguém, a não ser o meu filho, sabia o seu significado. Para todos eles, “bolso” não tinha sinónimo. Conversando um pouco mais com o meu filho sobre esse assunto, percebi que quer ele, quer o colega, conheciam a palavra pelo uso recorrente que as avós de ambos, com quem eles gostavam de conversar, lhe davam (porque nem eu nem o meu marido a usamos vulgarmente, e pelos vistos, nem os pais desse colega)…
    Filipa

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    1. " eles têm a sua própria linguagem, cada vez mais pobre, como sabemos." Será mesmo cada vez mais pobre? Tenho muitas dúvidas porque hoje utilizam-se palavras que no tempo da minha juventude não existiam.

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    2. Sem dúvida, por exemplo, bué, fixe, ó mano, bué de fixe, tax a ver ó meu, ya man, e muitas muitas mais duma riqueza imensa...

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    3. Sim, esses são exemplos mas há muito mais. A língua não é coisa morta.

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    4. António Luiz Pacheco12 de abril de 2019 às 10:29

      Bué … é africanismo, é umbundu!
      Muitas palavras que os jovens de hoje usam (e já no meu tempo, sejamos claros…) não são novas coisíssima nenhuma, são meras expressões usadas pelos africanos e recriadas por eles, mas que podem ser encontradas em Agualusa, Mia Couto, Pepetela, Ondjaki … só que os jovens não as leram nestes autores, infelizmente, ouviram-nas nos transportes públicos ou na discoteca, no café, na rua… e repetem-nas porque acham fixes.
      Palavras novas, criadas, não as usam e duvido que tenham imaginação para isso, sou franco. Trocar que por K ou porque por pk e por aí fora, é como usar cx por caixa, ou tab por tabuleiro, pal por palete, cvt por couvette… qualquer ficheiro-mor de artigos de um supermercado ou uma folha de pedidos faz isso… é a umc (unidade medida de compra).


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  5. Boa tarde com alegria

    Essa do caderno de sinónimos até eu uso e recomendo

    Começei quando li um livro do Mário de Carvalho e nunca mais parei.

    Bom fds e boas leituras
    CP

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    1. Qual foi, p.f., o livro do Mário Carvalho?

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  6. Já agora acrescenta-se também, Maria do Rosário, o centenário do nascimento de Fernando Namora.

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